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Europol atinge rede de banqueiros clandestinos ligada ao tráfico de droga

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
08/09/2026
Em Segurança

Uma investigação iniciada com a apreensão de 1,8 toneladas de cocaína ao largo da costa espanhola levou à identificação de uma rede internacional de banqueiros clandestinos suspeita de movimentar dinheiro para organizações criminosas em vários países. A operação resultou em 21 detenções e permitiu identificar cerca de 20 milhões de euros em ativos, segundo a Europol.

Europol atinge rede de banqueiros clandestinos ligada ao tráfico de droga
Imagem conceitual gerada por IA (ChatGPT)

A investigação foi liderada pela Polícia Nacional de Espanha e contou com o apoio da Europol. Entre os suspeitos está um operador financeiro classificado pela agência europeia como alvo de elevado valor, detido nos Emirados Árabes Unidos. As autoridades identificaram ainda 48 propriedades e 121 contas bancárias relacionadas com o caso.

Banqueiros clandestinos financiavam operações do crime organizado

No centro da investigação está uma estrutura conhecida como “Dubai Bank”. Apesar da designação, não se trata de uma instituição bancária convencional, mas de uma rede clandestina que, segundo a Europol, prestava serviços financeiros a organizações criminosas.

A estrutura é suspeita de ter fornecido os meios necessários para financiar grandes carregamentos de droga e movimentar posteriormente as receitas obtidas com a sua venda.

Este tipo de underground banking permite transferir valor entre diferentes países através de operadores que recebem e entregam fundos em jurisdições distintas, sem que todas as operações tenham de passar pelos canais bancários convencionais. Os saldos entre os intermediários podem ser compensados posteriormente através de outros fluxos financeiros ou comerciais.

Para as organizações criminosas, estes operadores funcionam como prestadores de serviços financeiros: permitem pagar fornecedores, deslocar dinheiro entre países e ocultar a origem ou o destino das receitas.

Investigação começou com apreensão de 1,8 toneladas de cocaína

O caso teve origem na apreensão de 1,8 toneladas de cocaína ao largo da costa espanhola. A investigação financeira que se seguiu permitiu às autoridades avançar além da cadeia de transporte da droga e chegar aos operadores suspeitos de movimentar o dinheiro associado às atividades criminosas.

Segundo a Europol, a investigação acabou por expor uma estrutura com capacidade para movimentar fundos ilícitos à escala internacional. A agência europeia descreve alguns dos suspeitos como estando entre os maiores banqueiros clandestinos identificados pelas autoridades, uma classificação que deve ser entendida como uma avaliação da própria Europol.

A operação mostra também uma estratégia que ultrapassa a detenção dos responsáveis diretos pelos crimes. As autoridades procuram atingir os serviços, ativos e infraestruturas que permitem às organizações criminosas continuar a operar. A mesma lógica esteve presente na Operação Endgame, na qual as autoridades atacaram infraestruturas de cibercrime e identificaram ou congelaram mais de 41 milhões de euros em ativos digitais.

Europol coloca infraestruturas financeiras entre os principais alvos

A investigação evidencia a importância dos intermediários financeiros no funcionamento do crime organizado. Sem mecanismos para movimentar e reutilizar as receitas obtidas com o tráfico de droga, as organizações têm mais dificuldade em financiar novos carregamentos, pagar fornecedores e transferir fundos entre diferentes países.

É por essa razão que as investigações financeiras podem prolongar-se muito além da apreensão inicial de droga. Ao seguir os fluxos de dinheiro, as autoridades procuram identificar não apenas os traficantes, mas também os operadores que prestam serviços simultaneamente a várias organizações criminosas.

No caso agora divulgado, a Europol atribui os resultados a vários anos de cooperação internacional entre autoridades policiais e parceiros privados. A investigação envolveu, além de Espanha e dos Emirados Árabes Unidos, autoridades de outros países e permitiu chegar a ativos e contas associados à estrutura financeira investigada.

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Tags: Europolrede de banqueiros clandestinostráfico de drogas
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, criou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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