O diretor executivo da Intel, Lip-Bu Tan, destacou o preço dos modelos de IA chineses como um dos fatores que ajudam a explicar a sua rápida adoção na China. Durante um painel organizado pelo banco DBS, em Singapura, esta segunda-feira, 12 de outubro, o responsável apontou a DeepSeek, a Kimi e a GLM como exemplos de sistemas cujo desempenho já responde às necessidades de diferentes aplicações.

As declarações, divulgadas pela Reuters, reforçam a importância do preço na concorrência entre fornecedores de inteligência artificial. Para muitas empresas, a capacidade de executar tarefas a um custo reduzido pode ser mais relevante do que utilizar o modelo com os melhores resultados nos testes de desempenho.
O preço dos modelos de IA chineses ganha importância na concorrência
Lip-Bu Tan salientou que os modelos chineses apresentam custos inferiores por token, a unidade utilizada para contabilizar o processamento de texto pelos sistemas de inteligência artificial.
Esta diferença pode ter consequências relevantes para empresas que recorrem à IA de forma intensiva. Em aplicações de atendimento ao cliente, programação ou processamento de documentos, pequenas diferenças no preço por token podem representar poupanças significativas quando se acumulam milhões de pedidos.
O responsável da Intel considerou também que o desempenho de modelos como DeepSeek, Kimi e GLM já é suficientemente bom para diferentes utilizações. A avaliação não significa que estes sistemas superem os concorrentes norte-americanos em todas as tarefas, mas aponta para uma realidade comercial em que o melhor resultado técnico nem sempre determina a escolha de uma solução.
A evolução recente do mercado mostra que a concorrência já não se limita à capacidade dos modelos. Um relatório publicado pela State Street Global Advisors em setembro identificou vários lançamentos chineses que combinaram avanços de desempenho com preços competitivos, entre os quais modelos da DeepSeek, Moonshot AI e Z.ai.
O documento salienta que a evolução dos fornecedores chineses deixou de depender de um único lançamento, como aconteceu com a DeepSeek no início de 2025. A sucessão de novos modelos ao longo de 2026 aponta para uma capacidade de desenvolvimento distribuída por diferentes empresas.
O documento salienta que a evolução dos fornecedores chineses deixou de depender de um único lançamento, como aconteceu com a DeepSeek no início de 2025. A aposta na eficiência já tinha sido abordada pelo TecheNet quando a DeepSeek apresentou os modelos V3.2 e V3.2-Speciale, com o objetivo declarado de competir com sistemas ocidentais através de uma utilização mais eficiente dos recursos computacionais.
Modelos abertos podem aumentar a eficiência
Lip-Bu Tan manifestou também o seu apoio ao desenvolvimento de tecnologias de código aberto, que considera importantes para melhorar a eficiência. Segundo o executivo, será o mercado a determinar quais os modelos mais adequados a cada utilização.
A disponibilidade de modelos com pesos abertos permite às empresas executar determinadas soluções nas suas próprias infraestruturas, adaptar sistemas a tarefas específicas e reduzir a dependência de serviços externos. No entanto, estas vantagens dependem das licenças aplicáveis, dos recursos computacionais necessários e dos custos de manutenção.
A expansão dos modelos chineses coloca igualmente questões sobre a transparência das avaliações de segurança. Uma investigação da SemiAnalysis, publicada a 8 de outubro, concluiu que apenas 31 dos 857 lançamentos de modelos analisados tinham resultados públicos de testes de segurança específicos. O estudo abrangeu nove fabricantes chineses e lançamentos realizados entre 2021 e setembro de 2026.
Apenas nove desses lançamentos tinham resultados disponíveis até à data de apresentação. A investigação analisou a divulgação pública dos testes, não a sua realização efetiva. Por isso, a ausência de documentação não demonstra que os modelos não tenham sido testados, mas dificulta a avaliação independente por parte das organizações que ponderam a sua utilização.
Intel prevê maior utilização da computação quântica
Durante a mesma intervenção, Lip-Bu Tan abordou a evolução da computação quântica e considerou que esta tecnologia poderá tornar-se comum num prazo de três a cinco anos.
O executivo atribuiu também importância ao software na utilização eficiente das infraestruturas necessárias ao desenvolvimento desta área.
Trata-se, contudo, de uma previsão sujeita a uma incerteza considerável. A expansão comercial da computação quântica depende de avanços na correção de erros, na estabilidade dos sistemas e na capacidade de executar aplicações úteis em condições economicamente viáveis.
Tan não apresentou, nas declarações divulgadas, dados técnicos que permitam sustentar aquele calendário.
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