A Zoom prevê disponibilizar em dezembro de 2026 uma funcionalidade de deteção de deepfakes que analisa sinais de áudio e vídeo durante as reuniões. O sistema procura identificar possíveis manipulações e apresentar um indicador de risco quando deteta conteúdos suspeitos, com o objetivo de ajudar os participantes a reconhecer tentativas de falsificação de identidade.

A tecnologia tinha sido anunciada em março, com lançamento inicialmente previsto para abril. A nova previsão, divulgada durante a conferência Zoomtopia 2026, surge acompanhada de ferramentas destinadas a reforçar o controlo das empresas sobre a utilização de inteligência artificial e a proteção de informação confidencial.
Deteção de deepfakes durante as videochamadas
Segundo a informação divulgada pela Zoom, a funcionalidade Deepfake Risk Detection analisa sinais de áudio e vídeo em tempo real para identificar possíveis manipulações produzidas fora da plataforma.
O sistema deverá apresentar um indicador de risco e um nível de confiança quando identificar sinais suspeitos. A intenção é alertar os participantes para situações em que alguém possa utilizar uma voz ou imagem sintética para se fazer passar por outra pessoa.
Entre os cenários de utilização estão entrevistas de emprego, reuniões empresariais e contactos com fornecedores. Nestes casos, uma identidade falsificada pode ser utilizada para solicitar transferências financeiras, obter credenciais de acesso ou conseguir informação interna.
A utilização de inteligência artificial para falsificar identidades representa um desafio crescente para a segurança digital. Como explica o artigo sobre o impacto da inteligência artificial no crime e na atividade policial, a reprodução artificial de rostos e vozes pode tornar mais credíveis os esquemas de fraude e engenharia social.
A principal diferença da solução anunciada pela Zoom está na possibilidade de identificar sinais suspeitos durante a própria reunião, sem depender exclusivamente de ferramentas externas ou de verificações posteriores. Um alerta poderá permitir que os participantes interrompam uma operação suspeita antes de autorizarem um pagamento ou partilharem informação confidencial.
Contudo, a identificação de risco não constitui uma prova de falsificação. A Zoom não apresentou resultados de avaliações independentes que permitam conhecer a precisão do sistema, a frequência de falsos positivos ou a sua resistência a técnicas destinadas a contornar a deteção.
Zoom reforça os controlos sobre a inteligência artificial
A deteção de deepfakes integra um conjunto mais amplo de funcionalidades de segurança e administração apresentado durante a Zoomtopia 2026.
Entre as novidades está um sistema de gestão centralizada de inteligência artificial, cuja disponibilização também está prevista para dezembro. A ferramenta permitirá aos administradores definir políticas para agentes de IA, supervisionar a sua atividade e controlar determinadas permissões dentro da organização.
A empresa anunciou ainda mecanismos personalizados de proteção da informação, que permitirão estabelecer regras sobre os conteúdos que os assistentes de IA podem utilizar e produzir.
Uma organização poderá, por exemplo, impedir que determinados dados financeiros apareçam em resumos automáticos ou exigir revisão humana antes da partilha de conteúdos produzidos por inteligência artificial. A disponibilização destes controlos está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Outra funcionalidade permite integrar etiquetas de confidencialidade do Microsoft Purview nas reuniões e nos quadros digitais do Zoom. Esta integração já está disponível, embora algumas capacidades estejam limitadas a clientes selecionados.
Disponibilidade prevista para dezembro
A Zoom aponta dezembro de 2026 como data prevista para a disponibilização da funcionalidade de deteção de deepfakes. A empresa não especificou todos os planos comerciais abrangidos nem esclareceu se existirão diferenças de disponibilidade entre mercados.
Também não foram divulgados resultados de testes independentes que permitam avaliar a eficácia da tecnologia em situações reais. Até que existam esses dados, os alertas deverão ser interpretados como sinais que justificam uma verificação adicional da identidade dos participantes, e não como uma confirmação automática de fraude.
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