A longevidade de um smartphone já não se mede apenas pela duração da bateria ou pela resistência do vidro; mede-se pelos anos de vida que o fabricante está disposto a dar-lhe através de software. A Realme, que no ano passado anunciou com pompa a sua nova política de quatro grandes atualizações de Android, parece estar a ter dificuldades em democratizar esse benefício. Uma análise à lista de dispositivos elegíveis revela um cenário preocupante: apenas quatro modelos da marca têm acesso a este suporte alargado, deixando a vasta maioria dos utilizadores com ciclos de vida mais curtos.
Enquanto a indústria se move rapidamente para suportes de 5, 6 ou até 7 anos, a estratégia da Realme permanece conservadora e restrita ao segmento premium, o que pode custar-lhe caro na batalha pela preferência dos consumidores.
O “Clube dos Quatro”: quem recebe o Android 20?
A lista de dispositivos Realme elegíveis para quatro anos de atualizações de sistema operativo (OS) é surpreendentemente curta. Atualmente, apenas os topos de gama mais recentes fazem parte deste grupo exclusivo:
- Realme GT 8 Pro: Elegível até ao Android 20.
- Realme GT 8: Elegível até ao Android 20.
- Realme GT 7: Elegível até ao Android 19.
- Realme GT 7T: Elegível até ao Android 19.
Se possui um destes equipamentos, a notícia é excelente. O seu investimento está protegido e o dispositivo manter-se-á atualizado com as últimas funcionalidades da Google durante um período considerável. No entanto, para os milhões de utilizadores que optam pelas gamas média e de entrada da marca, a realidade é bem diferente.

A falha na gama média: o caso do Realme 16 Pro+
A crítica mais dura à política da Realme reside na sua inconsistência de valor. O recém-lançado Realme 16 Pro+, um dispositivo que compete no segmento de gama média premium com um preço a rondar as 45.000 rupias (um valor considerável), oferece apenas três anos de atualizações de Android.
Numa altura em que o hardware é capaz de durar muito mais tempo, limitar artificialmente a vida útil do software de um telemóvel caro a três anos é uma decisão difícil de justificar, especialmente quando olhamos para o que a concorrência está a fazer.
Samsung e Motorola deixam a Realme para trás
O contraste com os rivais diretos é gritante. A Samsung transformou o mercado ao oferecer até 6 ou 7 anos de atualizações, não apenas nos seus topos de gama Galaxy S, mas estendendo suportes longos (4 a 6 anos) até às suas linhas de gama média Galaxy A.
Talvez ainda mais surpreendente seja a reviravolta da Motorola. Historicamente criticada pelo seu fraco suporte, a marca da Lenovo mudou radicalmente a sua postura. O novo Motorola Signature igualou a Google e a Samsung com uma promessa de 7 anos de atualizações, e muitos dos seus modelos de gama média já garantem 5 anos de novas versões de Android.
O risco de ficar para trás
A Oppo e a Xiaomi, rivais domésticas da Realme, também estão à frente, oferecendo até 5 anos de atualizações em vários modelos.
A conclusão é clara: a Realme tem o hardware (como vimos com as baterias de 10.000 mAh e ecrãs de topo), mas o seu compromisso de software está a tornar-se o seu calcanhar de Aquiles. Se a marca quiser manter a lealdade dos seus utilizadores e evitar que estes mudem para ecossistemas mais duradouros, terá de expandir rapidamente a política de 4 anos para além da elite da série GT.
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