A Samsung está a viver um momento, no mínimo, caricato neste primeiro trimestre de 2026. Enquanto a divisão de semicondutores da gigante sul-coreana regista lucros astronómicos impulsionados pela febre da inteligência artificial, a divisão mobile está a sangrar dinheiro de forma preocupante.
Para teres uma ideia da dimensão da queda, a secção de telemóveis registou um prejuízo operacional de 700 mil milhões de won, o equivalente a cerca de 500 milhões de dólares. É um rombo incrivelmente surpreendente para uma marca que domina o mercado global com os seus cobiçados smartphones Galaxy.
O grande culpado desta derrapagem? Ironicamente, é o aumento brutal dos preços das memórias que está a encarecer agressivamente os custos de produção, devorando as margens de lucro dos telemóveis a uma velocidade assustadora.

Inteligência artificial salva a divisão de chips
Se o departamento de smartphones está com grandes dores de cabeça, a divisão de semicondutores da Samsung tem todos os motivos para celebrar. O lucro operacional desta secção saltou umas impressionantes 250 vezes em relação ao ano passado, ultrapassando a barreira dos 61 mil milhões de dólares.
Este crescimento brutal deve-se quase exclusivamente à enorme procura por chips de memória, que está a ser sugada pelas empresas focadas em construir massivos data centers de IA. Com gigantes tecnológicos sedentos por componentes de topo, a Samsung encontrou aqui uma verdadeira mina de ouro, salvando as contas gerais da fabricante.
Escassez de memórias e o futuro dos preços
O panorama atual, muitas vezes apelidado pelo mercado como o verdadeiro “RAMpocalypse”, não mostra sinais de abrandar tão cedo. A procura insaciável por hardware para alimentar ferramentas de IA sugere que a escassez global de chips se pode arrastar facilmente até 2027 ou mesmo 2028.
Para garantir que não ficam sem componentes cruciais nos próximos anos, muitas empresas tecnológicas estão a tomar medidas drásticas. Entre as estratégias atuais para assegurar componentes junto da Samsung, destacam-se as seguintes abordagens:
- Assinatura de contratos de fornecimento longos, habitualmente com a duração de cinco anos.
- Obrigatoriedade de pagamentos adiantados elevados no momento de fechar o acordo.
- Estabelecimento de preços mínimos garantidos para proteger a fabricante caso o mercado colapse de forma inesperada.
- Aumento do foco na produção de chips HBM avançados para satisfazer clientes pesados, como a Nvidia e a AMD.
Com uma nova fábrica no Texas quase pronta a arrancar e as rivais da indústria cada vez mais ativas, a Samsung espera agora triplicar as receitas com os chips HBM já no próximo trimestre. Resta apenas saber se a divisão mobile vai conseguir adaptar-se a esta nova realidade inflacionada, ou se os lucros surreais dos chips terão de continuar a tapar os buracos criados pela produção dos smartphones da marca.
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