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OpenAI vai lançar um “TikTok” onde tudo é gerado por IA

Vitor Urbano por Vitor Urbano
30/09/2025
Em Inteligência Artificial, Tecnologia

Até agora, as redes sociais têm sido um espelho, por vezes distorcido, da nossa realidade. Partilhamos vídeos das nossas férias, fotos dos nossos amigos, momentos do nosso dia a dia. A OpenAI, a empresa por trás do ChatGPT e do revolucionário gerador de vídeo Sora, está prestes a quebrar esse espelho. Foi anunciado que a empresa se prepara para lançar uma aplicação social independente que, à primeira vista, se parece e se comporta como o TikTok, mas com uma diferença fundamental e alucinante: nada do que vês é real.

A nova aplicação, alimentada pelo modelo de vídeo de nova geração Sora 2, será uma plataforma de vídeos verticais onde todo o conteúdo, sem exceção, é gerado por inteligência artificial. Não será permitido o upload de vídeos ou fotos pessoais. É uma aposta radical num futuro onde o entretenimento social não se baseia em partilhar a realidade, mas sim em criá-la a partir do nada com o poder de uma simples descrição de texto.

Como vai funcionar esta “rede social sintética”?

A experiência será familiar para qualquer utilizador do TikTok. Terás um feed vertical infinito de vídeos curtos (limitados a 10 segundos), que podes percorrer deslizando o dedo. Um algoritmo de recomendação irá personalizar o feed “Para Ti”, aprendendo com os teus gostos. Poderás gostar, comentar e, crucialmente, “remisturar” os vídeos que vês, usando-os como ponto de partida para as tuas próprias criações.

A grande diferença está no processo de criação. Em vez de um botão para gravar, terás uma caixa de texto. Descreves a cena que imaginas, e o Sora 2 – uma versão melhorada do modelo original, agora com simulação de física mais realista, movimentos humanos mais coerentes e a capacidade de gerar áudio integrado, como vozes e sons ambiente – irá criar um vídeo de 10 segundos a partir da tua descrição.

Chat. Com agora pertence à openai

Tu, mas em versão IA: a verificação de identidade

Talvez a funcionalidade mais futurista e controversa seja a de verificação de identidade. A aplicação irá permitir que verifiques a tua aparência, autorizando que a tua imagem seja usada como um “ator digital” dentro do ecossistema.

Isto significa que poderás criar vídeos onde tu és o protagonista, ou os teus amigos poderão incluir-te nas suas criações sintéticas. Para evitar o uso indevido, a OpenAI implementou uma salvaguarda importante: serás notificado sempre que a tua imagem for usada por outra pessoa, mesmo que seja apenas num rascunho de um vídeo que ainda não foi publicado. É um primeiro e ousado passo na gestão da identidade digital na era dos deepfakes.

A bomba-relógio dos direitos de autor

Se a gestão da identidade pessoal é complexa, a dos direitos de autor é uma autêntica bomba-relógio. A abordagem da OpenAI a este problema promete gerar uma enorme controvérsia. A empresa irá implementar um sistema de opt-out.

Isto significa que, por defeito, o Sora 2 pode ser treinado e pode gerar conteúdo baseado em material protegido por direitos de autor. A responsabilidade é transferida para os criadores, artistas e estúdios, que terão de monitorizar ativamente a plataforma e solicitar a exclusão do seu trabalho. Os críticos argumentam que este sistema é insustentável e que coloca um fardo injusto sobre os detentores dos direitos. A única exceção serão as figuras públicas, cujas imagens não poderão ser recriadas sem permissão.

O que significa isto para o futuro das redes sociais?

O lançamento desta aplicação é mais do que a estreia de um novo produto; é um ponto de viragem. Desafia a própria definição de “rede social”. Se uma plataforma é composta inteiramente por conteúdo sintético, ainda é “social”? Ou é uma nova forma de entretenimento colaborativo?

A aposta da OpenAI é um ataque direto ao domínio do TikTok, surgindo num momento de grande escrutínio geopolítico sobre a plataforma chinesa. Ao criar uma alternativa totalmente sintética e sediada nos EUA, a OpenAI não está apenas a inovar tecnologicamente; está a fazer uma jogada geopolítica.

Esta nova aplicação será um teste em tempo real a algumas das questões mais prementes da nossa era: a linha que separa o real do artificial, o conceito de identidade numa era de avatares digitais e a batalha pela propriedade intelectual no mundo da IA generativa. O futuro do entretenimento está a ser escrito, e parece ser muito, muito estranho.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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