A IA amplia falhas de segurança já presentes nas empresas à medida que assistentes e agentes obtêm acesso a mais aplicações, sistemas e dados, alerta a Check Point Software. A empresa apresentou o Security Hardening Assessment, um serviço que analisa mais de 50 controlos para identificar configurações incorrectas e definir prioridades de correcção.

A expansão de sistemas de inteligência artificial para plataformas de colaboração, aplicações empresariais, serviços cloud, interfaces de programação e repositórios internos acrescenta novas vias de acesso à infraestrutura tecnológica. De acordo com a Check Point, esta alteração pode aumentar o impacto de permissões excessivas, falhas de configuração e controlos de acesso frágeis.
IA aumenta o alcance das falhas de configuração
A ligação da IA a vários sistemas empresariais pode aumentar o alcance de problemas de segurança que já existiam antes da sua adopção.
Assistentes, agentes de IA, contas de serviço, fluxos automatizados e conectores de dados dependem das permissões e configurações existentes nos ambientes aos quais obtêm acesso. Uma conta com privilégios excessivos pode, por exemplo, permitir que um sistema consulte informação que deveria estar limitada a um grupo restrito.
A Check Point identifica permissões excessivas, configurações incorrectas, segmentação inadequada, falhas de monitorização e vias de dados expostas entre os problemas que podem ganhar maior alcance através da inteligência artificial. A empresa sustenta que o risco não reside apenas nos modelos, mas também nas identidades, aplicações, conectores, fontes de dados e regras de acesso que suportam a sua utilização.
Esta relação explica por que motivo a IA amplia falhas de segurança existentes. Quanto maior for o número de recursos acessíveis a um sistema, maior pode ser a consequência de uma permissão ou configuração inadequada.
Gartner prevê impacto dos agentes de IA nas violações
Os agentes de IA deverão assumir maior peso nos incidentes de segurança empresarial ao longo dos próximos anos.
A Gartner prevê que, até 2028, 25% das violações de segurança em empresas terão origem no abuso de agentes de IA, tanto por atacantes externos como por intervenientes internos maliciosos.
A consultora associa o risco ao aumento da superfície de ataque e considera necessária a aplicação de mecanismos específicos de segurança e gestão de risco.
“As empresas não podem esperar para aplicar controlos de mitigação contra ameaças de agentes de IA”, afirma Daryl Plummer, Distinguished VP Analyst, Chief of Research e Gartner Fellow. O analista defende que estes controlos devem fazer parte dos produtos e do software antes da ocorrência de uma violação de segurança.
Em abril de 2026, a Gartner acrescentou outra previsão. A consultora estima que 25% das aplicações empresariais de IA generativa terão pelo menos cinco incidentes de segurança de menor gravidade por ano até 2028, face a 9% em 2025. A análise associa parte deste aumento à integração de aplicações baseadas em agentes e a práticas de segurança ainda pouco maduras.
Check Point analisa mais de 50 controlos de segurança
O Security Hardening Assessment procura detectar configurações incorrectas antes de uma organização alargar o acesso dos seus sistemas de IA.
A página oficial do Security Hardening Assessment indica que o serviço aplica validação automatizada a mais de 50 controlos relacionados com ciclo de vida dos sistemas, actualizações, acessos e configurações.
Os resultados são classificados como conformes, não conformes ou sujeitos a revisão. Especialistas da Check Point analisam depois as conclusões e apresentam prioridades e recomendações de correcção.
O serviço abrange identificação de lacunas de configuração, classificação de risco, orientação para a correcção e avaliação de conformidade. A empresa indica ainda que uma avaliação por sistema pode decorrer durante dois a três dias, com análise da arquitectura e dos controlos, recolha de dados, validação automatizada, classificação das conclusões e revisão técnica.
“A deriva de configuração é inevitável em ambientes dinâmicos. O desafio não está em encontrar manualmente todos os problemas, mas em perceber quais são os mais importantes e resolvê-los antes que se transformem numa exposição real”, afirma Eitan Lugassi-Gilad, vice-presidente da Check Point Services.
Identidade e dados concentram parte dos controlos
As permissões, os dados sensíveis e a monitorização constituem áreas centrais na gestão da exposição associada aos sistemas de IA.
A Check Point identifica cinco áreas a avaliar antes de ampliar o acesso da inteligência artificial numa organização. São elas a identidade e o controlo de acessos, o princípio do menor privilégio, a protecção de dados sensíveis, os registos e mecanismos de monitorização e as configurações de referência.
O princípio do menor privilégio limita cada ferramenta aos dados que o utilizador ou processo está autorizado a consultar. Este controlo assume particular relevância nos riscos dos agentes de IA, uma vez que estes sistemas podem executar tarefas através de várias aplicações e serviços com recurso a identidades não humanas.
A gestão das configurações constitui outro ponto de controlo. Novos utilizadores, aplicações, permissões e fontes de dados podem alterar a postura de segurança depois de uma avaliação inicial.
Por esse motivo, a Check Point integra validação repetível no Security Hardening Assessment, com o objectivo de detectar alterações face às configurações de referência e estabelecer prioridades de correcção.
Segurança da IA depende dos controlos da infraestrutura
A segurança da inteligência artificial empresarial depende também das identidades, permissões, dados e sistemas aos quais esta tecnologia obtém acesso.
As previsões da Gartner e a análise da Check Point convergem num ponto factual. A adopção de agentes aumenta o número de interacções entre identidades, aplicações, serviços e dados, o que coloca maior pressão sobre os mecanismos de controlo de acesso e gestão de configurações.
Os dados disponíveis não permitem concluir que a utilização de IA provoca, por si só, mais violações de segurança. Indicam, contudo, que a sua integração em ambientes com controlos frágeis pode aumentar o alcance de falhas já existentes.
É neste enquadramento que a afirmação de que a IA amplia falhas de segurança deve ser interpretada. O nível de exposição depende do acesso concedido aos sistemas, da informação disponível e da eficácia dos controlos aplicados à infraestrutura empresarial.
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