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Mão biônica devolve o tato a pessoa amputada

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
06/02/2014
Em Ciência

Pela primeira vez, uma pessoa que havia sido submetida à amputação de uma das mãos passou a ter um sentido quase natural de tato graças a uma prótese.

Os nossos sentidos são mecanismos fisiológicos de percepção formados por impulsos eletroquímicos e transformados em informação útil às nossas vidas no cérebro. Visão, audição, olfato, tato e paladar são, de forma simples, o resultado da apuração das informações obtidas pelos órgãos sensoriais sobre o ambiente que nos cerca.

De acordo com um experimento, Dennis Aabo Sørensen, que teve a mão esquerda amputada, voltou a apresentar o crucial sentido do tato, tendo sido a primeira pessoa a realizar tal feito através do uso de um novo modelo de prótese. “A sensação é bem próxima à que se tem quando toca as coisas com sua mão normal”, diz ele.

Para restaurar o tato de Sørensen, o pesquisador Silvestro Micera, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Lausana), Suíça, e seus colegas implantaram eletrodos no interior dos nervos ulnar — que chega aos dedos mínimo e anular — e mediano — que serve aos dedos indicador e médio — do braço. (Estes nervos transmitem informações da maior parte da mão, inclusive da palma.) Por meio de cabos que ficam do lado de fora do braço, os eletrodos foram conectados a sensores de pressão nas pontas dos dedos e na palma da prótese robótica. Quando Sørensen usa a mão para segurar um objeto, os sensores emitem sinais elétricos diretamente nos nervos, restituindo o tato.

"eu não imaginava que era possível", diz sørensen. Na imagem, ele testa a mão biônica. Foto: lifehand 2/patrizia tocci

“eu não imaginava que era possível”, diz sørensen. Na imagem acima, ele testa a mão biônica. Foto: lifehand 2/patrizia tocci

 

 

 

Os projetistas da mão biônica ( biónica ) calibraram a intensidade dos sinais elétricos para que houvesse toda uma amplitude de sensações, do toque mais sutil à pressão mais firme, ligeiramente abaixo do limite acima do qual sentir-se-ia a dor. Segundo a própria cobaia do experimento, as sensações se assemelhavam bastante às da sua mão direita natural. De fato, Sørensen pôde identificar os objetos que segurou na mão robótica apenas pelo toque. Ele conseguiu diferenciar, por exemplo, um algodão, um copo de plástico e um bloco de madeira em 90% do tempo — com os olhos vendados.

A firmeza com que segurou os objetos encantou Sørensen: “Como minha prótese atual, eu sempre preciso ver o que estou fazendo com ela”, afirma. Sem uma sensação de toque para guiá-lo, uma tarefa tão simples quanto cortar um pedaço de fruta pode ser desastrosa. Sua confiança no artefato é tão grande que o levaria a adquirir a prótese imediatamente, porém, infelizmente, os regulamentos que governam o ramo dos eletrodos implantados o fizeram devolvê-la após um mês de testes. Resta à equipe de Micera comprovar a durabilidade do tratamento no longo prazo para que este se torne acessível. Os primeiros resultados foram animadores, diz o pesquisador, pois, após 30 dias, 90% dos eletrodos ainda funcionavam.

Dustin Tyler, cientista da Case Western Reserve University, em Ohio, também trabalha com o design de próteses biônicas e ressalta que o método de estimulação direta dos nervos pode levar, teoricamente, ao desenvolvimento de membros protéticos capazes de produzir sensações exatamente iguais às de um membro real, restaurando as mais sutis variações de toque, calor, frio e dor. Para tanto, seria necessário estimular precisamente as fibras nervosas relevantes, que podem ser extremamente pequenas.

O método de Micera emprega um conceito similar ao dos implantes cocleares que fornecem o sentido da audição a muitas pessoas, diz Greg Clark, da Universidade de Utah. Esses implantes estimulam as fibras nervosas da mesma maneira como estas fibras seriam naturalmente ativadas pelo próprio som. “Não precisamos conhecer o código que o cérebro usa para interpretar a fala para que esta abordagem funcione”, afirma ele. “Só precisamos fornecer os dados básicos. Então, o cérebro interpreta esses dados da mesma maneira que normalmente faria”.

Fonte: NewScientist

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Tags: biónicafibras nervosasmão biônicaprótesetato
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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