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MacBook Neo no limite: o milagre e o desastre no gaming

Vitor Urbano por Vitor Urbano
13/03/2026
Em Apple

O MacBook Neo não foi desenhado para ser uma estação de combate para jogadores profissionais. Equipado com o processador A18 Pro — uma peça de engenharia impressionante, mas herdada de uma arquitetura móvel — o dispositivo enfrenta dois obstáculos físicos imediatos: a ausência de ventilação ativa (arrefecimento passivo) e o limite estrito de 8GB de memória.

Ainda assim, o que Tsai descobriu desafia algumas expetativas, especialmente quando entramos no território dos jogos otimizados nativamente para o ecossistema da Apple.

O triunfo da otimização nativa

Se pensavas que o Cyberpunk 2077, um dos jogos mais exigentes da atualidade, transformaria o MacBook Neo num pisa-papéis caro, enganaste-te. Embora tenha sido necessário baixar a resolução para 720p e colocar as definições gráficas no mínimo, o jogo correu de forma “quase jogável”. Para um chip móvel num portátil sem ventoinhas, isto é descrito como um pequeno milagre tecnológico.

A situação melhora drasticamente em títulos que receberam atenção direta dos produtores para o Metal (a API gráfica da Apple):

  • Resident Evil 2 Remake: Alcançou uns sólidos 60fps a 1080p.
  • Control: O título da Remedy manteve-se nuns fluidos 50fps a 1080p, proporcionando uma experiência que Tsai classificou como “uma vitória para a otimização do Apple Silicon”.

Estes resultados provam que, quando o software é escrito especificamente para tirar partido da arquitetura do processador A18 Pro, os 8GB de memória conseguem ser esticados até ao limite do que parecia impossível.

Apple macbook neo

Onde o sonho acaba: o muro dos 8GB de memória

Nem tudo são boas notícias. Onde o MacBook Neo brilha na natividade, ele falha redondamente na tradução. Ao tentar correr jogos desenvolvidos originalmente para Windows através de camadas de compatibilidade como o CrossOver, o sistema embate num muro de betão.

O problema não é apenas o poder de processamento bruto, mas sim a gestão de recursos. Camadas de tradução consomem memória preciosa, e num sistema onde a memória é partilhada entre o processador e a placa gráfica, 8GB desaparecem num instante.

Os números que assustam

Se tens esperança de jogar competitivamente no MacBook Neo através de emulação ou tradução, os testes de Tsai trazem um banho de realidade:

  1. Counter-Strike 2: O jogo registou uns sofríveis 5fps. Sim, leste bem. É, para todos os efeitos, completamente injogável.
  2. Resident Evil Requiem: Apesar de correr a 720p nas definições mais baixas, não passou dos 15fps.

Nestes casos, a memória unificada ficou totalmente saturada. Sem espaço para respirar, o sistema entra em colapso de desempenho, provando que o MacBook Neo seleciona os seus combates: ou o jogo é nativo, ou a experiência será, muito provavelmente, para esquecer.

Escolhe bem as tuas batalhas gráficas

Se estás a planear adquirir este portátil e queres passar algum tempo a jogar, a estratégia passa por olhar para o passado ou para títulos independentes. O teste demonstrou que o MacBook Neo “voa” em jogos menos exigentes. O Minecraft, por exemplo, atingiu valores entre 200 e 300fps a 1080p.

Títulos mais antigos, como Dark Souls Remastered, também se sentem em casa, mantendo 60fps estáveis a 1080p. Isto sugere que o MacBook Neo pode ser uma excelente máquina de retrogaming ou para jogos indie, mas uma escolha arriscada para quem persegue os grandes lançamentos de última geração que não tenham o selo de “Otimizado para Mac”.

O fator temperatura

Outro ponto crítico realçado nos testes é a gestão térmica. Como o MacBook Neo é silencioso e não possui ventoinhas, o calor acumula-se durante sessões prolongadas. Isto leva ao thermal throttling, onde o processador reduz a sua velocidade para não derreter os componentes internos. No gaming, isto traduz-se em quebras de performance após 20 ou 30 minutos de jogo intenso.

No fundo, o MacBook Neo é uma prova de conceito impressionante. Mostra que a Apple consegue colocar performance de topo num pacote ultraportátil, mas também serve de aviso: os 8GB de memória são, e continuarão a ser, o maior travão para quem quer levar o gaming a sério nesta plataforma.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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