A Google anunciou uma parceria com a União Internacional das Telecomunicações, UIT, para disponibilizar 100.000 bolsas de formação Google destinadas ao acesso a certificados profissionais e cursos de competências digitais. A iniciativa será desenvolvida em mais de 80 países através da AI Skills Coalition e da rede Giga.

As bolsas não serão atribuídas diretamente pela Google aos candidatos. A seleção e distribuição ficará a cargo dos governos participantes, que terão de identificar os grupos prioritários e definir a forma de implementação de acordo com as respetivas necessidades nacionais.
Segundo a Google, o programa pretende facilitar o acesso a formação prática para estudantes, professores, candidatos a emprego, empreendedores, pequenos empresários e trabalhadores da administração pública. A iniciativa foi anunciada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Formação abrange IA, dados e cibersegurança
Apesar de a inteligência artificial ocupar uma posição central no anúncio, as bolsas abrangem um conjunto mais amplo de competências digitais.
A página do Giga Learning Hub da UIT refere cursos em inteligência artificial, análise de dados, cibersegurança, tecnologias de informação, gestão de projetos, marketing digital e design de experiência do utilizador.
Os países poderão direcionar a formação para diferentes grupos, entre os quais funcionários públicos, professores, estudantes, jovens, candidatos a emprego e empreendedores.
A Google refere que os participantes terão acesso a formação prática e certificados destinados a comprovar as competências adquiridas. Os cursos vão complementar mais de 200 formações já disponíveis no catálogo da AI Skills Coalition.
A parceria distingue-se, por isso, de anteriores programas de formação da empresa. A Google já disponibiliza cursos como o Google AI Professional Certificate, apresentado em fevereiro de 2026, mas a nova iniciativa acrescenta um modelo de distribuição coordenado com governos e organismos internacionais.
Países podem receber inicialmente até 10 mil bolsas
A UIT prevê uma dotação inicial de até 10.000 bolsas por país, durante um período inicial de utilização de seis meses.
Este limite não significa que todos os participantes recebam automaticamente esse número. A organização explica que a distribuição terá em conta fatores como a população, a capacidade de implementação, o impacto previsto e a procura total.
Os países que apresentem taxas de inscrição, utilização e conclusão superiores a 70% poderão receber bolsas adicionais.
A participação está aberta a países envolvidos na iniciativa Giga ou que tenham manifestado interesse no programa. Os governos terão ainda de indicar os objetivos nacionais de formação, os grupos de beneficiários, o número de certificados pretendido e o processo previsto para selecionar e acompanhar os participantes.
Candidaturas decorrem até 21 de outubro
As manifestações de interesse dos governos podem ser apresentadas até 21 de outubro de 2026. A UIT prevê avaliar as candidaturas entre 22 e 27 de outubro e anunciar os governos selecionados a 28 de outubro.
O início da formação está previsto para novembro. A documentação da UIT apresenta, no entanto, uma data final de junho de 2026, que é incompatível com o calendário restante, onde constam sessões de acompanhamento até maio de 2027 e a apresentação dos primeiros resultados em junho de 2027. Tudo indica tratar-se de um erro na página da organização.
A UIT e a Google vão acompanhar indicadores como a ativação das bolsas, participação, conclusão dos cursos, certificados obtidos e utilização das competências adquiridas na educação, emprego e administração pública.
A iniciativa apoia também a Giga, uma parceria entre a UIT e a UNICEF que trabalha com governos para ligar escolas à Internet e aumentar o acesso dos jovens a recursos digitais.
Até ao momento, a documentação consultada não identifica os países que receberão as bolsas, pelo que não é possível confirmar se Portugal fará parte desta fase do programa.
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