Os ciberataques com IA deixaram de ser apenas uma ferramenta de apoio aos cibercriminosos, com a tecnologia a assumir a execução de partes significativas das intrusões. O relatório AI Security Report 2026 da Check Point Software demonstra que os sistemas automatizados realizam agora fluxos de exploração completos com intervenção humana reduzida. Esta alteração operacional acelera a velocidade e a escala das ameaças contra redes corporativas e governamentais.

Autonomia na execução de código malicioso
A tecnologia automatiza a criação de código malicioso e a execução de comandos a partir de instruções humanas mínimas. Num incidente em organismos públicos do México, um único agente utilizou os modelos Claude Code e GPT-4.1 para comprometer nove entidades. A operação registou mais de 5.300 comandos executados por sistemas automatizados a partir de cerca de mil instruções iniciais do atacante. Noutro caso, um programador recorreu a uma ferramenta comercial para criar 88 mil linhas de código funcional de malware em menos de uma semana.
Vulnerabilidades em agentes de IA nas empresas
A expansão de assistentes digitais com acesso a ficheiros internos cria novos pontos de entrada para agressões externas. Estes sistemas conseguem ler documentos e aceder a calendários, o que expõe as organizações a técnicas de injeção de prompts. Uma instrução maliciosa oculta num convite de calendário consegue alterar o comportamento do agente e causar a exfiltração de dados. A análise da Check Point a 10 mil servidores baseados no Model Context Protocol (MCP) revelou que cerca de 40% das plataformas apresentam falhas de segurança e pacotes de código com credenciais ativas.
Exposição de dados e interações de risco
A utilização de ferramentas de geração de texto sem supervisão formal aumenta o risco de fuga de informação confidencial. As empresas utilizam uma média mensal de dez aplicações de inteligência artificial sem processos de controlo consolidados. A percentagem de prompts de elevado risco duplicou no último ano, com uma subida para 4% do total de interações. Entre 87% e 93% das entidades registaram pelo menos uma interação mensal de risco com o envio de dados pessoais e informação crítica para serviços externos.
Proteção e resposta a ciberataques com IA
Segundo a Check Point Software, a mitigação do impacto dos ciberataques com IA exige modelos de prevenção automatizados e a monitorização contínua de privilégios. As organizações necessitam de aplicar aos sistemas autónomos as mesmas regras de governação utilizadas na infraestrutura de rede tradicional. A cibersegurança empresarial requer a combinação de supervisão humana com ferramentas de defesa capazes de operar na mesma escala de tempo dos ataques. O intervalo entre a descoberta de uma falha e a sua exploração reduziu para escassas horas.
A inteligência artificial está a alterar profundamente a forma como as organizações trabalham, mas está também a transformar a velocidade, a escala e a autonomia dos ciberataques. As empresas não podem tratar os agentes de IA apenas como assistentes digitais. Devem assumir que estes sistemas também são alvos e potenciais pontos de entrada para os atacantes afirma .
Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal
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