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Alternativa europeia à Starlink recebe luz verde para arrancar em 2029

Vitor Urbano por Vitor Urbano
08/08/2026
Em Tecnologia

A Comissão Europeia acabou de dar o passo decisivo para garantir a independência tecnológica do nosso continente no que toca a comunicações via satélite. A luz verde oficial foi finalmente dada aos planos detalhados para a constelação IRIS, o aguardado serviço soberano de banda larga da União Europeia.

Depois de meses de intensas negociações iniciadas em janeiro, os acordos estão fechados com os principais fabricantes e a Agência Espacial Europeia (ESA). Tudo indica que a Europa está focada em não ficar totalmente dependente de soluções privadas para as suas infraestruturas mais críticas.

Ainda que estejamos a falar de um projeto de dimensões muito mais modestas quando comparado com a gigantesca rede da SpaceX, a ambição é clara. Os primeiros satélites deverão começar a orbitar o planeta já em 2029, trazendo consigo um verdadeiro escudo de conetividade para o espaço aéreo europeu.

Mais satélites do que o previsto e um foco estratégico na segurança

Originalmente, a União Europeia tinha um número mais conservador em mente para a sua rede espacial. Contudo, o plano final aprovado surpreendeu ao incluir mais de seis dezenas de satélites adicionais, demonstrando que a ESA e os responsáveis europeus não querem deixar absolutamente nada ao acaso.

Esta expansão de última hora não foi feita por um mero capricho, mas sim para responder a preocupações crescentes na atual conjuntura geopolítica global. O aumento da frota é considerado vital para reforçar as capacidades estratégicas de defesa, assim como para garantir um tempo de resposta infalível em situações de emergência de larga escala.

União europeia starlink

Uma rede pensada para governos mas com olhos postos nos cidadãos

Se estás já a pensar em cancelar o teu atual serviço de internet para aderir à rede IRIS, é melhor teres um pouco de paciência. Numa fase inicial, esta infraestrutura espacial não vai estar disponível para o consumidor final, estando o seu uso reservado para os governos dentro da UE e para parceiros estratégicos de confiança, como a Noruega e a Islândia.

Apesar deste foco inicial e estritamente governamental, o plano a longo prazo traz boas notícias para quem sofre com más ligações no dia a dia. A ideia é que a rede fique eventualmente disponível para as empresas e cidadãos europeus que vivem em zonas mais isoladas, onde as infraestruturas de internet tradicionais teimam em não chegar ou revelam-se extremamente instáveis.

Para que tenhas uma ideia mais clara do que compõe este ambicioso projeto tecnológico europeu, aqui ficam os principais detalhes confirmados:

  • Frota total: A rede será composta por 348 satélites no total, graças à adição de 66 unidades extra ao acordo inicial.
  • Datas de lançamento: O envio dos primeiros equipamentos para o espaço e o arranque da prestação de serviços estão ambos agendados para 2029.
  • Utilização prioritária: Destina-se a operações críticas, missões de apoio humanitário e vigilância avançada das fronteiras europeias.
  • Escala do projeto: Para efeitos de comparação, a rede europeia será minúscula face à Starlink da SpaceX, que já conta com mais de 10 000 satélites ativos em órbita baixa.

O passo necessário para a soberania tecnológica no espaço

É impossível ignorar o elefante na sala quando olhamos para a enorme discrepância de tamanho entre esta nova aposta da União Europeia e a infraestrutura colossal que Elon Musk tem vindo a construir a um ritmo alucinante. Contudo, é no mínimo reconfortante ver a Europa a mexer-se proativamente para não ficar refém de tecnologias externas em momentos de crise.

Com as infraestruturas terrestres e os serviços de lançamento a serem também planeados ao mais ínfimo detalhe nesta fase, fica claro que a UE quer dominar e controlar todo o processo. Resta-nos agora aguardar pelo ano de 2029 para ver se a Europa consegue efetivamente colocar este plano em órbita sem os habituais e frustrantes atrasos burocráticos.

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Tags: StarlinkUA
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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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