A Huawei não parece estar disposta a deitar a toalha ao tapete, mesmo com todas as pesadas sanções norte-americanas que limitam o seu acesso a tecnologias de ponta. A gigante chinesa continua a surpreender o mundo da tecnologia e, desta vez, prepara-se para dar um verdadeiro salto de gigante.
O próximo grande lançamento da marca, a muito aguardada série Mate 90, promete chegar ao mercado equipada com um processador Kirin inédito. E as promessas não são modestas: a empresa garante que este chip terá um desempenho equivalente ao de uma litografia de 3nm.
Para conseguir este feito, que muitos consideravam impossível sem as avançadas máquinas EUV (Extreme Ultraviolet), a Huawei teve de repensar completamente a forma como fabrica os seus processadores. A solução encontrada foca-se menos na miniaturização e mais na arquitetura tridimensional.

A revolução do empilhamento e a lei de Tau
Sem acesso ao equipamento de ponta para encolher ainda mais os transístores na superfície do silício, a Huawei decidiu abraçar a chamada “Lei de Escala Tau” (Tau Scaling Law). Em vez de lutar por componentes microscópicos espalhados de forma plana, a fabricante está a adotar uma arquitetura inovadora apelidada de LogicFolding. É, no mínimo, impressionante ver como a necessidade aguça mesmo o engenho.
Na prática, esta tecnologia permite empilhar os vários componentes do processador uns em cima dos outros. O principal objetivo é reduzir drasticamente a distância física que a informação tem de percorrer dentro do chip. O resultado? Um processamento muito mais rápido e uma eficiência energética incrivelmente superior, o que deverá garantir que a bateria do teu futuro smartphone dure ainda mais tempo.
Especificações técnicas que impressionam a concorrência
Os detalhes desta inovação foram partilhados por Zheng Jun, diretor técnico do departamento de sistemas financeiros da Huawei, durante um evento na cidade de Shenzhen. E, a julgar pelos números apresentados, os principais rivais do mercado Android têm bons motivos para estar atentos ao que a série Mate 90 vai conseguir alcançar em termos de performance pura.
Este misterioso processador Kirin, cujo nome oficial ainda está no segredo dos deuses, promete entregar um nível de poder capaz de rivalizar diretamente com os mais recentes SoC de 3nm da concorrência. Eis os principais destaques técnicos que já foram confirmados:
- Aumento de 53,5% na densidade de transístores, atingindo cerca de 238 milhões por milímetro quadrado.
- Melhoria assinalável de 41% no desempenho geral e na eficiência energética dos núcleos do processador.
- Incremento de 12,7% na frequência máxima de relógio.
- Objetivo traçado para alcançar uma arquitetura equivalente a 1,4nm (14 Angstrom) até ao ano de 2031, utilizando este mesmo método de empilhamento.
Uma prova de resiliência e inovação constante
Quando os Estados Unidos decidiram cortar o acesso da Huawei às fundições avançadas como a TSMC, muitos analistas previram o fim inevitável da marca no segmento dos dispositivos móveis. Contudo, a fabricante soube reinventar-se com um ecossistema próprio e uma aposta contínua no desenvolvimento de hardware, como já tínhamos visto com o regresso do suporte 5G no Mate 60 Pro.
É inegável que a Huawei tem sabido dar a volta por cima num contexto altamente adverso. Atualmente, a empresa até lidera de forma incontestável o mercado global de dobráveis, dominando com uma impressionante quota de 48%. Se este novo processador Kirin conseguir mesmo entregar o que promete na futura série Mate 90, o regresso da fabricante chinesa ao topo do pódio dos smartphones topo de gama pode estar para mais breve do que muitos imaginavam.
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