Mapas revelam a concentração de poluentes no oceano

Mapa 3D que mostra áreas do Oceano Atlântico (com as Américas à esquerda; Europa e África à direita) contaminadas por chumbo. Regiões marcadas pelas cores vermelha e amarelha apresentam concentrações mais elevadas do elemento na água. Crédito: Steven van Heuven, Hein de Baar, Rob Middag, Abigail Noble e Christian Schlosser

Mapa 3D que mostra áreas do Oceano Atlântico (com as Américas à esquerda; Europa e África à direita) contaminadas por chumbo. Regiões marcadas pelas cores vermelha e amarelha apresentam concentrações mais elevadas do elemento na água. Crédito: Steven van Heuven, Hein de Baar, Rob Middag, Abigail Noble e Christian Schlosser

 

 





O uso de combustíveis com chumbo nos automóveis deixa um rastro sinistro da atividade humana no Oceano Atlântico: uma imensa massa de água contaminada por traços desse elemento químico tóxico. Há algumas décadas, a Europa e os Estados Unidos baniram a gasolina com chumbo, mas a presença do poluente persiste, como mostra o mapa acima, lançado nesta semana por ocasião da 2014 Ocean Sciences Meeting.

Uma colaboração internacional de cientistas produziu, ao custo de US$ 300 milhões, registros da presença de metais vestigiais e outros produtos químicos nos mares ao redor do planeta. O projeto, denominado GEOTRACES, “é um grande progresso” em relação a trabalhos prévios, diz Hein de Baar, especialista em química oceânica do Royal Netherlands Institute for Sea Research em Texel, nos Países Baixos.

Foram coletadas quase 30 mil amostras de água em 787 locais de estudo. Técnicas sofisticadas mensuraram elementos como ferro, níquel e zinco nas amostras. As substâncias analisadas frequentemente ocorrem em quantidades diminutas e podem nos dar um conhecimento importante acerca do passado — como sobre a movimentação das águas no decorrer de séculos — e do futuro dos oceanos, futuro no qual as mudanças climáticas podem alterar processos bioquímicos ocorridos.

Ao todo, cerca de 200 elementos e substâncias químicas tiveram sua presença verificada pela equipe do GEOTRACES. Porém, os mapas de participação do chumbo na água oceânica revelados nesta semana foram os mais estarrecedores por nos dizerem muito sobre a poluição e contaminação.

As cores vermelha e amarela nos informam quanto à concentração de chumbo na água que, apesar de elevada, ainda não é suficiente para configurar um risco iminente à vida marinha e aos seres humanos, diz Edward Boyle, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Abigail Noble, oceanógrafa do MIT, estima que as concentrações sejam aproximadamente equivalentes à de uma colher de suco de laranja congelado diluída em 200 piscinas olímpicas.

Observe a porção central do Atlântico no mapa. Nela, uma grande faixa de água (nas cores vermelha e amarela) abaixo da superfície contém níveis de chumbo mais altos do que os encontrados tanto na superfície quanto em profundidades maiores. A água contaminada já esteve na superfície, conforme explica, onde coletou partículas de chumbo que estavam no ar. Então, esta água afundou no oceano, tornando-se uma cápsula do tempo que registra “o incrível impacto que temos tido sobre os oceanos no passado”.

Noble e Boyle argumentam que os níveis de chumbo no Atlântico diminuíram graças às sanções aos diversos usos do metal na Europa e nos Estados Unidos. Mesmo assim, a contaminação segue elevada em algumas localidades. Na ponta sul da África, águas superficiais contaminadas por chumbo fluem em direção ao Atlântico a partir do Oceano Índico. Provavelmente, isto se deve ao fato de países da África e da Ásia continuarem utilizando o elemento na composição da gasolina, além da participação referente à indústria pesada nos mesmos países, afirma Christian Schlosser, da Universidade de Southampton, Reino Unido.

Já o Mar Mediterrâneo contém algumas das mais altas concentrações apontadas pelos cientistas no Atlântico, conclui o oceanógrafo Rob Middag, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia. Este fenômeno pode estar relacionado ao fato de o Mediterrâneo ser um corpo de água relativamente fechado com costas densamente povoadas.

Os estudos devem ser finalizados em alguns anos, já que mais expedições ainda serão realizadas. Os pesquisadores começam a analisar a presença de elementos como o ferro, capazes de “fertilizar” o plâncton e afetar drasticamente a resposta dos oceanos à mudança climática. Além disso, a distribuição isotópica dos elementos químicos está sendo avaliada para que se tenha noção das origens de cada elemento presente na água.

Fonte: Science

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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