A UL Solutions, entidade responsável pelos populares testes de desempenho 3DMark, tomou a decisão drástica de remover os novos Redmagic 11 Pro e Pro Plus das suas tabelas classificativas.
Em causa está a manipulação de resultados através de mecanismos de software que detetam a execução de testes, inflando a performance de forma artificial. O caso torna-se ainda mais caricato quando consideramos que estes dispositivos estão equipados com sistemas de arrefecimento ativo de última geração, incluindo ventoinhas físicas e câmaras de vapor.

O escândalo que abalou o ranking da 3DMark
Se acompanhas o mercado dos dispositivos móveis focados em videojogos, sabes que a Redmagic é um dos nomes mais fortes no setor. No entanto, a reputação da marca sofreu agora um duro golpe. Os modelos Redmagic 11 Pro e 11 Pro Plus foram oficialmente deslistados de vários rankings importantes da 3DMark, especificamente nos testes Solar Bay, Solar Bay Extreme, Steel Nomad Light e Slingshot Extreme.
A justificação da UL Solutions é clara e direta: os dispositivos não cumpriram as regras de benchmark estabelecidas. No mundo da tecnologia, isto é o equivalente a ser apanhado num exame com cábulas. Quando um fabricante configura o software do telemóvel para agir de forma diferente apenas quando reconhece uma aplicação de teste, está a enganar não só as entidades certificadoras, mas principalmente a ti, o consumidor.
Como a “batota” foi descoberta no YouTube
A prova documental desta manipulação surgiu inicialmente num canal de YouTube japonês, que decidiu investigar o comportamento térmico e de desempenho desta nova série. O teste foi simples mas revelador: os investigadores compararam os resultados obtidos com a aplicação 3DMark oficial disponível na loja da Google e uma versão “camuflada” ou oculta da mesma aplicação.
Os resultados foram gritantes. Quando o telemóvel reconhecia a aplicação original, o processador era levado ao limite absoluto, atingindo temperaturas perigosas de 55 graus Celsius. Em muitos casos, o Redmagic 11 Pro nem sequer conseguia terminar o teste de stress, desligando-se por segurança térmica. Já na versão camuflada — que o sistema do telemóvel não identificava como um benchmark — o dispositivo funcionava de forma muito mais conservadora, completando o teste com uma temperatura máxima de 40 graus Celsius.
Esta disparidade prova que a marca programou o dispositivo para ignorar os limites de segurança e eficiência energética apenas para exibir números impressionantes em gráficos de marketing, algo que não se traduz na tua utilização diária.

Ventoinha e arrefecimento líquido não foram suficientes
O aspeto mais irónico desta situação é que a Redmagic sempre se orgulhou do seu hardware de arrefecimento. Estes modelos contam com uma ventoinha interna de alta velocidade e um sistema complexo de dissipação de calor por líquido. No entanto, parece que nem esta engenharia foi capaz de conter o calor gerado pela manipulação do processador.
Quando o software força o processador a trabalhar em frequências que não são sustentáveis a longo prazo, o hardware sofre. Chegar aos 55 graus Celsius num dispositivo portátil é excessivo e pode, a médio prazo, degradar a saúde da bateria e de outros componentes internos. Esta estratégia de “tudo ou nada” serve apenas para ganhar títulos de “telemóvel mais potente do mundo”, mas falha em entregar uma experiência de jogo equilibrada.
O problema ético das listas brancas de aplicações
A prática de criar uma “lista branca” de aplicações para otimizar o desempenho não é, por si só, ilegal ou má. Muitos fabricantes fazem-no para garantir que, quando abres um jogo exigente, o processador entrega o máximo de potência, enquanto em apps como o WhatsApp ou o bloco de notas, o consumo é reduzido para poupar bateria.
O problema reside no facto de esta otimização ser aplicada de forma específica e exclusiva a aplicações de benchmark. Se compras um telemóvel porque viste um gráfico a dizer que ele é o mais rápido do mercado, esperas que essa velocidade esteja presente em todos os cenários. Se essa performance só existe para “inglês ver” e resulta em aquecimento extremo que o telemóvel não aguenta em condições normais, estás a ser enganado por uma estratégia de marketing agressiva e pouco transparente.
Embora a Redmagic não seja a primeira marca a ser apanhada nestas manobras — recorde-se o caso recente da realme e de tantas outras marcas no passado — o facto de acontecer num dispositivo desenhado especificamente para alta performance deixa um sabor amargo. Afinal, se o hardware é tão bom como dizem, por que razão sentiram necessidade de manipular os dados?
Até ao momento, a Redmagic ainda não emitiu um comunicado oficial detalhado sobre esta deslistagem, mas o impacto na comunidade tecnológica já é visível. Fica o aviso: nem tudo o que brilha nos gráficos de desempenho é ouro, e às vezes, a potência máxima tem um custo térmico que o teu telemóvel não consegue pagar.
Outros artigos interessantes:







