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Google ponderou atitude nobre na Play Store, mas preferiu encher os bolsos

Vitor Urbano por Vitor Urbano
27/12/2023
Em Google

Recentemente, a Google enfrentou críticas devido à taxa de 30% cobrada na Play Store, o que gerou debates intensos sobre a justiça dessa política. Essa taxa é aplicada a cada transação realizada em dispositivos com o sistema operativo Android, afetando todos os desenvolvedores que vendem suas aplicações.

Embora a Google defenda que as taxas são justificadas pela infraestrutura e alcance que proporcionam, a prática levantou questões sobre monopólio e justiça.

Google play store taxas

Um dos críticos mais vocais dessa política foi a Epic Games, a empresa por trás do popular jogo Fortnite. Num movimento audacioso, a Epic ofereceu aos seus jogadores a possibilidade de realizar compras dentro do jogo por um preço mais baixo, evitando as taxas da Play Store. Isso, no entanto, levou à exclusão do Fortnite da Google Play Store, subsequentemente, a uma batalha legal entre a Epic e a Google.

‘Projeto Everest’: a tentativa de mudança da Google

Em resposta a essas pressões, a Google iniciou um projeto interno denominado ‘Projeto Everest’, que visava explorar a possibilidade de reduzir a taxa cobrada aos desenvolvedores. Este projeto foi uma reação direta ao aumento do escrutínio regulatório e ao medo de uma possível intervenção legislativa mais severa. A intenção era posicionar a Google como uma líder proativa, capaz de se adaptar e evitar legislações mais rigorosas.

Contudo, internamente, a Google decidiu manter a taxa de 30%, uma decisão motivada pela preocupação em perder milhares de milhões de euros em receitas anuais.

A estimativa era de que uma redução na taxa resultaria em perdas de aproximadamente 1 a 2 mil milhões de euros em receitas de aplicações e entre 6 a 9 mil milhões de euros em receitas de jogos anualmente.

Alternativas e possíveis consequências a longo prazo

A Google ponderou outras opções, como permitir que os desenvolvedores de aplicações gerissem os seus próprios processos de pagamento, o que reduziria as receitas da Play Store em 250 milhões a 1,3 mil milhões de euros por ano. Esta opção apresentava-se como um compromisso mais aceitável comparado à potencial perda de quase 11 mil milhões de euros.

Após o veredicto no caso Epic versus Google, a empresa pode ser forçada a implementar mudanças significativas na Play Store. Uma das mudanças possíveis é permitir que os clientes escolham processar os pagamentos de aplicações através da Google ou de uma empresa externa indicada pelo desenvolvedor da aplicação.

Este cenário coloca a Google num ponto de viragem, onde terá de equilibrar as pressões regulatórias com os seus próprios interesses financeiros. A decisão final ainda está por vir, mas uma coisa é certa: o mundo da tecnologia está atento às próximas jogadas da Google nesta arena complexa e sempre em evolução.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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