A fronteira entre a web pública e a tua vida privada acabou de desaparecer na barra de pesquisa da Google. Apenas uma semana depois de ter introduzido a “Inteligência Pessoal” na sua aplicação Gemini, a gigante tecnológica anunciou hoje que esta funcionalidade chegou ao coração do seu negócio: o Modo IA da Pesquisa Google.
Esta atualização representa uma mudança fundamental na forma como utilizamos o Google. Em vez de ser apenas uma ferramenta para encontrar factos no mundo, o motor de busca passa a funcionar como uma extensão da tua memória, capaz de cruzar informações da internet com os teus e-mails e fotografias para te dar respostas que só fazem sentido para ti.
Como funciona: a fusão do Gmail e Photos na pesquisa
A funcionalidade, disponível através do programa Labs, permite aos utilizadores ligarem as suas contas do Gmail e do Google Photos ao Modo IA da pesquisa. O objetivo é dar contexto ao algoritmo Gemini 3.
Imagine que está à procura de roupa nova. Em vez de lhe mostrar apenas as lojas mais populares, a Inteligência Pessoal pode analisar os recibos de compra no seu Gmail para perceber que marcas comprou recentemente e sugerir novos itens dessas mesmas marcas.
Outro exemplo prático é o planeamento de viagens ou lazer. Se pesquisar por “sítios para comer”, o sistema pode cruzar essa pesquisa com a confirmação de reserva de hotel que tem no Gmail e com as fotos das suas viagens anteriores no Google Photos, sugerindo restaurantes perto do seu hotel que correspondam ao estilo gastronómico de que costuma gostar.
Privacidade: a linha ténue
A Google sabe que permitir que uma IA “leia” a caixa de correio e o álbum de fotos dos utilizadores é um tema sensível. Por isso, a empresa apressou-se a clarificar como os dados são tratados.
Segundo a Google, o modelo Gemini 3 não treina diretamente sobre a sua caixa de entrada do Gmail ou a sua biblioteca do Google Photos. O treino dos modelos é contido a “informações limitadas”, como os prompts específicos que o utilizador escreve no Modo IA e as respostas que o modelo gera, para melhorar a funcionalidade ao longo do tempo. Além disso, a funcionalidade é estritamente opt-in (tem de ser ativada manualmente) e, para já, requer passos deliberados nas definições de personalização de pesquisa.

Exclusividade e Estratégia
Esta nova capacidade não é para todos. Atualmente, está disponível apenas para subscritores dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra, e limitada ao idioma inglês nos Estados Unidos.
Esta estratégia de “paywall” sugere que a Google vê a personalização extrema como um serviço premium. É também uma resposta direta a concorrentes como a OpenAI e a Perplexity, que têm tentado reinventar a pesquisa. A Google tem uma vantagem que eles não têm: décadas de dados pessoais dos utilizadores armazenados no ecossistema Workspace. Ao ativar esta ligação, a Google torna a sua pesquisa muito mais “pegajosa” e difícil de substituir, pois nenhum outro motor de busca sabe o que compraste ontem ou onde passaste férias no ano passado.
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