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É homem ou mulher? Odores corporais podem influenciar resposta sexual humana

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
02/05/2014 - Atualizado a 15/10/2015
Em Ciência

A pesquisadora Wen Zhou, psicóloga da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, e seus pares analisaram dois fluidos corporais que julgaram, apoiados em estudos prévios, possíveis feromônios humanos, e concluíram que ambos são capazes de provocar respostas distintas em homens e mulheres.

Apesar de a maior parte dos humanos não possuir o órgão vomeronasal — um grupo de neurônios localizado nas bases das narinas dos animais que lhes permite a percepção de feromônios —, os cientistas empreenderam uma busca por exemplos de feromônios que os humanos podem captar. As substâncias escolhidas para os testes foram a androstenediona, esteroide associado ao corpo masculino e o estratetraenol, associado às mulheres. O objetivo da pesquisa era descobrir se esses compostos enviam sinais de gênero a quem os sente.

Acredita-se que a androstenediona (andro), presente no suor masculino e no sêmen, melhore o ânimo e a disposição das mulheres; enquanto o estratetraenol (estra), encontrado fundamentalmente na urina da mulher, provoque a excitação masculina. Nenhum dos esteroides tem fragrância reconhecível, embora seja possível que o nariz humano os perceba e, para que sejam considerados feromônios, esses compostos precisam moldar a forma como as pessoas veem os gêneros.

Confie no olfato

Zhou e sua equipe trabalharam com 96 cobaias, metade mulher e metade homem. Além disso, metade dos participantes se antoidentificou como heterossexual e metade como homossexual ou, no caso de algumas participantes, bissexual. Em seguida, de acordo com artigo publicado no periódico Current Biology, os pesquisadores lhes apresentaram figuras humanas caminhando, mas com uma particularidade: cabeça, pelve, e as principais articulações do corpo humano foram substituídas por pontos em movimento. Com um simples reposicionamento dos pontos, os autores eram capazes de fazer a figura se parecer mais feminina, masculina ou andrógina. Então, exigiu-se que os participantes avaliassem se as figuras representavam homens ou mulheres.

Depois do julgamento inicial, os participantes viram mais figuras caminhando, porém, desta vez, foram expostos a uma solução aromática que continha (a) estra, (b) andro, ou (c) apenas essência de cravos.

Os resultados da nova avaliação dependeram da sexualidade dos indivíduos. Homens heterossexuais eram mais propensos a julgar feminina uma figura de gênero neutro quando expostos ao estratetraenol; de forma análoga, mulheres heterossexuais consideraram masculinas mais figuras neutras quando expostas à androstenediona. Homens homossexuais responderam à andro de maneira muito semelhante à das mulheres heterossexuais. Por outro lado, os compostos não parecem ter afetado as mulheres homo e bissexuais.

Ao todo, o julgamento de gênero dos homens e das mulheres heterossexuais foi enviesado, em média, em 8%, indicando que os humanos podem utilizar sinais químicos para reconhecer possíveis parceiros sexuais.

Cedo demais

Embora o trabalho de Zhou represente um avanço no campo da influência do olfato sobre o comportamento humano, a pesquisadora reconhece não ser possível hoje afirmar que os compostos químicos estudados são feromônios. “É muito importante examinar os efeitos de esteroides em concentrações mais ecologicamente relevantes”, diz, atentando para o fato de que os participantes do experimento foram expostos a concentrações muito mais elevadas do que as secretadas naturalmente pelas pessoas.

Outro problema da hipótese de que andro e estra se tratem de feromônios diz respeito à ausência de um mecanismo conhecido através do qual os humanos possam detectar e responder aos esteroides. Ademais, a androstenediona também está presente nas mulheres, e o estratetraenol só foi encontrado na urina de mulheres grávidas e nas placentas, tornando necessários novos estudos para que se possa asseverar a real influência de cada substância sobre indivíduos de cada gênero.

Será mesmo que nossos narizes podem nos falar tanto sobre o comportamento sexual humano quanto a atração por um olhar sedutor ou um rosto bonito?

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Tags: Cientistascomportamentoferomôniosnarizseres humanos
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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