A Infosys reduziu a previsão de crescimento das receitas para o exercício financeiro de 2027, apesar do aumento do negócio associado à inteligência artificial. A empresa indiana de serviços informáticos enfrenta uma procura mais fraca em alguns setores, pressão sobre os preços e mudanças na forma como os clientes contratam serviços tecnológicos.

A revisão das previsões, anunciada a 23 de outubro, foi recebida negativamente pelos investidores. As ações da Infosys chegaram a cair 2,7% esta segunda-feira, 26 de outubro, numa reação que reflete as preocupações com o crescimento do setor indiano de outsourcing.
A empresa passou a antecipar um crescimento das receitas entre 1% e 2%, em moeda constante, abaixo do intervalo anterior de 1,5% a 3%. A redução ocorre numa altura em que os investimentos em inteligência artificial começam a alterar as condições comerciais dos contratos de serviços informáticos.
Inteligência artificial aumenta receitas, mas pressiona os preços
A inteligência artificial representa uma parcela crescente da atividade da Infosys. Segundo os resultados apresentados pela empresa, as receitas associadas à IA aumentaram 29% face ao trimestre anterior e corresponderam a 10,5% da faturação trimestral.
Este crescimento, contudo, não elimina as dificuldades do negócio tradicional. Os clientes procuram aproveitar os ganhos de produtividade proporcionados pela IA para reduzir custos e renegociar contratos. Em alguns casos, os modelos de faturação baseados nas horas de trabalho começam a dar lugar a acordos associados aos resultados obtidos.
A pressão para obter ganhos de eficiência não se limita ao mercado indiano. Em Portugal, um estudo recente sobre a adoção de IA nas empresas revelou que 80% das organizações que utilizam a tecnologia afirmam ter registado melhorias de produtividade. No entanto, apenas 16% das empresas que adotaram IA alcançaram um nível avançado de integração.
A mudança tem consequências para empresas que dependem de equipas numerosas e de contratos de prestação de serviços prolongados. Se determinadas tarefas puderem ser executadas com menos recursos humanos, os fornecedores terão de encontrar formas de preservar as receitas e as margens operacionais.
A Infosys enfrenta, assim, um desafio que se estende a outras empresas indianas de serviços informáticos. A IA cria oportunidades de negócio, mas também pode reduzir o valor de atividades que anteriormente exigiam mais horas de trabalho.
Procura mais fraca também contribuiu para a revisão
A inteligência artificial não explica, por si só, a redução das previsões. A Infosys identificou dificuldades na procura de serviços por parte de clientes dos setores tecnológico e retalhista, além da saída de um contrato europeu.
A empresa manteve a previsão de margem operacional entre 20% e 22%, o que indica que, apesar da revisão das receitas, não alterou as expectativas de rentabilidade para o exercício.
Os dados mostram que o crescimento dos serviços associados à IA ainda não é suficiente para compensar integralmente a pressão sobre outras áreas de atividade. Também não permitem concluir que a inteligência artificial seja a principal responsável pelo abrandamento das receitas.
A evolução dos próximos trimestres deverá ajudar a perceber até que ponto as empresas indianas de outsourcing conseguem transformar os ganhos de produtividade da IA em novas fontes de receita, sem comprometer os contratos que sustentam o negócio tradicional.
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