A febre da inteligência artificial trouxe consigo uma sede inesgotável, não apenas de poder computacional, mas literalmente de água potável. À medida que as exigências de processamento disparam, as gigantes tecnológicas enfrentam um problema ambiental que já não podem empurrar para debaixo do tapete.
Com as comunidades vizinhas cada vez mais atentas e compreensivelmente preocupadas com o impacto destas superestruturas, a dona do famoso motor de pesquisa decidiu tomar as rédeas da situação com uma promessa bastante arrojada.
A gigante de Mountain View acaba de assumir o compromisso oficial de repor mais água do que aquela que os seus famintos data centers consomem, estabelecendo esta ambiciosa meta “positiva em água” para 2030. É, no mínimo, reconfortante ver uma titã tecnológica a reconhecer o problema e a tentar elevar a fasquia ecológica da indústria.

A ambição de repor 19 mil milhões de galões anuais
Para que percebas bem a escala hercúlea deste desafio, a empresa revelou que já tem em marcha 165 projetos de conservação espalhados por 97 bacias hidrográficas. Quando todas estas iniciativas estiverem totalmente operacionais, a Google espera conseguir repor uns impressionantes 19 mil milhões de galões de água por ano até ao final desta década.
Este valor colossal representa mais do dobro de todo o consumo registado pela empresa durante o ano de 2024. O plano estratégico dita que, mesmo com o inevitável crescimento das infraestruturas para suportar ferramentas exigentes como o modelo Gemini, a empresa terá margem de manobra suficiente para cobrir os seus gastos e ainda entregar um saldo positivo ao planeta.
Sabemos bem que a refrigeração líquida é muito mais eficiente em termos energéticos, mas o custo sai caro às reservas locais. Um data center de média dimensão pode “beber” facilmente cerca de 300 mil galões de água por dia. Apesar da Google tentar relativizar a situação, afirmando que todos os seus centros nos Estados Unidos gastam menos de 1% da água que os americanos usam anualmente a regar os relvados, a apreensão de quem vive perto destas enormes fábricas de dados é palpável e mais do que justificada.
Os cinco pilares desta estratégia ambiental
Para garantir que não estamos apenas perante mais uma manobra de charme corporativo, a empresa definiu uma estratégia de atuação bastante rigorosa. Este plano a longo prazo assenta em cinco compromissos fundamentais de intervenção no terreno.
A Google percebeu que não basta assinar cheques, precisando de colaborar intimamente com as autoridades para proteger ativamente as infraestruturas das populações. Eis o que a tecnológica se comprometeu a cumprir na sua folha de rota:
- Repor ativamente mais água do que aquela que consome a nível global até 2030.
- Ajudar a modernizar as infraestruturas públicas de água e esgotos das comunidades vizinhas.
- Proteger bacias em risco, dando prioridade absoluta a soluções de arrefecimento a ar ou água reciclada em zonas críticas.
- Reportar o uso anual de água com total transparência e por localização, quebrando o habitual secretismo deste setor.
- Procurar incessantemente alternativas sustentáveis, como a reutilização intensiva de águas residuais tratadas.
Milhões investidos diretamente nas comunidades
Para dar o pontapé de saída nesta expansão ecológica, a Google está já a canalizar 17 milhões de dólares diretamente para apoiar novos projetos ambientais. O objetivo é gerar um impacto prático e visível fora dos laboratórios e perto das populações que a acolhem.
No estado da Geórgia, por exemplo, o investimento vai ajudar a recuperar extensas zonas húmidas locais. Já no Iowa, o foco será apoiar diretamente os agricultores para que convertam milhares de hectares em pastagens e sistemas de conservação do solo. É fascinante observar como a resolução de um problema de alta tecnologia acaba por passar por soluções tão ligadas e enraizadas na natureza.
Com rivais de peso como a Microsoft e a Amazon Web Services a sentirem agora uma natural pressão para igualarem este nível de transparência e responsabilidade, a Alphabet dá um passo na direção certa.
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