Quando a Samsung anunciou que os seus telemóveis seriam adaptados para o padrão “Qi2 Ready” no ano passado, todos nós suspirámos de alívio e entusiasmo. Finalmente, o ecossistema Android ia ter a sua própria versão oficial e universal do aclamado MagSafe da Apple. A ideia de poder encostar o telemóvel a um suporte magnético no carro, usar suportes de secretária flutuantes ou acoplar carteiras na traseira de forma perfeita gerou uma enorme expectativa para a nova linha. Mas, quando a série Galaxy S26 foi oficialmente revelada, a desilusão instalou-se rapidamente.
Apesar do aumento muito bem-vindo nas velocidades de carregamento sem fios nos modelos S26+ e S26 Ultra, a Samsung decidiu deixar os ímanes integrados totalmente de fora. A decisão deixou a comunidade tecnológica perplexa, e agora a marca sul-coreana veio a público tentar justificar o que muitos consideram injustificável.

A desculpa dos 83% e o negócio das capas
O que levou a Samsung a ignorar uma das funcionalidades mais pedidas e práticas dos últimos anos? Segundo um executivo da empresa, a resposta está nos hábitos dos consumidores. A pesquisa interna da Samsung revelou um dado curioso: cerca de 83% dos utilizadores da linha Galaxy já utilizam uma capa de proteção no seu dia a dia.
Com base nesta estatística, a marca concluiu que não valia a pena o esforço e o custo de embutir os anéis magnéticos no próprio chassis do smartphone. Em vez disso, a estratégia assumida passa por integrar os ímanes Qi2 diretamente nas capas oficiais vendidas pela marca. Na teoria corporativa da Samsung, se já vais proteger o teu telemóvel com uma capa, então ter o íman integrado no acessório resolve o problema.
No entanto, esta lógica tem falhas que os fãs rapidamente apontaram. Primeiro, obriga-te a comprar capas magnéticas (frequentemente mais caras se fores optar pelas oficiais da Samsung) para poderes usufruir da tecnologia base. Segundo, ignora completamente a minoria de utilizadores que prefere usar o telemóvel “nu”, sentindo os materiais premium de titânio e vidro pelos quais pagaram um valor bem acima dos 1000 euros. Para estes puristas, usar a conveniência magnética no novo S26 tornou-se uma impossibilidade.
A obsessão pela espessura: 7.9 milímetros
Mas a justificação da empresa não se fica pelo mercado dos acessórios. Won-Joon Choi, o Diretor de Operações da Samsung MX, deu uma explicação mais focada na engenharia à imprensa internacional. Segundo ele, a inclusão de um anel magnético interno ocuparia um espaço físico valioso. A equipa preferiu utilizar esses milímetros preciosos para refinar o design e tornar os dispositivos mais finos e leves.
O resultado prático desta “dieta tecnológica” é o Galaxy S26 Ultra, que se apresenta como o modelo “Ultra” mais fino de sempre da história da Samsung, ostentando apenas 7.9 mm de espessura e um peso de 214 gramas (menos 4 gramas que o seu antecessor, o S25 Ultra). Conseguir colocar um processador Snapdragon 8 Elite, a caneta S Pen e quatro câmaras de topo num corpo tão esguio é um feito notável, mas será que este emagrecimento valeu a pena o sacrifício?

O que os utilizadores realmente querem
É precisamente na resposta a esta pergunta que a comunidade entra em total desacordo com a Samsung. Se perguntares a quem compra estes equipamentos o que prefere — um telemóvel um pouco mais fino ou uma bateria maior com ímanes integrados? —, a resposta pende esmagadoramente para o lado da utilidade.
O sentimento geral nas redes sociais e fóruns é de frustração. Os utilizadores argumentam que os smartphones modernos já são finos o suficiente e ninguém se queixava de que os modelos anteriores eram “demasiado grossos”. Em vez de bater recordes de espessura, os consumidores preferiam que a Samsung tivesse aproveitado o espaço interno para aumentar a capacidade da bateria (que se manteve inalterada) ou para instalar os tão desejados ímanes Qi2, garantindo compatibilidade nativa imediata.
No fundo, a decisão da Samsung parece ser uma mistura de escolhas estéticas questionáveis com uma estratégia comercial altamente lucrativa para impulsionar a venda dos seus próprios acessórios. Ao transferir uma funcionalidade de hardware essencial para um acessório pago, a marca comprou uma guerra com os seus fãs mais exigentes. Resta agora aguardar para ver se as críticas farão a empresa corrigir a rota na futura geração S27.
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