O mercado automóvel europeu encerrou 2025 com um marco histórico: pela primeira vez, as vendas de carros 100% elétricos (BEV) superaram as de carros a gasolina no mês de dezembro. No entanto, o que deveria ser uma volta de vitória para a Tesla, a marca que iniciou esta revolução, transformou-se num pesadelo de vendas. A empresa de Elon Musk registou o pior desempenho entre todos os grandes fabricantes, caindo quase 40% num ano em que o mercado de elétricos explodiu.
Os dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) revelam uma Europa dividida: os consumidores estão a abraçar os elétricos como nunca, mas estão a virar as costas à Tesla em favor de novas opções, nomeadamente da chinesa BYD.
O “boom” de dezembro: elétricos superam gasolina
O final do ano trouxe números impressionantes para a mobilidade elétrica. Em dezembro, as vendas de BEV cresceram 51% em relação ao ano anterior.
Este aumento foi suficiente para que os elétricos atingissem uma quota de mercado superior à dos carros exclusivamente a gasolina. Se incluirmos os países fora da UE (como o Reino Unido e a Noruega), os números são ainda mais claros:
- BEV: 26.3% de quota.
- Gasolina: 21.7% de quota.
A gasolina e o diesel continuam a sua queda lenta, com descidas de 19.2% e 22.4%, respetivamente, sinalizando que a transição energética é uma realidade de mercado, independentemente dos lobbies políticos.

Tesla em queda livre (-37.2%) vs. BYD em ascensão (+228%)
A grande surpresa é o desempenho desastroso da Tesla. Num ano em que o mercado de elétricos cresceu, a Tesla viu as suas vendas na Europa caírem uns estonteantes 37.2%.
Este foi o maior tombo de qualquer grande fabricante (apenas superado pelas marcas de nicho Jaguar e Lancia). A ironia é que a Tesla, uma marca exclusivamente elétrica, deveria ter surfado a onda de crescimento. Em vez disso, afundou-se.
O contraste com a BYD não podia ser maior. A rival chinesa foi a marca com maior crescimento em 2025, disparando 228% e passando de 39 mil para 129 mil carros vendidos.
O “fator Musk”?
Analistas e publicações especializadas, como o Electrek, apontam o dedo não aos carros, mas ao CEO. A queda da Tesla é atribuída, em parte, à crescente rejeição da figura de Elon Musk na Europa. As suas polémicas políticas e a perceção de instabilidade na liderança podem estar a alienar os consumidores europeus, que agora têm alternativas viáveis e competitivas de outras marcas.
Enquanto a Europa celebra o marco histórico da eletrificação, a Tesla entra em 2026 com um problema sério de imagem e vendas para resolver.
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