A Google vai testar processadores de IA no espaço pela primeira vez já na próxima semana. Um satélite protótipo equipado com unidades de processamento Tensor Processing Unit, ou TPU, seguirá para a órbita terrestre baixa na missão Transporter-18 da SpaceX.

O teste faz parte do Project Suncatcher, uma investigação da Google sobre a possibilidade de, no futuro, colocar infraestrutura de computação para inteligência artificial no espaço. A missão foi desenvolvida em parceria com a Planet e servirá para avaliar o comportamento do hardware durante o lançamento e nas condições encontradas em órbita.
A novidade está sobretudo no calendário. Quando apresentou o Project Suncatcher em novembro de 2025, a Google previa lançar dois satélites experimentais até ao início de 2027. O novo protótipo antecipa os testes em órbita e permitirá recolher dados antes dessa experiência.
Google quer saber se as TPU conseguem funcionar no espaço
Esta primeira missão não pretende demonstrar um centro de dados orbital. O objetivo é perceber se as TPU conseguem resistir às condições do voo espacial e continuar a funcionar de forma fiável em órbita terrestre baixa.
Segundo a Google, o satélite permitirá estudar os efeitos das forças do lançamento, da radiação e das condições térmicas encontradas no espaço. A empresa também pretende avaliar o sistema de arrefecimento desenvolvido para as TPU.
O controlo da temperatura é um dos principais problemas técnicos. No espaço não existe circulação de ar, pelo que o calor produzido pelos processadores tem de ser transferido para radiadores. A Google afirma que está a testar soluções baseadas em tubos de calor e radiadores e que já realizou experiências numa câmara de vácuo térmico.
Project Suncatcher mantém teste com dois satélites para 2027
O projeto parte da hipótese de que satélites em órbita terrestre baixa poderiam aproveitar uma exposição solar quase contínua. Segundo a Google, estas condições podem permitir gerar até oito vezes mais energia solar do que uma instalação equivalente na superfície terrestre.
A disponibilidade de energia é relevante porque a expansão dos centros de dados para inteligência artificial está a aumentar a procura por capacidade elétrica. A Reuters refere que empresas como SpaceX e Starcloud também estudam infraestruturas orbitais como uma forma de contornar algumas limitações das redes elétricas terrestres.
Mas a energia é apenas uma parte do problema. Uma infraestrutura de computação distribuída no espaço exige comunicações rápidas entre satélites, sistemas capazes de dissipar grandes quantidades de calor e custos de lançamento suficientemente baixos para permitir uma operação em escala.
É precisamente a comunicação entre satélites que deverá estar no centro da próxima fase do Project Suncatcher. Em 2027, a Google prevê colocar dois protótipos em órbita para testar ligações laser de elevada largura de banda entre as plataformas. A empresa considera esta tecnologia necessária para que grupos de satélites possam, no futuro, trabalhar em conjunto em cargas de computação de IA.
Por enquanto, o Project Suncatcher continua numa fase experimental. O lançamento da próxima semana deverá fornecer os primeiros dados reais sobre o comportamento das TPU da Google em órbita, mas não representa ainda a demonstração de um centro de dados espacial operacional.
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