A falta de competências em cibersegurança continua a paralisar as contratações no setor tecnológico à escala global num momento em que os ataques informáticos atingem níveis críticos. A conclusão consta de um documento publicado em maio de 2026 pela Fortinet, após a consulta a mais de 2.750 decisores de tecnologias de informação em 32 países. O 2026 Global Cybersecurity Skills Gap Report indica que a escassez de talento especializado constitui o principal fator por trás de incidentes informáticos graves nas empresas.

Qual é o custo financeiro das falhas de segurança corporativa
As quebras na infraestrutura de proteção provocam um impacto financeiro direto que ultrapassa um milhão de dólares para mais de metade das empresas afetadas. A Fortinet explica que 86% das entidades inquiridas sofreram pelo menos uma intrusão nos últimos doze meses.
Os dados recolhidos junto de líderes operacionais (sobretudo nos setores da tecnologia, indústria transformadora e serviços financeiros) confirmam uma degradação na eficácia das defesas de rede. O continente norte-americano apresenta os piores indicadores, com um custo médio de dois milhões de dólares por violação de segurança. O impacto atinge a gestão de topo. Metade das organizações admite aplicar penalizações a membros do conselho de administração após o sucesso de um ciberataque. Pelo terceiro ano consecutivo, 56% dos líderes identificam a carência de talento como a origem das falhas.
Como a escassez de talento afeta a adoção de tecnologias defensivas
A adoção de mecanismos defensivos com base em inteligência artificial esbarra na dificuldade em recrutar profissionais com experiência específica na supervisão de modelos computacionais. Cerca de 51% dos líderes revelam necessitar de competências seniores, mas 49% afirmam ter dificuldades em obter aprovação orçamental para efetuar essas contratações.
Para resolver a falta de recursos humanos, as empresas financiam a requalificação dos quadros existentes. Os dados demonstram uma disponibilidade crescente para a formação interna, justificada pela necessidade de manter as operações seguras face a ameaças automatizadas.
A tabela resume a adoção de ferramentas e as expectativas de formação tecnológica.
Quais são as estratégias empresariais para recrutar novos perfis
As empresas apostam na criação de parcerias e na integração de grupos sub-representados para diversificar a base de talento. O relatório quantifica o esforço para atrair profissionais e resolver o défice de recursos humanos na segurança da informação.
As estatísticas comprovam a adoção de métodos de recrutamento alternativos.
- O recurso a estágios e a programas de aprendizagem para captar grupos demográficos sub-representados atinge 92% das respostas.
- Cerca de 71% das organizações já define metas formais de contratação focadas especificamente nestes perfis diversos.
- O desenvolvimento de programas internos de formação é a via preferida por 59% das entidades.
- A contratação de sessões de treino a fornecedores da indústria regista 52% das preferências.
Qual é a perspetiva dos executivos sobre a resiliência das redes
A resiliência das infraestruturas exige uma abordagem integrada que combine educação contínua, certificações e tecnologias de proteção avançadas. Carl Windsor, Chief Information Security Officer da Fortinet, adverte para a postura das administrações perante a ameaça.
“A cibersegurança não é apenas uma questão técnica, mas um risco estratégico para o negócio“. O executivo acrescenta que o relatório sugere que as administrações reconhecem o problema, mas falham na ação corretiva. “É necessário mais investimento para responder a desafios críticos, como os riscos emergentes da IA e a contínua escassez de competências em cibersegurança“.
A indústria avança com programas de grande escala para atenuar a falta de competências em cibersegurança. O Fortinet Training Institute confirmou o compromisso de treinar um milhão de pessoas até ao final do ano, de modo a injetar profissionais num mercado onde a procura excede a oferta.
Conclusão Analítica
As implicações futuras sugerem que a cibersegurança deixará de ser tratada como um silo tecnológico para se tornar uma métrica central de governação. A automação defensiva é inevitável, mas o seu sucesso depende da supervisão humana qualificada. As organizações que não conseguirem desbloquear orçamentos para especialistas seniores enfrentarão riscos de responsabilidade civil e penal para as suas administrações.
FAQ
O que causa o aumento dos incidentes de cibersegurança em 2026?
A carência de profissionais qualificados é a causa principal identificada por 56% dos líderes tecnológicos. A utilização de ferramentas de inteligência artificial por cibercriminosos agrava este cenário, uma vez que as equipas internas nem sempre possuem as competências necessárias para supervisionar modelos defensivos automatizados de forma eficaz.
Como é que a inteligência artificial afeta a gestão de talentos nas empresas
A inteligência artificial está a criar uma nova lacuna de competências. Cerca de 63% dos executivos preveem uma necessidade crescente de funções ligadas à governação da IA. Atualmente, 60% dos recrutadores admitem que encontrar talento com experiência específica em modelos computacionais avançados é o maior desafio do setor.
Qual é o custo médio de um ciberataque para as organizações?
O custo médio de uma violação de segurança atinge os dois milhões de dólares na América do Norte. Globalmente, 52% das empresas reportaram prejuízos superiores a um milhão de dólares no último ano. Estes valores representam um aumento significativo, refletindo a maior sofisticação e o impacto das ameaças no negócio.
Pontos principais
- A escassez de talento é a causa raiz de falhas críticas em 56% das organizações.
- Os custos por incidente superam um milhão de dólares para a maioria das empresas afetadas.
- Cerca de 92% das organizações planeiam investir em certificações de cibersegurança e IA este ano.
- Metade dos conselhos de administração sofreu sanções após a ocorrência de ataques informáticos graves.
- A procura de competências seniores em supervisão de IA é a prioridade estratégica para os próximos três anos.
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