O hábito de partilhar momentos através dos estados do WhatsApp tornou-se uma rotina para milhões de pessoas, mas sempre houve um pequeno entrave logístico: a gestão da privacidade. Atualmente, se queres partilhar uma foto daquela festa privada sem que o teu chefe ou aquele primo afastado a vejam, tens de mergulhar nas definições e ajustar manualmente quem pode ver o quê. Pois bem, parece que a Meta decidiu finalmente atacar este problema de frente. De acordo com as últimas descobertas no código das versões beta, o WhatsApp prepara-se para introduzir listas de amigos chegados e audiências personalizadas, uma funcionalidade que promete mudar a forma como geres a tua pegada digital na aplicação.
Até agora, o sistema de privacidade dos estados do WhatsApp era funcional, mas rudimentar. Tinhas as opções clássicas: “Os meus contactos”, “Os meus contactos, exceto…” ou “Partilhar apenas com…”. O problema surgia quando querias alternar entre diferentes grupos de pessoas. Se partilhasses algo apenas para a família e, logo a seguir, quisesses colocar um estado para todos os teus amigos, eras obrigado a reconfigurar tudo novamente.

Esta nova funcionalidade, detetada primeiro na versão beta para Android e agora confirmada na versão 26.15.10.70 para iOS através do programa TestFlight, introduz o conceito de audiências predefinidas. Isto significa que vais poder criar grupos específicos — como “Trabalho”, “Faculdade” ou “Família” — e selecioná-los num ápice antes de publicares qualquer conteúdo. É a morte anunciada daquela sensação de insegurança em que publicas algo e depois corres a verificar se, por erro, não deixaste a porta aberta a quem não devia.
Amigos chegados: o toque de cor que faltava
Se utilizas o Instagram, o conceito de “Amigos Chegados” (Close Friends) já faz parte do teu dicionário visual. O WhatsApp vai seguir exatamente o mesmo caminho, criando uma lista padrão com esse nome para que não tenhas sequer o trabalho de a configurar do zero no início. Mas há detalhes técnicos interessantes nesta implementação:
- Identificação visual: Os estados partilhados com estas listas exclusivas serão destacados com uma cor púrpura (roxo), distinguindo-os claramente dos estados comuns que aparecem com o habitual círculo verde ou azul, dependendo do sistema operativo.
- Transparência limitada: Quem for incluído numa destas listas saberá que faz parte de um grupo restrito, pois verá o nome da lista e o emoji que lhe atribuíste. No entanto, a privacidade é mantida: um contacto não consegue ver quem são as outras pessoas que compõem essa lista.
- Nomes e emojis: Ao contrário das opções rígidas de outrora, poderás batizar as tuas listas com nomes criativos e associar-lhes emojis, tornando a organização muito mais intuitiva e pessoal.
A estratégia da Meta para unificar a experiência
Esta movimentação não é apenas uma conveniência técnica; é um passo estratégico. Ao observar a forma como interagimos nas redes sociais, a equipa de Mark Zuckerberg percebeu que o utilizador moderno prefere “nichos” de comunicação em vez de transmissões em massa. O ecrã do teu smartphone é o teu espaço mais privado, e o WhatsApp quer garantir que te sentes confortável a partilhar conteúdo sem o receio de julgamentos de contactos profissionais ou conhecidos casuais.
Ao trazer o modelo de sucesso do Instagram para o serviço de mensagens mais popular do mundo, o WhatsApp está a tentar aumentar o “engagement” nos estados, uma funcionalidade que, embora popular, ainda é vista por muitos como demasiado exposta. Com as listas personalizadas, a barreira psicológica de partilhar momentos do dia a dia cai por terra, sabendo que o conteúdo tem um destino certo e controlado.
Quando poderás começar a criar as tuas listas?
Embora a funcionalidade já esteja a ser desenhada e testada nos bastidores (em ambiente de desenvolvimento), ela ainda não está disponível para o público geral, nem sequer para a maioria dos utilizadores da versão beta. O processo de desenvolvimento de software nesta escala exige que o sistema de gestão de listas seja robusto e que não existam falhas que possam expor os estados à audiência errada — o que seria um pesadelo de relações públicas para a empresa.
Espera-se que, após esta fase de refinamento no Android e iOS, o WhatsApp comece a libertar a função gradualmente para os “beta testers” e, uns meses mais tarde, para todos nós. É uma questão de paciência, mas a promessa de uma partilha mais seletiva e menos burocrática está cada vez mais perto de se tornar realidade no teu telemóvel.
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