Se acompanhas o universo dos smartphones há algum tempo, certamente te lembras de olhar para as tabelas do AnTuTu como uma espécie de bíblia da potência bruta. No entanto, com o passar dos anos e vários casos de marcas apanhadas a aldrabar os testes para inflacionar pontuações, esses valores foram perdendo relevância prática.
A plataforma de benchmark decidiu finalmente dar um murro na mesa e transformar o modo como mede a performance dos dispositivos móveis. A nova versão de testes do AnTuTu V12 introduz mudanças de fundo nos algoritmos, o que significa que os novos resultados já não podem ser comparados com as pontuações do AnTuTu V11 ou edições anteriores.
Esta reviravolta pretende travar a obsessão por números gigantescos e pouco práticos, redirecionando as atenções para aquilo que realmente importa: a experiência de utilização no mundo real.
Adeus às pontuações astronómicas e olá ao uso real
Durante anos assistimos a uma autêntica guerra de números, onde pontuações acima dos dois milhões serviam mais para efeitos de marketing do que para demonstrar a fluidez do sistema. O problema agravou-se quando se tornou evidente que certos fabricantes criavam perfis agressivos que impediam os processadores de entrar em repouso assim que detetavam o teste em execução.
Com a chegada da versão 12, a fasquia passa a ser definida por critérios de estabilidade mais rigorosos. Para assegurar uma base comparativa fiável, os testes padrão passam a ser executados com o ecrã regulado para 300 nits de brilho, bateria acima dos 80% e temperatura ambiente controlada a cerca de 26 °C (79 °F). É uma mudança sensata e que já pecava por tardia.

Como a nova versão avalia o hardware do smartphone
A nova metodologia deixa de premiar apenas picos momentâneos de frequência máxima e passa a escrutinar a capacidade do SoC em gerir transições térmicas e energéticas. Toda a arquitetura interna do dispositivo é posta à prova através de novos parâmetros técnicos:
- CPU: avalia o comportamento em tarefas do quotidiano, medindo a eficiência com que o processador alterna entre picos de alta frequência e modos económicos de baixo consumo.
- GPU: introduz cenas tridimensionais mais complexas com sombras suaves e iluminação realista, acompanhadas por um teste de stress de latência dinâmica na memória gráfica.
- Armazenamento e memória: estreia um teste de fragmentação de memória para apurar o desgaste de velocidade à medida que a memória interna do equipamento fica ocupada ao longo do tempo.
- Experiência de utilizador (UX): mede a consistência e suavidade real das animações de interface sob diversas cargas de trabalho.
Com este conjunto de critérios, um processador que aqueça em demasia e sofra de estrangulamento térmico (thermal throttling) será imediatamente penalizado, deixando de conseguir pontuações inflacionadas à custa de rajadas curtas de força bruta.
Uma interface renovada e testes em formato beta
Além das melhorias no motor de cálculo, o AnTuTu V12 traz uma interface desenhada com base em cartões temáticos, o que facilita bastante a leitura dos dados recolhidos pelo benchmark. Esta nova apresentação adapta-se de forma dinâmica a diferentes formatos de ecrã, incluindo tablets e smartphones dobráveis.
Para quem quiser experimentar a novidade em primeira mão, a versão beta pública já pode ser testada em iOS através do TestFlight e em Android mediante a instalação manual do ficheiro APK e do respetivo motor gráfico 3D disponíveis no site da plataforma. Resta agora verificar se os fabricantes vão alinhar nesta nova postura de transparência ou se vão tentar contornar mais uma vez as regras do jogo.
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