O investimento da Google na Finlândia ascende a pelo menos 13 mil milhões de euros durante 2027 e 2028 e destina-se a expandir a infraestrutura digital necessária para responder ao crescimento dos serviços de inteligência artificial e de outras plataformas da empresa.

O plano inclui novos centros de dados, infraestrutura de suporte, investimentos e parcerias em Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala. Segundo a Google, trata-se do maior investimento isolado da empresa na Europa até à data e deverá aumentar a capacidade que suporta serviços como Gemini, Pesquisa Google e Maps.
Investimento da Google na Finlândia expande infraestrutura de IA
A Google mantém presença na Finlândia há 15 anos, depois de ter convertido uma antiga fábrica de papel em Hamina num centro de dados. Entre 2023 e 2025, as operações da empresa naquela cidade envolveram mais de 600 fornecedores finlandeses nas áreas de construção, operação e redes de fibra.
O novo programa representa uma expansão dessa presença. Além de Hamina, onde a empresa continuará a desenvolver a infraestrutura existente, o investimento abrange projetos e parcerias relacionados com Kajaani, Muhos e Vaala.
A escolha da Finlândia está também associada à disponibilidade de eletricidade de baixo carbono e às características da rede elétrica. A Google pretende localizar parte da nova infraestrutura no centro e norte do país, em zonas com capacidade energética disponível e produção próxima dos novos pontos de consumo.
Esta relação entre centros de dados e sistema elétrico tornou-se uma componente central do investimento, numa altura em que a expansão da inteligência artificial aumenta a procura por capacidade computacional e, consequentemente, por eletricidade.
Acordo nuclear garante energia durante 22 anos
A expansão será acompanhada por um programa energético de longo prazo.
A Google assinou com a Fortum um Power Purchase Agreement (PPA) com duração de 22 anos relacionado com a central nuclear de Loviisa. O contrato começa em 2028 com uma capacidade mais reduzida e deverá abranger 50% da capacidade de produção da central entre 2030 e 2049.
O acordo dá à Fortum maior previsibilidade de receitas para prosseguir os investimentos necessários ao prolongamento da vida útil da central até 2050. A energética finlandesa tem em curso um programa de aproximadamente 1.000 milhões de euros, embora cerca de 700 milhões de euros do investimento necessário ainda dependam de decisões futuras.
A central de Loviisa produz atualmente cerca de 10% da eletricidade da Finlândia e emprega aproximadamente 580 pessoas. Sem os investimentos destinados a prolongar a sua vida operacional, a instalação não poderia continuar a produzir eletricidade depois de 2030.
O PPA deverá também permitir um aumento adicional de 10 MW na potência da central, além de uma subida de 38 MW já prevista para 2028.
Google e Fortum assinaram ainda um memorando de entendimento para estudar o desenvolvimento de nova capacidade nuclear, energias renováveis e soluções de flexibilidade energética.
Energia ganha peso na expansão da inteligência artificial
O investimento finlandês mostra como a expansão da inteligência artificial passou a depender também da disponibilidade de energia.
Os centros de dados necessários para treinar e executar modelos de IA requerem volumes elevados e previsíveis de eletricidade. Na Finlândia, a Google pretende combinar contratos de longo prazo com nova produção renovável e sistemas capazes de ajudar a equilibrar a rede.
Entre as iniciativas anunciadas encontra-se um sistema de baterias de 94 MW, destinado a reforçar a flexibilidade da rede em períodos de menor produção renovável. A empresa prevê ainda apoiar nova capacidade eólica terrestre.
A estratégia procura associar o crescimento da procura dos centros de dados à entrada ou manutenção de capacidade energética de baixo carbono no sistema. No caso de Loviisa, o contrato da Google dá à Fortum uma fonte previsível de receitas para justificar investimentos que prolonguem a operação da central.
Google estima impacto de €3,6 mil milhões anuais no PIB
Durante a fase inicial de construção, prevista para 2027 e 2028, a Google estima que os investimentos possam apoiar mais de 37 mil postos de trabalho na economia finlandesa.
A empresa calcula também uma contribuição de aproximadamente 3,6 mil milhões de euros por ano para o produto interno bruto da Finlândia durante esse período.
Quando as novas instalações estiverem operacionais, a Reuters refere que as operações poderão sustentar cerca de 7 mil postos de trabalho por ano.
Estes valores correspondem a estimativas económicas associadas ao investimento e incluem efeitos para além dos empregos diretamente criados pela Google, pelo que não devem ser interpretados como 37 mil novos postos de trabalho permanentes na empresa.
O programa prevê ainda 31 milhões de euros para comunidades locais em Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala durante os próximos quatro anos. Entre as iniciativas estão programas de formação em inteligência artificial para mais de 4.400 trabalhadores e oportunidades de preparação profissional para 100 estudantes finlandeses.
Maior investimento europeu da Google
Os 13 mil milhões de euros previstos para 2027 e 2028 colocam a Finlândia no centro da expansão europeia da infraestrutura da Google.
A Alphabet prevê atualmente despesas de capital globais entre 195 mil milhões e 205 mil milhões de dólares, segundo a Reuters, num período de forte investimento em centros de dados e capacidade computacional destinada à inteligência artificial.
Na Finlândia, essa expansão está diretamente ligada ao sistema elétrico. O acordo nuclear com a Fortum, os novos projetos eólicos e o sistema de baterias de 94 MW mostram que a disponibilidade de eletricidade passou a influenciar não apenas a operação, mas também a localização das novas infraestruturas de IA.
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