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Voyager 1 deixa sistema solar: para o infinito e mais além



A sonda Voyager 1 deixou o sistema solar no dia 25 de agosto, tornando-se assim o primeiro objeto construído pelo homem a aventurar-se pelo espaço fora da atração da nossa estrela, 39 36 anos depois do seu lançamento.

A Voyager 1 foi lançada a 5 de setembro de 1977 de Cabo Canaveral – a base de lançamentos da agência espacial norte-americana – com a missão de explorar o sistema solar exterior. Nestes 36 anos de atividade, a sonda viajou 18,7 bilhões (mil milhões) de quilómetros, à razão de um milhão de quilómetros por dia, e visitou Júpiter, Saturno e Urano.

Agora, a Voyager 1 está a navegar no espaço inter-estelar, ou seja, numa zona que não é influenciada pelo campo gravitacional de nenhuma estrela, e continua a enviar informação numa base diária para a terra. Mas a sonda tem os dias contados. As suas baterias atómicas deverão perder toda a energia em 2030 e a partir daí acabará qualquer contato entre a nave e o planeta. Aliás, a Voyager 1 apenas continua a enviar dados para o Jet Propulsion Laboratory porque está em poupança de energia desde 1990, ano em que enviou a última fotografia. De então para cá, apenas dados científicos chegam.

A Voyager 1 navega agora no espaço interestelar mas só voltará a estar sob a atração de uma estrela daqui a dezenas de milhares de anos. Os cientistas calculam que só voltará a aproximar-se de um planeta daqui a 40.000 anos, nas imediações da estrela Gliese 445. E se a nave sobreviver e o planeta for habitado por uma civilização inteligente, a Voyager 1 leva consigo bastante informação sobre o planeta Terra e os homens que nele habitam.

Ao contrário do que era habitual até então – quando os objetos lançados para o espaço apenas levavam uma placa com o local e o ano de origem – a Voyager 1 transporta no seu interior fotos, sons e dados sobre a Terra compilados por um comité chefiado por Carl Sagan. Da 5ª Sinfonia de Beethoven ao rock & roll, passando por sons da natureza e pequenos depoimentos de políticos, como os então Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e Kurt Walddeim, Secretário-Geral das Nações Unidas, e ainda mensagens em 55 línguas.

Os cientistas chegaram agora à conclusão de que a Voyager 1 tinha deixado o sistema solar ao analisarem os dados recolhidos pela antena de ondas plasma da sonda e ao verificarem uma alteração significativa da densidade de plasma à sua volta. Os cientistas analisaram “muito cuidadosamente” os dados recebidos até chegarem a um consenso: a Voyager 1 é o primeiro instrumento feito pelo Homem a deixar o Sistema Solar.

Pode saber mais sobre a odisseia da Voyager 1 – comparada pelos cientistas à primeira viagem à volta do mundo – no site da Nasa.

Foto: NASA


7 comentários em Voyager 1 deixa sistema solar: para o infinito e mais além

  1. A Voyager 1 teve seu papel também no cinema, particularmente na ficção científica. Seja em Jornada nas Estrelas – O Filme, seja em Starman – o Homem das Estrelas.

    Em Jornada nas Estrelas – O Filme, após ter deixado o sistema Solar, a Voyager havia encontrado uma civilização cujos habitantes eram máquinas, e que a consideraram como um indivíduo da mesma espécie, sendo consertada e melhorada, tornando-se consciente. A Voyager então decidiu buscar seu criador, refazendo o caminho que tinha em sua memória e causando transtorno quando chegou ao seu objetivo, por achar que seu Éden estava infectado por formas base-carbono que (na sua opinião) lhe impediam de chegar a quem a criara.
    As letras inscritas no “corpo” da Voyager ainda existiam, embora estivessem parcialmente ocultas pela ação do tempo, de forma que ela se identificava como VGER. Foi quando o capitão Kirk e sua tripulação compreenderam de quem se tratava que foi possível permitir que a Voyager realizasse o encontro que ansiava, em um desfecho transcendente.

    Já em Starman – o Homem das Estrelas, um pesquisador alienígena havia encontrado a Voyager e todo o conteúdo cultural presente na mesma, inclusive noções básicas do inglês e saudações em diversas línguas. Ele aceitou o convite e, utilizando o DNA dos fios de cabelo de um homem já morto (cujo nome era Scott Hayden), ele se tornou humano (condição que poderia manter por alguns dias).
    No entanto havia percebido a hostilidade desde que sua nave foi avistada e abatida, precisando retornar. Enviou então uma mensagem aos seus semelhantes. Porém o ponto de encontro, no Arizona, era distante e precisava de ajuda para se deslocar até o mesmo (e desvencilhar-se do governo, que lhe perseguia). Jenny Hayden (viúva de Scott Hayden), mesmo sentindo-se ameaçada pelo alienígena a princípio, passou a confiar nele com o passar do tempo. Ela e outras pessoas o ajudaram a chegar ao Arizona, de onde pôde então partir em segurança.

  2. José Emílio Miranda de Figueiredo

    Carl Sagan was THE best writer and “scientist”before LEONARD and EINSTEiN in my opinion CARL SAGAN must been forever reminded …José Figueiredo

    • Genesis costa

      A voyagem 1 , conforme estimativa só chegara próximo a um planeta daqui a 36.000 mil anos e a terra , ja estará destruída pelo homem.

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