A Rússia intensificou os ataques contra os centros de dados na Ucrânia, numa ofensiva que também afeta as redes de telecomunicações e os sistemas digitais do país. Segundo o primeiro-ministro ucraniano, Sergiy Koretskyi, cerca de dez centros de dados foram danificados em Kyiv apenas durante o mês de setembro.

As declarações, divulgadas a 23 de outubro, apontam para uma campanha sistemática contra a infraestrutura digital ucraniana, numa altura em que Moscovo também reforça os ataques à rede energética antes do inverno. O Governo de Kyiv alerta ainda para o aumento de ciberataques que, segundo as autoridades, recorrem cada vez mais à inteligência artificial.
Centros de dados na Ucrânia tornam-se alvos da ofensiva russa
De acordo com a Reuters, Koretskyi considera que a Rússia está a atacar a infraestrutura digital ucraniana de forma tão sistemática como o setor energético. Os ataques físicos têm provocado danos em instalações que suportam serviços de Internet, comunicações e sistemas informáticos utilizados por empresas e instituições públicas.
Os efeitos já são visíveis nas telecomunicações. Segundo o meio ucraniano Hromadske, os ataques de 23 de setembro danificaram equipamentos dos operadores Pavutyna e Utels, o que provocou problemas de ligação a aproximadamente 100 mil assinantes em Kyiv e na região envolvente.
Outras instalações, associadas à Datagroup e à Cosmonova, também sofreram danos durante setembro, com interrupções que afetaram órgãos de comunicação social ucranianos.
A ofensiva prosseguiu em outubro. No dia 19, um ataque com um míssil balístico destruiu infraestruturas de um centro de dados da Datagroup em Kyiv, segundo a empresa. O centro de dados Parkovyi também suspendeu operações na sequência de ataques russos.
A destruição destas instalações pode comprometer serviços digitais, mesmo quando existem cópias de segurança. A recuperação depende não apenas da integridade dos dados, mas também da disponibilidade de equipamentos, energia e ligações de rede capazes de suportar os sistemas afetados.
Ucrânia alerta para ciberataques com recurso à IA
A ofensiva física coincide com um aumento dos ciberataques contra sistemas informáticos governamentais e empresas, segundo o primeiro-ministro ucraniano.
Koretskyi afirma que os atacantes recorrem cada vez mais à inteligência artificial, embora não tenha apresentado detalhes técnicos sobre as ferramentas utilizadas ou as operações identificadas. A alegação não permite determinar se a tecnologia está a ser aplicada na identificação de vulnerabilidades, na automatização dos ataques ou noutras fases das operações.
Em resposta, o Governo ucraniano ordenou aos responsáveis dos organismos públicos que constituam equipas de cibersegurança e adquiram as ferramentas necessárias para reforçar a proteção dos sistemas.
O primeiro-ministro acrescentou que as principais agências digitais ucranianas já utilizam inteligência artificial para defender as suas redes e pretende que as restantes instituições públicas alcancem uma capacidade semelhante.
A IA pode apoiar tarefas de deteção de ameaças, análise de grandes volumes de informação e identificação de comportamentos suspeitos. Contudo, as autoridades não divulgaram resultados que permitam avaliar a eficácia das ferramentas utilizadas na defesa dos sistemas ucranianos.
Infraestruturas digitais ganham importância na guerra
Os ataques aos centros de dados acrescentam uma dimensão à campanha contra infraestruturas essenciais ao funcionamento da economia e dos serviços públicos.
A destruição de instalações físicas pode comprometer equipamentos, ligações de rede e capacidade de processamento. Em paralelo, os ciberataques podem afetar sistemas que continuam operacionais, o que aumenta a complexidade das operações de defesa e recuperação.
A Ucrânia também tem atacado infraestruturas digitais russas. Nos dias 8 e 9 de outubro, dois centros de dados da Yandex foram atingidos por drones, com danos em instalações utilizadas para serviços digitais e processamento de inteligência artificial. Os incidentes provocaram perturbações em plataformas utilizadas por empresas e consumidores russos.
A sucessão destes acontecimentos evidencia a importância operacional dos centros de dados num conflito em que os serviços digitais dependem de infraestruturas físicas vulneráveis a ataques militares.
Apesar dos danos comunicados em Kyiv, não existe uma avaliação independente completa da dimensão dos ataques aos centros de dados ucranianos. Também não foram divulgados elementos técnicos suficientes para confirmar a utilização concreta de inteligência artificial nas operações cibernéticas atribuídas à Rússia.
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