A Samsung prevê que a escassez de memória associada à inteligência artificial se prolongue até 2028, apesar do aumento dos investimentos na produção de semicondutores. A fabricante sul-coreana confirmou que toda a oferta prevista de memória de elevada largura de banda (HBM) para 2027 já está comprometida com clientes.
O anúncio, feito durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2026, reforça as preocupações com a capacidade da indústria para acompanhar a expansão dos centros de dados. A pressão sobre a oferta também afeta os componentes utilizados em telemóveis e computadores, com consequências para os custos de produção.

Segundo a Reuters, a Samsung antecipa que o mercado de memória permaneça sob pressão até 2028. A rival SK Hynix apresenta uma previsão mais prolongada e admite que as restrições de fornecimento possam persistir até 2030.
Lucros recorde nos semicondutores contrastam com perdas noutras divisões
Os resultados oficiais da Samsung mostram a dimensão do crescimento associado à procura de componentes para inteligência artificial.
A divisão de semicondutores registou um lucro operacional de 106,5 biliões de won no terceiro trimestre, aproximadamente quinze vezes superior ao valor observado no período homólogo. Este negócio representou praticamente todo o lucro operacional consolidado da empresa, que atingiu 107,4 biliões de won.
Para responder à procura, a Samsung prevê investir 76,8 biliões de won na divisão de semicondutores durante 2026, um aumento de 62% face ao ano anterior. A empresa antecipa um novo crescimento do investimento em 2027.
A expansão da capacidade produtiva, contudo, exige tempo. A construção de fábricas e a instalação de equipamentos especializados não permitem responder imediatamente ao aumento das encomendas.
A situação apresenta um contraste dentro da própria Samsung. Enquanto o negócio de semicondutores beneficia dos preços mais elevados, outras divisões enfrentam custos adicionais.
A área Device eXperience, que reúne dispositivos móveis, televisores e outros produtos eletrónicos, registou um prejuízo operacional de 800 mil milhões de won no terceiro trimestre. Dentro desta estrutura, os negócios Mobile e Networks apresentaram perdas operacionais conjuntas de 600 mil milhões de won, num período marcado pela pressão dos custos.
Escassez de memória pode continuar a pressionar preços
A memória HBM é utilizada em aceleradores de inteligência artificial, onde a transferência rápida de grandes volumes de dados é essencial para o processamento. A sua produção exige processos especializados e compete por parte da capacidade industrial utilizada no fabrico de outras memórias.
Ao privilegiar produtos destinados aos centros de dados, os fabricantes procuram responder à procura empresarial e beneficiar de margens mais elevadas. Esta estratégia pode limitar a disponibilidade de memória convencional para outros segmentos.
O impacto nos equipamentos de consumo já foi abordado pelo TecheNet no artigo sobre a subida dos preços da memória RAM devido à inteligência artificial.
Para os fabricantes de telemóveis e computadores, o encarecimento da memória cria três alternativas. Podem absorver parte dos custos e aceitar margens inferiores, aumentar os preços de venda ou ajustar as configurações dos equipamentos.
Nenhuma destas opções produz necessariamente o mesmo resultado em todos os mercados. Os efeitos dependem dos contratos de fornecimento, dos volumes de compra e da capacidade financeira de cada fabricante.
A previsão da Samsung também não significa que a escassez termine em 2028. A empresa identifica esse ano como parte de um período de oferta limitada, mas a evolução dependerá da entrada em funcionamento de novas instalações industriais e do ritmo de investimento em infraestruturas de inteligência artificial.
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