A higiene digital em smartphones e PCs apresenta diferenças relevantes nos hábitos dos utilizadores, de acordo com um estudo da Kaspersky realizado em Março de 2026 junto de 7200 pessoas de 18 países. O inquérito indica que 77% dos utilizadores de smartphones atualizam regularmente o sistema operativo e as aplicações, face a 53% entre os utilizadores de computadores pessoais.

Os resultados não permitem, contudo, concluir que os smartphones oferecem maior proteção do que os PCs. O estudo mede comportamentos declarados pelos participantes, como atualizações, eliminação de aplicações, cópias de segurança e revisão de permissões, mas não compara taxas de infeção, vulnerabilidades exploradas ou incidentes de segurança entre plataformas.
Utilizadores atualizam mais os smartphones do que os PCs
A diferença mais expressiva surge na atualização do sistema operativo e das aplicações, com uma distância de 24 pontos percentuais entre smartphones e PCs. No primeiro grupo, 77% dos participantes afirmaram efetuar atualizações com regularidade. Nos computadores pessoais, a proporção ficou nos 53%.
A aplicação das atualizações de segurança constitui uma medida reconhecida por organismos públicos de cibersegurança. A CISA, agência norte-americana responsável pela cibersegurança e segurança das infraestruturas, coloca as atualizações de software entre as práticas básicas destinadas a reduzir a exposição a vulnerabilidades.
A mesma relação surge nas orientações do National Cyber Security Centre (NCSC) britânico. Numa declaração sobre prevenção de ataques com código malicioso, Paul Chichester, Director de Operações do NCSC, afirmou, em tradução livre, que «o malware continua a ser uma ameaça cibernética, mas todos podemos reduzir o risco de sermos vítimas de cibercriminosos». Entre as medidas indicadas pelo organismo estão a aplicação de correções de segurança e a criação de cópias de segurança dos ficheiros.
Os dados da Kaspersky também revelam diferenças na gestão do conteúdo armazenado. Cerca de 72% dos utilizadores de smartphones afirmam gerir ou eliminar regularmente fotografias e vídeos, contra 49% dos utilizadores de PC.
A relação inverte-se na organização de ficheiros e mensagens de correio electrónico. Cerca de 46% dos utilizadores de smartphones organizam ficheiros e e-mails em pastas ou aplicam regras de nomenclatura, enquanto a percentagem chega aos 57% nos PCs.
Eliminação de aplicações também separa as duas plataformas
Os proprietários de smartphones eliminam aplicações pouco utilizadas com maior frequência do que os utilizadores de computadores pessoais. O estudo coloca essa proporção nos 73% entre os utilizadores móveis e nos 47% entre os utilizadores de PC.
A Kaspersky associa esta diferença, em parte, às limitações de armazenamento dos dispositivos móveis. Esta explicação constitui uma interpretação da empresa e não um resultado demonstrado pelos dados publicados do inquérito.
A empresa refere também que aplicações antigas podem conservar informações pessoais, financeiras ou dados relativos à utilização. A remoção de programas sem utilização reduz o número de componentes instalados, embora o estudo não quantifique qualquer redução específica do risco de ataque associada a essa prática.
Neste ponto, a higiene digital em smartphones e PCs reflete também diferenças na forma como os equipamentos são utilizados. A Kaspersky indica que 58% dos participantes têm o telemóvel como principal dispositivo de acesso à Internet. Entre os inquiridos com 61 ou mais anos, 58% apontam o PC como principal meio de acesso.
Cópias de segurança permanecem abaixo dos 30%
As práticas com ligação direta à recuperação e controlo dos dados apresentam percentagens inferiores às registadas nas atualizações e na eliminação de aplicações. Apenas 29% dos utilizadores móveis e 28% dos utilizadores de PC afirmaram efetuar cópias de segurança regulares de informação considerada importante.
A revisão das permissões das aplicações e das definições de privacidade apresenta valores ainda inferiores. A prática é referida por 20% dos utilizadores de dispositivos móveis e por 16% dos utilizadores de computadores pessoais.
Estes resultados mostram que a diferença entre plataformas diminui em algumas das práticas mais diretamente relacionadas com a gestão de dados. Nas cópias de segurança, a distância é de apenas um ponto percentual. Na revisão das permissões e da privacidade, situa-se nos quatro pontos.
A higiene digital em smartphones e PCs não deve, por esse motivo, ser avaliada apenas pela frequência das atualizações ou pela eliminação de ficheiros. Os próprios dados do estudo mostram comportamentos distintos consoante a tarefa analisada.
Alteração periódica de palavras-passe exige uma ressalva
A alteração regular de palavras-passe, uma das métricas usadas pela Kaspersky, não coincide com as atuais recomendações do NIST para mudanças periódicas sem motivo de segurança. No inquérito, 33% dos utilizadores móveis e 31% dos utilizadores de PC afirmaram mudar as palavras-passe com regularidade.
As orientações NIST SP 800-63B-4, publicadas em Julho de 2025, estabelecem que os serviços não devem exigir aos utilizadores alterações periódicas das palavras-passe. A mudança deve ocorrer caso existam indícios de que a credencial foi comprometida.
O NIST também determina um mínimo de 15 caracteres para palavras-passe usadas como único factor de autenticação e rejeita regras obrigatórias de composição baseadas na mistura de diferentes tipos de caracteres. A publicação aborda ainda requisitos para autenticação multifactor e gestão de autenticadores.
A diferença é relevante para interpretar os resultados da Kaspersky. A percentagem de participantes que altera palavras-passe com regularidade pode ser apresentada como comportamento observado pelo inquérito, mas não constitui, por si só, um indicador de melhores práticas atuais de autenticação.
Estudo abrange 7200 pessoas, mas não inclui Portugal
O inquérito abrange 7200 participantes de 18 países e não inclui Portugal. A investigação foi conduzida pelo centro de pesquisa de mercado da Kaspersky em Março de 2026 e os resultados foram publicados pela empresa a 19 de Agosto.
A amostra reúne participantes do Brasil, China, Colômbia, Egipto, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, Espanha, África do Sul, Tailândia, Turquia e Vietname.
A informação metodológica disponível na publicação da Kaspersky identifica o número de participantes, a data e os países abrangidos. A página pública consultada não especifica a margem de erro, a distribuição da amostra por país nem o método de seleção dos participantes.
Esta limitação impede que os resultados sejam extrapolados diretamente para a população portuguesa. Os valores devem ser interpretados como respostas dos participantes no estudo e não como uma medição específica dos hábitos digitais em Portugal.
Estudo mede hábitos e não a segurança das plataformas
Os dados permitem comparar comportamentos dos utilizadores, mas não estabelecer qual das duas plataformas oferece maior segurança. A investigação não apresenta dados sobre ataques bem-sucedidos, prevalência de código malicioso, exploração de vulnerabilidades ou compromissos de contas em smartphones e PCs.
O principal resultado está na diferença entre rotinas de manutenção. Os utilizadores de smartphones declaram maior frequência de atualização, gestão de conteúdos e remoção de aplicações, enquanto os utilizadores de PC apresentam maior taxa de organização de ficheiros.
Nas medidas relacionadas com cópias de segurança, permissões e privacidade, as percentagens permanecem reduzidas em ambas as plataformas. A higiene digital em smartphones e PCs apresenta, assim, diferenças mensuráveis nos hábitos declarados, sem fornecer dados que sustentem uma conclusão sobre qual dispositivo está efetivamente mais protegido.
Para mais informações sobre segurança. visite o blog da Kaspersky.
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