A GMO Internet e a Park24 anunciaram compensações financeiras a clientes após dois ciberataques no Japão. As empresas vão pagar montantes fixos a utilizadores afetados, enquanto a GMO também se comprometeu a cobrir prejuízos comprovados provocados por operações financeiras não autorizadas.

As decisões mostram como as consequências de uma violação de segurança podem ultrapassar os custos de recuperação dos sistemas. Além das despesas técnicas e operacionais, as empresas enfrentam agora encargos diretos com compensações e alterações nos procedimentos de proteção dos dados.
Os prejuízos também podem resultar de danos operacionais, como demonstrou o recente ciberataque a supermercados em França, que comprometeu sistemas de refrigeração e provocou perdas de mercadorias.
GMO Internet compensa perdas em contas de negociação cambial
A GMO Internet anunciou, a 24 de outubro, que vai pagar 5.000 ienes a cada cliente do serviço Onamae.com Desktop Cloud, independentemente da existência de prejuízos financeiros.
O serviço disponibiliza servidores virtuais utilizados, entre outras funções, para executar aplicações de negociação automatizada no mercado cambial. O ataque permitiu o acesso não autorizado a informações dos clientes e poderá ter comprometido credenciais de acesso a contas de negociação.
A investigação identificou até 26.739 ambientes de servidores potencialmente afetados. A empresa suspendeu o serviço e confirmou a existência de vulnerabilidades de segurança na infraestrutura.
Além do pagamento fixo, a GMO comprometeu-se a compensar perdas efetivas resultantes de operações não autorizadas, após análise dos registos de negociação. A compensação não abrange perdas provocadas pelas oscilações normais do mercado nem lucros hipotéticos.
Os clientes poderão ainda optar por um serviço alternativo, disponibilizado gratuitamente durante seis meses.
A empresa confirmou também ter recebido uma exigência financeira de alegados responsáveis pelo ataque, acompanhada de ameaças de divulgação de informações. A GMO recusou o pagamento e comunicou o incidente às autoridades japonesas.
Park24 prevê perdas de 5,5 mil milhões de ienes
A Park24, responsável pelo serviço de partilha de automóveis Times Car, anunciou uma compensação de 3.000 ienes, em dinheiro ou vales, para clientes cujos documentos de identificação encriptados apresentaram indícios de acesso e transferência não autorizados.
A violação foi detetada em setembro e a investigação identificou vestígios de transferência de aproximadamente 1,46 milhões de imagens de documentos de identificação.
A empresa esclareceu que os documentos estavam encriptados, pelo que a sua transferência não significa necessariamente que os atacantes tenham conseguido consultar o conteúdo. Contudo, reconheceu que não é possível excluir completamente o risco de uma futura desencriptação.
Como medida preventiva, a Park24 decidiu deixar de conservar imagens dos documentos de identificação após a conclusão dos procedimentos de verificação.
A empresa prevê reconhecer uma perda extraordinária de 5,5 mil milhões de ienes, associada às despesas de resposta ao incidente e às compensações aos clientes.
Ciberataques no Japão: registados 723 incidentes de cibersegurança em 2026
Segundo dados da TrendAI citados pela Reuters, o Japão registou 723 incidentes de cibersegurança até 20 de outubro de 2026, um número que já ultrapassa os totais anuais de 2024 e 2025.
Este crescimento não significa necessariamente que o número real de ataques tenha aumentado na mesma proporção. Uma maior capacidade de deteção e divulgação pode contribuir para a subida dos incidentes registados.
Os dois casos ilustram também diferentes consequências financeiras de um ciberataque. Na GMO, o risco inclui perdas diretamente associadas a operações cambiais não autorizadas. Na Park24, os encargos resultam sobretudo da exposição de dados pessoais, da resposta ao incidente e das compensações anunciadas.
As decisões não demonstram, por si só, uma mudança generalizada nas políticas de indemnização das empresas japonesas. Mostram, contudo, que os custos de um incidente de cibersegurança podem prolongar-se para além da reposição dos serviços e obrigar as organizações a rever a forma como protegem e conservam a informação dos clientes.
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