A Mistral AI fechou uma ronda de financiamento Série D de três mil milhões de euros que avalia a empresa em mais de 21 mil milhões após a entrada do novo capital. A operação ocorre três anos depois da fundação da tecnológica e reforça os recursos disponíveis para investigação, capacidade computacional e expansão internacional.

A Samsung Electronics liderou a ronda, com o Scaleup Europe Fund e a PSG Equity na qualidade de colíderes. A Mistral AI apresenta a operação como a maior ronda de capital alguma vez concluída por uma empresa tecnológica europeia.
Pontos principais
- A Mistral AI obteve três mil milhões de euros numa ronda Série D.
- A avaliação após o investimento ultrapassa 21 mil milhões de euros.
- A Samsung liderou a operação.
- O Scaleup Europe Fund e a PSG Equity participaram como colíderes.
- O capital financiará investigação, infraestrutura e capacidade de processamento.
- A empresa prevê alcançar mil milhões de dólares em receita anual recorrente até ao final de 2026.
Consórcio global e reforço de investidores estratégicos
A composição da ronda esclarece a divergência inicial entre algumas notícias. De acordo com o anúncio oficial, a Samsung Electronics liderou o investimento. O Scaleup Europe Fund, gerido pela EQT, e a PSG Equity participaram como colíderes.
A operação também recebeu novos investimentos de fundos geridos pela BlackRock, da Advent e do Grão-Ducado do Luxemburgo. Entre os investidores anteriores que voltaram a participar encontram-se a ASML, Nvidia, Salesforce Ventures, Bpifrance, Andreessen Horowitz, General Catalyst, Index Ventures e Lightspeed.
A Mistral não revelou o valor aplicado por cada entidade. As informações publicadas antes da conclusão apontavam para um possível investimento de cerca de mil milhões de euros por parte da Samsung, mas o anúncio final não confirma esse montante.
O valor de 21 mil milhões de euros corresponde a uma avaliação post-money. Isto significa que já contabiliza os três mil milhões captados na ronda. Não representa receita, lucro nem capital disponível antes da operação.
A Reuters confirmou os termos do financiamento e descreveu-o como a maior ronda de capital de uma empresa tecnológica privada europeia.
Nova avaliação quase duplica valor alcançado em 2025
A Mistral AI obteve 1,7 mil milhões de euros em setembro de 2025, numa ronda liderada pela fabricante neerlandesa de equipamentos para semicondutores ASML. Essa operação avaliou a empresa em 11,7 mil milhões de euros após o investimento.
Um ano depois, a avaliação supera 21 mil milhões. A subida coloca a Mistral entre as empresas tecnológicas privadas com maior valor na Europa, embora a distância face às principais empresas norte-americanas de inteligência artificial permaneça elevada.
A Anthropic e a OpenAI dispõem de avaliações e recursos financeiros muito superiores. A diferença reflete o custo do treino dos modelos, da compra de processadores e da construção de centros de dados para inteligência artificial.
O financiamento não garante que os modelos da Mistral alcancem os concorrentes. Dá à empresa mais capacidade para financiar o desenvolvimento técnico e suportar os custos de infraestrutura exigidos pela competição.
Investimento reforça investigação e capacidade computacional
A empresa pretende utilizar o capital para expandir a investigação em modelos avançados, aumentar a capacidade de treino e desenvolver a respetiva infraestrutura. Parte dos recursos também apoiará o crescimento comercial e a entrada em novos mercados.
A Mistral opera em 20 países e declara prestar serviços a mais de 125 empresas. Entre os clientes identificados encontram-se a Airbus, ASML e HSBC.
Johan Bergqvist, diretor financeiro da Mistral, afirmou à Reuters que a empresa poderá alcançar mil milhões de dólares em receita anual recorrente até ao final de 2026. A previsão pertence à administração e ainda não corresponde a receitas realizadas durante um exercício completo.
A base de clientes tem crescido sobretudo na Ásia e na América do Norte. A empresa não apresentou, contudo, dados sobre rentabilidade, custos de infraestrutura ou distribuição geográfica das receitas.
Uma entrada em bolsa permanece como possibilidade futura. Bergqvist esclareceu que não existem negociações em curso nem um calendário definido para essa operação.
Modelos abertos sustentam estratégia de soberania
A Mistral AI procura distinguir-se através de modelos com pesos abertos, que as organizações podem descarregar, adaptar e executar na sua própria infraestrutura. Esta abordagem permite maior controlo sobre os dados, os custos de processamento e as condições de utilização.
A empresa também desenvolve serviços de nuvem, ferramentas para programadores e soluções destinadas a setores como finanças, indústria, energia e administração pública. A estratégia procura abranger os modelos, a infraestrutura de computação e os produtos utilizados pelas empresas.
Este posicionamento sustenta a promessa de soberania tecnológica. Uma organização pode manter dados e modelos nos seus próprios sistemas, sem depender inteiramente da infraestrutura de um fornecedor externo.
A abertura, porém, varia entre modelos e produtos. A disponibilidade dos pesos não significa que todos os componentes, dados de treino ou serviços comerciais tenham código aberto. Cada modelo exige uma análise da licença e das condições aplicáveis.
Europa ganha um concorrente com mais recursos
A participação do Scaleup Europe Fund dá uma dimensão política à ronda. O fundo pretende apoiar empresas europeias que necessitam de capital elevado para competir em mercados globais, sem terem de depender apenas de investidores estrangeiros.
A operação também revela os limites desta ambição. A principal investidora é a Samsung, um grupo sul-coreano, enquanto várias empresas e fundos norte-americanos permanecem no capital da Mistral. A soberania europeia não equivale, neste caso, a financiamento exclusivamente europeu.
A relação com fabricantes como a Samsung, ASML e Nvidia pode facilitar o acesso a memória, equipamentos de produção e processadores. Também aproxima a Mistral de empresas que controlam partes essenciais da cadeia de infraestrutura da inteligência artificial.
Os três mil milhões de euros não colocam a Mistral em igualdade financeira com a OpenAI ou a Anthropic. Representam, contudo, um aumento material da capacidade da empresa para desenvolver modelos, contratar especialistas e expandir serviços fora da Europa.
O resultado dependerá da conversão desse capital em progresso técnico, clientes e receitas sustentáveis. A dimensão da ronda reforça a posição da Mistral AI, mas também aumenta as expectativas dos investidores sobre o crescimento da empresa.
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