TecheNet
  • Mobile
  • Tech
    • AUTOMÓVEIS
    • MOBILIDADE ELÉTRICA
    • IMAGEM & SOM
    • ENTREVISTAS
  • Gaming
  • IA
  • Opinião
  • Segurança
  • Negócios
    • EMPRESAS
    • CRIPTOMOEDAS
    • MARKETING
  • Mais
    • ARTE E CULTURA
    • DICAS
    • LIFESTYLE
    • DIREITOS COM CAUSA
    • INTERNET
    • GUIAS
    • PROMOÇÕES
    • REVIEWS
    • SUSTENTABILIDADE
    • TUTORIAIS
Sem resultados
Ver todos os resultados
TecheNet
Sem resultados
Ver todos os resultados

Ferro suspenso no ar pode ter ajudado a causar eras glaciais

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
22/03/2014
Em Ciência
Do pó vieram... : poeira rica em ferro (em vermelho, à esquerda da imagem), partindo da patagônia, cai sobre o oceano, onde alimenta micro-organismos que retiram dióxido de carbono da atmosfera. Crédito: nasa/goddard space flight center, william  putman e arlindo da silva

do pó vieram… : poeira rica em ferro (em vermelho, à esquerda da imagem), partindo da patagônia, cai sobre o oceano, onde alimenta micro-organismos que retiram dióxido de carbono da atmosfera. Crédito: nasa/goddard space flight center, william putman e arlindo da silva

 

 

 

 




No final dos anos 1980, sugeriu-se que a adição de compostos químicos solúveis contendo ferro poderia fazer dos oceanos verdadeiras plantações de fitoplâncton, micro-organismos aquáticos capazes de realizar a fotossíntese. Já foi proposto que este fenômeno, conhecido como fertilização com ferro, tenha ocorrido naturalmente e ajudado a provocar as eras glaciais, hipótese reforçada pela recente análise de amostras cilíndricas de sedimentos do leito do mar da costa sudoeste da África do Sul por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia em Zurique (ETH Zürich), Suíça.

Em artigo publicado na Science, a equipe de trabalho descreve como os baixos níveis de nitrogênio observados nos cilindros amostrais podem ter influenciado na redução do nível de dióxido de carbono atmosférico e, consequentemente, na diminuição da temperatura média do globo, durante o último período glacial, cujo pico de glaciação se deu há cerca de 22 mil anos.

A teoria da fertilização com ferro supõe que, durante as eras do gelo — quando o nível do mar permanece mais baixo e as regiões rasas, outrora cobertas pelo mar, são expostas —, sedimentos ricos em ferro secam e passam a compor a poeira que, carregada por fortes ventos, pode chegar à superfície do oceano. Lá, serviria de alimento ao fitoplâncton, notório sequestrador de carbono e base da cadeia alimentar oceânica. De fato, há 20 anos, o oceanógrafo John Martin, não envolvido no estudo atual, encontrou evidências ligando a queda dos níveis de dióxido de carbono atmosférico na última era glacial ao aumento nos níveis oceânicos de ferro.

De acordo com Alfredo Martínez-García, paleontólogo do ETH, estudos anteriores de sedimentos do fundo do mar haviam logrado correlacionar temporalmente a existência de uma poeira rica em ferro e os surtos de produtividade biológica em determinada região. Agora, a equipe de Martínez-García desenvolveu uma nova maneira de investigar sedimentos marinhos e analisou o material orgânico fossilizado das amostras.

Os pesquisadores procuraram esqueletos de uma espécie particular de micro-organismos que formam conchas, os foraminíferos, de fácil identificação. As conchas desses seres retêm pistas da sua dieta e, especificamente, do nitrogênio que teria sido ingerido por eles conforme o nitrato se dissolveu na água: quanto maior for o teor de nitrogênio observado em uma amostra, maior será a abundância da vida na água sobre a região de onde foi extraída a amostra.

Concluiu-se que os níveis de nitrogênio da amostra datada a carbono, que representava cerca de 160 mil anos de acúmulo de sedimentos, indicam uma forte ligação entre a quantidade de poeira depositada na região, a produtividade biológica na superfície do mar e a quantidade de nitrato consumida pelos foraminíferos. Esta cadeia de relações foi considerada válida durante os picos das últimas duas eras glaciais, diz Martínez-García, bem como durante outros períodos de um duradouro clima mais frio do que o habitual nos 160 mil anos abordados pelo estudo.

“Este é um artigo muito bom, um grande passo adiante no campo”, afirma Edward Boyle, especialista em geoquímica marinha do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A pesquisa não mediu diretamente a quantidade de ferro diluída na água através da poeira nas eras passadas, mas dá aos cientistas melhores condições de compreensão do papel desenvolvido pelos níveis de nitrogênio no passado, que impactam diretamente na ascensão, queda e fluxo da vida marinha.

A origem da poeira rica em ferro pode ter sido a costa leste da América do Sul, exatamente quando o nível do mar estava mais baixo, e o deserto da Patagônia, nos períodos interglaciais (intervalos entre períodos glaciais caracterizados por temperaturas médias mais elevadas), segundo Martínez-García. No entanto, a evidência química da fertilização descoberta pelo estudo responde por apenas metade da variação do gás carbônico verificada entre os períodos glaciais e interglaciais, ressalta Andrew Watson, cientista climático da Universidade de Exeter, Reino Unido. Assim, mesmo que a fertilização com ferro seja um fator a ser levado em conta em estudos climáticos, ela não explica totalmente as eras glaciais pelas quais a Terra passou.

Apesar de apoiar a teoria da fertilização, o estudo atual parece não dar espaço às pretensões de se jogar ferro no oceano, a fim de que caiam os níveis modernos de dióxido de carbono no ar. Os cilindros amostrais indicam que levaria aproximadamente mil anos de aumento do montante de ferro na água para que ocorra um surto na população do fitoplâncton capaz de reduzir o nível de carbono atmosférico em apenas 40 partes por milhão (no primeiro semestre do ano passado, pesquisadores estimaram o nível atual em 400 partes por milhão).

Ademais, ainda é incerto que o carbono retirado da atmosfera será permanentemente trancafiado no leito do mar, um objetivo de alguns esforços de geoengenharia climática. Na realidade, estudos sugerem que as criaturas inseridas nos postos mais altos da cadeia alimentar responderiam ao aumento na quantidade de alimento disponível com um aumento na própria população, o que retornaria o carbono ao ecossistema graças à respiração.

Fontes: Science, Phys.org

Make-it-clear-brasilMake It Clear Brasil

Um apoio ao livre pensamento e a um entendimento do mundo baseado em evidências

Tags: atmosferafitoplânctonoceanoperíodo glacialpesquisadoresquímica
PartilhaTweetEnvia
Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

Artigos relacionados

Blue origin explosão
Espaço

Blue Origin: foguetão New Glenn explode em teste de rotina

29/05/2026
Mit cria fibras musculares artificiais sem motores para robótica
Ciência

MIT cria fibras musculares artificiais sem motores para robótica

10/04/2026
Artemis ii - lua (3)
Espaço

O Moon Shot da Apple e da Nikon: A Artemis II já orbita a Lua e as fotos são incríveis

09/04/2026

Comentários

Últimas notícias

Discord testa verificação de idade com cartões e Google Wallet

Huawei Watch Fit 5: Chegam novas ferramentas de saúde feminina

Prime Day antecipado: poupa 477 euros no iRobot Roomba Plus 505.

Xiaomi HyperOS 4: a lista de smartphones que vão receber a atualização

Ugreen lança carregador GaN de 65W ultra fino com três portas

Prime Day antecipado: Samsung Galaxy Watch Ultra com 325 euros de desconto

Samsung Galaxy S26 Ultra é o “Melhor do Teste”

Relatório de ciberameaças da INTERPOL revela escala industrial do cibercrime na Ásia

Novo trojan de acesso remoto ameaça ecossistema Android

Apple: O preço do iPhone 18 Pro pode assustar

Queda de preço no Xiaomi Pad 8 Pro: poupa mais de 150 euros

HP revela novo ecossistema de colaboração baseado em IA

ChatGPT fica mais inteligente na saúde com o novo GPT-5.5

Dataland: O primeiro museu de arte gerada por IA do mundo

Anthropic suspende modelos Fable 5 e Mythos 5 por ordem dos EUA

Más notícias: Disney+ perde Dolby Vision e filmes 3D na Europa

Adeus monopólio: UE quer forçar a Apple a abrir o iCloud

Google revela que 44% dos portugueses planeiam compras na Black Friday

Projetor portátil Nebula Mars 3 Air cai de preço: poupa 122 euros

Android 17: Um bug bizarro bloqueia o Wi-Fi nos smartphones Pixel

Techenet LOGO
  • Quem somos
  • Fale connosco
  • Termos e condições
  • Política de comentários
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • O uso de IA no TecheNet
Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Mobile
  • Tech
    • AUTOMÓVEIS
    • MOBILIDADE ELÉTRICA
    • IMAGEM & SOM
    • ENTREVISTAS
  • Gaming
  • IA
  • Opinião
  • Segurança
  • Negócios
    • EMPRESAS
    • CRIPTOMOEDAS
    • MARKETING
  • Mais
    • ARTE E CULTURA
    • DICAS
    • LIFESTYLE
    • DIREITOS COM CAUSA
    • INTERNET
    • GUIAS
    • PROMOÇÕES
    • REVIEWS
    • SUSTENTABILIDADE
    • TUTORIAIS

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.