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2023 em revista: o ano em que conhecemos a Inteligência Artificial generativa

Jorge Montez por Jorge Montez
27/12/2023
Em Inteligência Artificial

2023 foi o ano em que a Inteligência Artificial generativa entrou no léxico comum. Todos temos, pelo menos, uma pequena noção do que se trata.

Inteligência artificial generativa
Imagem criada por ia

Termos como ChatGPT, chatbot ou OpenAI podem cair hoje em qualquer conversa e poucos serão os que lhes ficarão indiferentes. A inteligência Artificial generativa entrou definitivamente no nosso dia a dia ou, pelo menos, no nosso mundo.

Esta é daquelas tecnologias disruptivas e rapidamente não nos lembraremos de como funcionávamos antes da sua existência. Ainda está a dar os primeiros passos da sua democratização, mas daqui por uns anos poderá ser semelhante ao dos smartphones. Alguém se lembra de como era a vida antes de termos estes potentes computadores no bolso? E para aqueles que nunca viveram a vida de outra forma, imaginam o que era procurar algo, telefonar para um amigo ou chegar a um local desconhecido sem o smartphone?

Com a Inteligência Artificial generativa acontecerá certamente o mesmo, é essa a nossa previsão, e muito por culpa de uma empresa sem fins lucrativos e do ChatGPT

O boom da Inteligência Artificial generativa

O ChatGPT foi lançado em novembro de 2022 e um mês depois tinha já 1 milhão de utilizadores. Mas a sua popularidade explodiu verdadeiramente em janeiro de 2023, quando alcançou o impressionante número de 100 milhões de utilizadores, um número que continua em crescendo.

As vantagens e desvantagens da utilização da Inteligência Artificial generativa inflamaram os debates, com os defensores do maravilhoso mundo novo a oporem-se ferozmente aos que advogam que a IA vai acabar por destruir a humanidade. Como sempre neste tipo de debates, a verdade estará algures no meio.

Os estudantes foram dos primeiros a perceber as vantagens da utilização da Inteligência Artificial generativa e os professores começaram a queixar-se de receberem trabalhos escritos pela IA. A utilização do ChatGPT chegou mesmos a ser proibida por escolas e universidades.

Mas muitas delas voltaram atrás depois de melhor se perceber o funcionamento do ChatGPT e, no começo do ano letivo, a ferramenta voltou a ser permitida, com as universidades – nomeadamente – a terem em conta que é preciso saber dar os comandos certos à Inteligência Artificial generativa para que ela faça o seu trabalho. E para se dar os comandos certos é preciso estar-se por dentro dos assuntos e, consequentemente, tê-los estudado.

A Microsoft e os outros

A Microsoft foi o primeiro gigante da tecnologia a ver a oportunidade de negócio que era a Inteligência Artificial generativa e apostou forte na empresa que parecia estar em melhores condições de criar um modelo competitivo.

A injeção de dinheiro – mais de 10 mil milhões de dólares – na OpenAI permitiu o desenvolvimento do ChatGPT e o seu lançamento com o sucesso que se conhece.

Apenas dois meses depois, o ChatGPT era integrado no Bing, o motor de pesquisa da Microsoft que, num ápice, chega ao número redondo de 100 mihões de utilizadores ativos por dia, o que nunca tinha atingido anteriormente.

A Microsoft ganhou o momentum e tornou a integração com a IA transversal aos seus produtos, incluindo o Office, enquanto os seus rivais parecem ter acordado tarde para o fenómeno.

A Google lançou o Bard a meio do ano e a Meta, dona do Facebook e Instagram, também está a desenvolver a sua própria IA. A Microsoft leva uma vantagem crucial neste jogo mas, como dizem os treinadores de futebol, só no final do campeonato é que se vê como ficam as coisas.

A revolução na OpenAI

Neste ano de 2023, a IA nunca nos parou de surpreender, de tal forma que hoje não podemos confiar numa imagem ou num vídeo, por muito reais que pareçam. Contudo, os especialistas têm dito que a Inteligência Artificial não passa de uma ferramenta.

Mas em novembro, os alarmes tocaram na OpenAI. A desenvolvedora do ChatGPT viveu um fim de semana tumultuoso com o despedimento de Sam Altman, o seu CEO, a uma sexta-feira, e o seu regresso em ombros na terça-feira. Pelo meio, a quase totalidade dos mais de 700 funcionários da OpenAI disse numa carta-aberta que seguiria Altman para a Microsoft e o conselho de administração que o tinha despedido resignou.

Mais tarde, o véu foi um pouco levantado sobre estes dias agitados e, ao que parece, na origem estará um desenvolvimento na IA que poderá ameaçar a humanidade. O projeto Q* (QStar) é considerado preocupante por poder ser o primeiro pequeno passo em direção à Inteligência Artificial Geral e levou investigadores da OpenAI a alertarem o conselho de administração.

Alertado, os administradores terão confrontado Altman e não terão gostado das respostas, tomando a decisão de o despedir. O resto é história.

Para lá de 2023

A IA generativa impôs-se em 2023 definitivamente.

Inteligência artificial generativa
Imagem gerada por ia

De acordo com o próprio ChatGPT, “a inteligência artificial generativa é uma forma de IA que usa algoritmos para criar conteúdo novo e original, como textos, imagens, vídeos, músicas, etc. A ideia é que a IA aprenda com os dados existentes e produza algo que seja semelhante, mas não idêntico, ao que já foi feito. Um exemplo de inteligência artificial generativa é o ChatGPT, um chatbot que pode conversar sobre qualquer tema com os utilizadores, usando um modelo de linguagem natural treinado com milhões de textos da internet.”

Daqui para a frente, apenas uma certeza: a Inteligência Artificial generativa está a evoluir exponencialmente e vai ter um cada vez maior impacto em muitos setores da economia.

De acordo com a Gartner, dentro de um ano, a IA generativa será responsábel por 10% de todos os dados produzidos e 30% dos fabricantes utilizá-la-ao no desenvolvimento de produtos.

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Jorge Montez

Jorge Montez

é um dos fundadores do TecheNet, juntamente com Alfredo Beleza. Jornalista freelance, colaborou com conteúdos multimédia para alguns dos principais média portugueses. Foi redator, repórter e editor de jornais nacionais. Vencedor do Prémio Jornalismo / Média 2017 da Associação Portuguesa de Museologia

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