O mercado dos dispositivos dobráveis está prestes a receber um novo protagonista que promete agitar as águas, mas talvez não da forma que os entusiastas mais fervorosos esperavam. A Samsung, que tem dominado este segmento quase sem oposição de peso no ocidente, parece estar a preparar uma resposta direta à iminente entrada da Apple neste setor. O dispositivo em questão, provisoriamente apelidado de Galaxy Z Wide Fold, surge como uma tentativa de antecipar a estratégia da marca da maçã, focando-se num formato mais largo que privilegia a produtividade e o consumo de multimédia num formato de tablet autêntico.
As fugas de informação mais recentes indicam que a Samsung não está a planear uma rutura total com o que já conhecemos, mas sim uma adaptação ergonómica. O Galaxy Z Wide Fold deverá apresentar um ecrã principal de 7,6 polegadas. Curiosamente, este valor é ligeiramente inferior às 8 polegadas que se esperam para o Galaxy Z Fold 7, mas a grande diferença reside na proporção. Ao adotar um design mais largo, a Samsung procura oferecer-te uma experiência muito mais próxima da de um iPad Mini ou de um tablet convencional de pequenas dimensões quando o dispositivo está aberto.

Esta mudança de paradigma é uma clara jogada defensiva. Sabemos que a Apple está a apostar as suas fichas num design que transforme o iPhone num dispositivo de trabalho fluido e o Galaxy Z Wide Fold é a forma de a Samsung dizer que já lá chegou. Se estás habituado ao formato mais estreito e vertical da linha Fold tradicional, este novo modelo poderá ser a alternativa que tanto esperavas para ler documentos ou editar fotos com maior conforto visual.
O motor que dá vida ao dispositivo
No que diz respeito ao que corre “debaixo do capô”, as notícias trazem um misto de previsibilidade e incerteza. Como seria de esperar num topo de gama para 2026, o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm é o candidato mais forte para equipar este dobrável. No entanto, há fortes rumores de que a Samsung poderá optar pelo seu próprio processador Exynos 2600, fabricado com uma litografia de 2 nanómetros.
Para ti, enquanto utilizador, esta escolha será determinante para o desempenho térmico e a eficiência energética do aparelho. Independentemente da escolha final, podes esperar uma performance de ponta, capaz de lidar com multitarefas pesadas e aplicações exigentes sem qualquer dificuldade. A questão que permanece é se esta evolução incremental será suficiente para justificar a etiqueta de preço que, certamente, não será para todas as carteiras.
A eterna questão da autonomia da bateria
Se há um ponto onde a Samsung continua a ser conservadora, é na capacidade energética dos seus dispositivos dobráveis. Enquanto as marcas chinesas já ultrapassam confortavelmente a barreira dos 5.000 mAh em formatos ultra-finos, o Galaxy Z Wide Fold deverá ficar-se pelos 4.800 mAh. Embora seja uma subida face aos 4.400 mAh vistos no Galaxy Z Fold 7 e no seu antecessor, fica aquém do que muitos considerariam ideal para um ecrã desta magnitude.
A Samsung utiliza uma configuração de bateria de célula dupla para otimizar o espaço interno, mas parece que o foco continua a ser a manutenção de um perfil fino e elegante em vez de uma autonomia que dure vários dias. Terás, muito provavelmente, bateria para um dia inteiro de utilização normal, mas se fores um utilizador intensivo que tira partido do ecrã panorâmico para jogos ou vídeo, poderás ter de andar com o carregador por perto mais vezes do que gostarias.
Um risco calculado num mercado volátil
Este novo Galaxy Z Wide Fold é, acima de tudo, um dispositivo experimental. A Samsung está a observar atentamente os passos da Apple. Se o conceito de um iPhone dobrável com interface de tablet não convencer o público, este novo modelo da Samsung poderá sofrer o mesmo destino de outros projetos menos conseguidos no passado. É uma aposta na convergência de dispositivos que tenta provar que o futuro não passa apenas por dobrar o telemóvel ao meio, mas sim por transformar a forma como interages com a informação em movimento.
Resta saber se as melhorias marginais ao nível do hardware e o novo formato serão apelativos o suficiente para te convencerem a trocar o teu atual smartphone por este novo conceito de design largo.
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