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O projeto de US$55 milhões da Netflix que nunca viu a luz do dia

Ana Laura Ferreira por Ana Laura Ferreira
28/11/2023
Em Arte e Cultura, Notícias, Séries e Filmes

A intrigante saga de Carl Rinsch com a Netflix revela um projeto de ficção científica de US$55 milhões que nunca viu a luz do dia. Após ignorar sinais de alerta, o streaming enfrenta as consequências de uma aposta milionária em um diretor problemático.

Em 2018, durante o auge do streaming, o diretor de “47 Ronin”, Carl Erik Rinsch, atraiu a atenção de grandes estúdios para sua série de ficção científica. 

Após um leilão disputado, a Netflix ganhou o projeto, o que desencadeou uma saga de desastres. 

Descubra como a gigante do streaming queimou US$55 milhões em uma produção que nunca saiu do papel.

Tela de televisão com a abertura da netflix
Imagem: thibault penin via unsplash

Aposta arriscada na ficção científica de Rinsch

Com a explosão de programas de TV, a competição entre estúdios foi acirrada em busca de novos conteúdos. 

Em meio a esse frenesi, a série de ficção científica de Rinsch ganhou destaque. No entanto, o diretor, conhecido por desavenças em “47 Ronin“, não seria a escolha óbvia. 

A Netflix, que na época estava em busca de um investimento pesado, garantiu o projeto após uma competição acirrada.

O acordo entre Rinsch e a plataforma envolveu uma soma impressionante de US$61,2 milhões e cláusulas peculiares, como a concessão do corte final ao diretor. 

Ao ignorar sinais de alerta, como conflitos passados ​​e a ausência de um roteiro completo, a Netflix iniciou uma jornada tumultuada com o diretor.

Com a pressão do streaming para dar continuidade ao projeto, Rinsch seguiu com a produção dos episódios da série, que foi nomeada de “Conquest”, em São Paulo, Brasil, seguida por Montevidéu, Uruguai e Budapeste.

Durante as filmagens em São Paulo, um representante do sindicato local da indústria cinematográfica visitou o set em resposta a uma denúncia. 

O sindicato recebeu informações de que Rinsch estava “maltratando a equipe” por meio de “gritos”, “xingamentos” e “irritação excessiva”, conforme indicado em uma carta enviada pelo representante. 

A Netflix foi notificada do problema e abordou a questão diretamente com Rinsch, de acordo com uma fonte do NY Times que é familiarizada com o assunto.

Despesas extravagantes e comportamento errático

Após a assinatura do contrato, o comportamento de Rinsch tornou-se errático ao alegar que havia descoberto um mecanismo secreto de transmissão da Covid-19 e ser capaz de prever a queda de raios. 

Ele investiu milhões em ações e criptomoedas, adquirindo uma frota de Rolls-Royces, uma Ferrari e despesas luxuosas. 

A saga culminou em uma intervenção, quando a Netflix, em meio à pandemia, injetou mais de US$11 milhões no projeto.

Rinsch transferiu parte do novo financiamento para investimentos arriscados, e perdeu milhões. 

A produção, já tumultuada, chegou ao colapso quando a Netflix, preocupada com o comportamento do diretor, encerrou o financiamento em 2021. 

“Depois de muito tempo e esforço, ficou claro que Rinsch nunca iria concluir o projeto que concordou fazer, então descartamos o projeto”, afirmou Thomas Cherian, porta-voz da Netflix ao New York Times.

Rinsch alegou violação contratual, o que desencadeou um processo confidencial.

Imagem do app da netflix para smartphone
Imagem: souvik banerjee via unsplash

Uma indústria em transformação e o futuro incerto

Essa saga se desenrolou em um momento crucial, com Hollywood sob pressão para conter gastos e focar em lucros sustentáveis. 

À medida que a Netflix e a Rinsch travam uma batalha legal, a indústria do entretenimento enfrenta desafios, os quais questionam a priorização de grandes orçamentos em detrimento da qualidade e estabilidade.

A história da série de Rinsch é um lembrete dos riscos do boom do streaming e da necessidade de equilibrar ambições criativas com gestão responsável. 

À medida que Hollywood busca um caminho sustentável, casos como este moldam o futuro da indústria do entretenimento.

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Ana Laura Ferreira

Ana Laura Ferreira

Graduada em Jornalismo pela UNESP (2022), é especialista em Marketing Digital, com foco em SEO e Comportamento do Consumidor. Apaixonada por cultura e por suas possibilidades de ação dentro da sociedade, participa ativamente de diversos projetos focados em crítica e estética cultural.

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