O Huawei Mate 90 Pro Max leva o Kirin 9050 Pro e a arquitetura LogicFolding à principal família de smartphones da marca chinesa. A tecnologia reorganiza partes do circuito em três dimensões para aumentar a densidade e o desempenho sem depender exclusivamente dos processos de fabrico mais avançados.

O modelo integra a série Huawei Mate 90, apresentada na China com quatro smartphones e HarmonyOS 7. Dentro da nova gama, o Pro Max concentra algumas das principais novidades técnicas, incluindo a família Kirin 9050 e a aposta da Huawei numa arquitetura criada para reduzir parte da desvantagem provocada pelas restrições no acesso à tecnologia de produção de semicondutores.
Kirin 9050 Pro usa arquitetura LogicFolding
A LogicFolding não estreou no Mate 90 Pro Max. A Huawei já tinha utilizado a tecnologia no Kirin 9050 Pro do Mate XT 2, apresentado em setembro de 2026. A novidade está agora na chegada da arquitetura à principal linha de smartphones convencionais da fabricante.
Em vez de depender apenas da redução das dimensões dos transístores, a LogicFolding reorganiza as ligações internas do processador em três dimensões. A abordagem permite aumentar a densidade do circuito e reduzir algumas das distâncias percorridas pelos sinais dentro do chip.
Segundo a Huawei, esta estratégia permite obter mais desempenho com processos de fabrico menos avançados. Os resultados apresentados pela empresa devem, contudo, ser distinguidos de testes independentes.
A importância da arquitetura está diretamente relacionada com as limitações que a Huawei enfrenta na produção de semicondutores.
LogicFolding procura compensar limitações no fabrico
As restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos limitam o acesso da Huawei e da indústria chinesa às máquinas de litografia EUV utilizadas na produção dos chips mais avançados.
A China continua dependente de sistemas de litografia DUV para este tipo de produção, segundo a Reuters. Richard Yu, responsável pelo negócio de consumo da Huawei, reconheceu também que a capacidade chinesa para fabricar semicondutores avançados permanece limitada.
A LogicFolding procura contornar parte desta diferença através do desenho do circuito, mas não elimina o problema industrial. A arquitetura acrescenta complexidade ao processo de fabrico e exige uma maior utilização de silício, o que aumenta a pressão sobre uma capacidade produtiva já condicionada.
Os processadores Kirin são geralmente associados à SMIC, embora nem a Huawei nem a fabricante chinesa tenham confirmado publicamente a produção do Kirin 9050 Pro.
Huawei aponta para mais 31% de desempenho
A Huawei afirma que o Mate 90 Pro Max oferece um aumento de 31% no desempenho global face à geração anterior.
O número resulta de testes da própria fabricante e não permite, por si só, avaliar aspetos como desempenho sustentado, consumo energético ou temperatura. Esses parâmetros dependerão de testes independentes ao equipamento.
A arquitetura LogicFolding ganha particular interesse neste contexto. Em vez de competir apenas através do processo de fabrico, a Huawei procura recuperar desempenho através da organização interna do chip.
Esta abordagem não torna o Kirin 9050 Pro diretamente equivalente aos processadores fabricados com os processos mais avançados do mercado. Mostra, porém, uma estratégia diferente para trabalhar dentro das limitações tecnológicas disponíveis.
Câmara: teleobjetiva sobe para 200 MP
O Huawei Mate 90 Pro Max utiliza um sistema fotográfico traseiro composto por uma câmara principal de 50 MP, uma ultra grande angular de 40 MP e uma teleobjetiva de 200 MP. A Huawei mantém ainda a terceira geração da câmara Red Maple, utilizada para melhorar a reprodução das cores.

A câmara principal recorre a um sensor RYYB, estabilização ótica e abertura variável entre f/1,4 e f/4,0. A Huawei associa-lhe uma gama dinâmica máxima anunciada de 18 EV, embora este seja um valor fornecido pela própria fabricante.
A principal diferença está na teleobjetiva de 200 MP. O módulo utiliza um sensor RYYB, abertura f/2,6 e estabilização ótica, além de suportar fotografia macro. O sistema oferece aproximadamente 4x de zoom ótico, 8x de zoom com qualidade ótica e zoom digital até 100x.
Na parte frontal, o smartphone combina uma câmara ultra grande angular de 13 MP com uma câmara 3D de profundidade. A gravação de vídeo pode atingir 4K tanto nas câmaras traseiras como na frontal.
A Huawei preparou ainda o Mate 90 Pro Max para funcionar com a câmara modular Ruiying Z10, um acessório vendido separadamente que acrescenta um sensor de uma polegada e ótica dedicada. A fabricante posiciona este módulo como extensão do sistema XMAGE para fotografia e vídeo.
Huawei Mate 90 Pro Max sobe para 9.999 yuan
O Huawei Mate 90 Pro Max com 16 GB de memória e 512 GB de armazenamento custa 9.999 yuan na China.
O valor representa um aumento de 2.000 yuan face à configuração equivalente da geração anterior no momento do lançamento.
Parte desta subida está relacionada com o aumento dos custos dos componentes. Richard Yu afirmou que os preços da memória acrescentaram, em média, cerca de 200 dólares ao custo de cada smartphone produzido pela Huawei.
O aumento mostra que a estratégia tecnológica da Huawei enfrenta dois tipos de pressão em simultâneo. A empresa procura reduzir a dependência de tecnologia estrangeira, mas tem de lidar com uma capacidade limitada para produzir semicondutores avançados e com custos superiores noutros componentes.
Os preços anunciados referem-se ao mercado chinês. A Huawei não informou, até ao momento, o lançamento do Mate 90 Pro Max noutras regiões do globo.
Outros artigos interessantes:




