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Web2 vs. Web3: como será o futuro da Internet?

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
01/10/2022
Em Internet

Embora a versão atual da Internet, Web2, seja utilizada por milhões de pessoas, não está isenta de falhas. Questões relativas à propriedade de dados, censura e segurança continuam a assolar a Internet, estimulando a conceptualização de uma nova e melhorada versão chamada Web3.

Web2 vs. Web3: como será o futuro da internet?

Esta futura Internet procura incluir tecnologias como a blockchain, a inteligência artificial (IA), e a realidade aumentada (RA). No seu cerne, uma Web3 ideal deveria oferecer benefícios como a posse de dados e a confidencialidade – uma versão melhorada da Web2; mas o que é exatamente – e é melhor? É sobre isso que iremos falar neste artigo da Binance Academy.

Introdução

A World Wide Web, também conhecida simplesmente como a Internet ou a Web, mudou drasticamente desde que foi introduzida ao mundo pela primeira vez como Web1. À medida que as tecnologias melhoram e as exigências dos utilizadores evoluem, não é surpresa que a Web se tenha também transformado.

A Web1 permitiu o consumo de conteúdo e a interação simples. A Web2, parcialmente moldada pela explosão de smartphones e acesso móvel à Internet, permitiu aos utilizadores consumir e criar o seu próprio conteúdo.

Agora, surgiu um novo conceito de uma futura Web conhecida como Web3. Espera-se que esta nova iteração da Internet permita aos utilizadores não só consumir e criar conteúdos e dados, mas também possuí-los.

Uma breve história da Web

Embora a web tenha visto inúmeras mudanças ao longo dos anos, as suas duas fases principais podem ser classificadas como Web1 e Web2.

Web1. A Web1, também conhecida como Web 1.0, é a Internet original. Era composta por páginas de HTML estático – a linguagem da Web na altura – que mostravam informação online. A Web1 funcionava numa infraestrutura totalmente descentralizada em que qualquer pessoa podia alojar um servidor, construir aplicações e publicar informação sem que os “gatekeepers” a censurassem. Os utilizadores da Web1 podiam procurar informação na rede através de navegadores web (“browsers”).

Desvantagens da Web1. Infelizmente, não havia maneira de as pessoas mudarem a informação e havia poucas oportunidades de interação com outros. Os utilizadores só podiam comunicar através de simples mensageiros de chat e em fóruns. Como tal, os utilizadores interagiam com a Web1 principalmente como observadores e não como participantes.

Web2

Ao contrário da Web1, a atual iteração da Internet é centralizada, focada na criação de conteúdos e largamente monopolizada por grandes e bem-sucedidas empresas tecnológicas.

No final dos anos 90, bases de dados, processamento do lado do servidor, formulários e redes sociais formaram coletivamente uma Internet mais interativa conhecida como Web2, ou Web 2.0. Esta é a versão atual da Internet, um campo de jogos para a criação de conteúdos. Quer sejamos um aspirante a escritor, fotógrafo ou “influencer”, podemos facilmente criar e mostrar o nosso trabalho ao mundo na Web2.

Provedores de serviços como o WordPress e o Tumblr oferecem às pessoas uma plataforma para criar conteúdos, enquanto empresas de redes sociais como o Facebook e o Twitter permitem às pessoas ligarem-se e comunicarem com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Adicionalmente, o acesso à Internet móvel e a popularização dos smartphones permitem a qualquer pessoa consumir conteúdo facilmente.

As empresas centradas na Web2 colheram os benefícios desta revolução da Internet. Para além dos lucros, as empresas também construíram uma grande base de dados de utilizadores. Empresas maiores como o Google e o Facebook compraram mais pequenas, acumulando uma rede global central de utilizadores e os seus respetivos dados.

Desvantagens da Web2

Desde o advento da Web2, as grandes empresas de Internet perceberam que podem utilizar os dados dos utilizadores para os manter nos seus respetivos ecossistemas. Ao produzir anúncios direcionados para os consumidores ou ao impedir a comunicação entre diferentes plataformas, os utilizadores estão frequentemente inclinados a continuar a utilizar os seus serviços.

Nos últimos anos, questões éticas como censura, rastreamento e propriedade dos dados têm ganho a atenção de muitos utilizadores da Internet. Ironicamente, os dados dos utilizadores parecem pertencer a empresas na Web2 em vez de pertencerem aos próprios utilizadores. Vimos casos de controlo de dados injusto, em que os utilizadores tiveram as suas contas fechadas depois de violarem inconscientemente as diretrizes da comunidade interna da plataforma. Nos anos 2010, a notícia da falha do Facebook em proteger os dados dos seus utilizadores desencadeou uma indignação global sobre os dados pessoais recolhidos sem o consentimento dos utilizadores.

Para resolver estes problemas, alguns apresentaram uma solução que combina os benefícios da Web1 e da Web2: descentralização e participação dos utilizadores. Embora não seja concreto, os conceitos centrais desta versão da Internet, conhecida como Web3, já estão, em grande parte, definidos.

O que é a Web3?

Se olharmos para os problemas atuais da Web2, a Web3 é o próximo passo lógico para melhorar a Internet para os utilizadores. Ao aproveitar tecnologias peer-to-peer (P2P) como a blockchain, a realidade virtual (VR), a Internet das Coisas (IoT) e o software de código aberto, a Web3 pretende diluir o poder detido por grandes empresas Web2. Com a descentralização, os utilizadores podem, assim se espera, retomar o controlo do seu conteúdo e a propriedade dos seus dados.

Principais características da Web3:

• Descentralizada: Como se destina a enfrentar a raiz do problema da Web2, ou seja, a centralização, a descentralização é naturalmente um fator crítico para o sucesso da Web3. Para além de devolver o controlo de dados aos utilizadores, as empresas teriam de pagar para aceder aos seus dados. A descentralização tornaria os pagamentos criptográficos nativos acessíveis a qualquer pessoa, e eliminaria a necessidade dos caros intermediários na infraestrutura de pagamentos tradicional da Web2.

• Sem permissões (“permissionless”): Em vez de algumas grandes entidades controlarem a participação ou proibirem a comunicação entre plataformas, qualquer pessoa pode interagir livremente com outras na Web3.

• Sem confiança (“trustless”): A rede Web3 é baseada na ideia de que os utilizadores podem participar sem terem de confiar em nada a não ser na própria rede.

Estes ideais serão suportados em grande parte pela blockchain e pelo ecossistema cripto.

Potenciais benefícios da Web3

• Aumento da segurança dos dados. Dados mantidos por gigantes tecnológicos em bases de dados centralizadas são vulneráveis, pois os hackers precisariam de aceder apenas a um sistema para comprometer os dados dos utilizadores. Com soluções descentralizadas para armazenar e gerir dados, a informação privada pode ser guardada de forma mais segura.

• Verdadeira propriedade dos dados. Sendo um dos focos da Web3 a propriedade dos dados, os utilizadores poderão recuperar o controlo dos seus dados e até monetizá-los, se assim o desejarem.

• Controlo sobre a verdade. Sem um poder central, os utilizadores não serão sujeitos a censura injusta. Sem o poder da censura ou a capacidade de apagar conteúdos específicos, será significativamente mais difícil para as grandes empresas controlarem a narrativa de qualquer discurso.

Mas existem outros benefícios potenciais que tornam a Web3 superior às suas antecessoras, entre eles:

• Liberdade financeira. A Web3 irá empoderar os utilizadores, permitindo-lhes consumir, criar e possuir os seus conteúdos e dados. E porque a Web3 é baseada em tecnologia blockchain, os utilizadores poderão aceder facilmente a ecossistemas que facilitam finanças descentralizadas (DeFi) e outras ferramentas para alcançar a liberdade financeira. 

• Interações sociais melhoradas. Tal como as suas antecessoras, a Web3 continuará a incorporar tecnologias que emergem a partir da tecnologia blockchain. Por exemplo, a realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e inteligência artificial (IA) podem adicionar elementos digitais às aplicações Web3 para melhorar as interações sociais online.

Já estamos a ver um exemplo na forma do metaverso, um universo virtual 3D que os utilizadores podem explorar usando avatares. Através de espaços imersivos como o metaverso, os utilizadores podem socializar online, comprar terrenos virtuais, jogar e até mesmo trabalhar remotamente.

Pensamentos finais

Web2 versus Web3 pode ser algo entendido como uma variação do antigo debate “centralizado versus descentralizado”. Como a Web3 ainda não se materializou, a sua suposta superioridade em relação à Web2 ainda não está provada.

No entanto, com a sua infraestrutura descentralizada, a Web3 pode potencialmente enfrentar os escândalos relacionados com a proteção e propriedade dos dados que vimos com a Web2, e devolver o controlo aos utilizadores.

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Tags: "World Wide Web"Binanceinternet~webWeb1Web2
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, fundou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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