A Character.AI apresentou um pedido de proteção judicial ao abrigo do Capítulo 11 da legislação norte-americana e chegou a um acordo preliminar com a Disney para a venda de determinados ativos por 20 milhões de dólares. A empresa, conhecida pela sua plataforma de conversação com personagens de inteligência artificial, pretende encontrar um comprador que assegure a continuidade do serviço.

O processo foi apresentado no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware, nos Estados Unidos, e prevê a venda da totalidade ou de uma parte substancial dos ativos da empresa. A Disney surge como proponente inicial, mas a operação ainda não está concluída e outros interessados poderão apresentar ofertas concorrentes.
Segundo a Character.AI, o acordo com a Disney Worldwide Services abrange uma licença perpétua e não exclusiva sobre determinados direitos de propriedade intelectual, além de outros direitos da empresa. A proposta inclui ainda serviços de transição prestados por antigos funcionários da Character.AI contratados pela Disney.
Disney apresenta proposta, mas o futuro da Character.AI permanece incerto
A proposta da Disney funciona como uma oferta de referência, conhecida nos processos de insolvência norte-americanos como stalking horse bid. Este mecanismo estabelece uma base para o leilão judicial, sem impedir que outros interessados apresentem condições mais favoráveis.
A distinção é relevante porque o acordo não representa a aquisição integral da Character.AI pela Disney. A licença prevista também não confere exclusividade sobre a propriedade intelectual abrangida.
A Character Technologies, empresa responsável pela plataforma, declarou ativos e passivos estimados entre 50 milhões e 100 milhões de dólares, de acordo com os documentos judiciais citados pela Reuters.
A operação surge depois de um período marcado por dificuldades financeiras, regulatórias e judiciais. A Character.AI enfrentou processos relacionados com a segurança dos seus sistemas de conversação, particularmente no contacto com utilizadores menores de idade.
Em outubro, as autoridades do Kentucky apresentaram novas alegações num processo judicial contra a empresa, no qual acusam os seus chatbots de terem incentivado comportamentos prejudiciais entre adolescentes. Trata-se de acusações judiciais, não de conclusões definitivas sobre a responsabilidade da plataforma.
Plataforma pode encerrar até ao final do ano
A Character.AI pretende manter o serviço disponível durante o processo de venda, cuja conclusão está prevista para o final de novembro ou início de dezembro de 2026.
Numa comunicação dirigida aos utilizadores, a empresa esclareceu que as subscrições pagas continuam ativas e que, para já, não existem alterações à faturação ou às práticas de privacidade e segurança. Os utilizadores também podem exportar as suas conversas e eliminar as respetivas contas.
A continuidade da plataforma dependerá, contudo, do resultado do processo judicial. Se não surgir uma proposta que permita manter o serviço, a Character.AI admite o seu encerramento.
O caso evidencia as dificuldades enfrentadas por algumas empresas de inteligência artificial que conquistaram uma base de utilizadores, mas precisam de assegurar receitas suficientes para sustentar a operação e responder às exigências legais e de segurança.
A eventual integração de tecnologia da Character.AI nos serviços da Disney permanece uma possibilidade, mas não foi anunciada qualquer aplicação comercial específica do acordo.
Outros artigos interessantes:




