Nariz humano pode detectar um trilhão de odores, sugerem pesquisadores

Um típico nariz humano possui cerca de 400 tipos de receptores olfativos, e pode diferenciar até 1 trilhão de cheiros. Crédito: Richard Green/Alamy

Um típico nariz humano possui cerca de 400 tipos de receptores olfativos, e pode diferenciar até 1 trilhão de cheiros. Crédito: Richard Green/Alamy

 

 

 




O nariz humano é capaz de distinguir, no mínimo, 1 trilhão (bilião, em português europeu) de odores. O número, muito maior do que a estimativa anterior — ao redor de 10 mil odores —, foi calculado por pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York, e divulgado na revista Science.

“Nós desconstruímos este número antigo (…) de 10.000”, diz Leslie Vosshall, pesquisadora do sistema olfativo da Rockefeller e coautora do novo estudo, para quem a estimativa anterior dava aos humanos um “complexo de inferioridade quanto ao nosso sentido do olfato”, referindo-se à apurada habilidade de distinção de cheiros encontrada em outros animais. Andreas Keller, outro coautor do trabalho, acredita terem sido poucos os estudos destinados à identificação dos limites do olfato humano, e que, portanto, esta investigação estava esperando alguém que a fizesse.

O fato de um nariz humano ter cerca de 400 tipos de receptores olfativos fez com que os pesquisadores duvidassem dos pareceres anteriores, que defenderam o número de 10 mil odores como expressão máxima da nossa capacidade olfativa (o olho humano, por exemplo, possui apenas três tipos de receptores para as cores, porém, as pessoas podem enxergar até 10 milhões de cores, alegam os cientistas). No entanto, reconheceram ser impossível realizar um experimento que pusesse pessoas em contato 10 mil ou mais odores, a fim de que elas os identificassem. Eis que Vosshall, Keller e seus colegas testaram uma pequena mescla desses odores e extrapolaram matematicamente os resultados para que pudessem auferir a capacidade real de distinção de cheiros de um nariz humano comum.

Parece familiar…

Voluntária analisa mistura de componentes odoríferos. Crédito: Zach Veilleux/  Rockefeller University

Voluntária analisa mistura de componentes odoríferos. Crédito: Zach Veilleux/ Universidade Rockefeller

 

 

 

O olfato pode ser definido como o processo pelo qual receptores específicos do nariz reconhecem componentes moleculares encontrados no odor.

Tendo isso em mente, os especialistas prepararam misturas contendo 10, 20 ou 30 componentes químicos selecionados a partir de um grupo de 128 moléculas odoríferas. Individualmente, as moléculas tinham odores que lembravam os da grama ou de plantas cítricas, por exemplo; mas, quando combinadas, o aroma emanado por elas não parecia familiar. Então, 26 voluntários foram expostos a um conjunto amostral composto por três misturas — duas delas idênticas —, e foi-lhes requisitado que identificassem a única mistura cujo cheiro fosse diferente. Este processo foi repetido com mais de 260 conjuntos de amostras.

Quando os componentes odoríferos dos aromas das duas misturas distintas se sobrepunham em mais de 51%, a maioria dos participantes teve dificuldade para distingui-los. Assim, os pesquisadores calcularam o número de possíveis misturas, partindo das mesmas 128 moléculas, que se sobrepõem em menos de 51%, alcançando a estimativa de quantos cheiros um nariz humano consegue detectar.

De acordo com os autores, esta estimativa é de, no mínimo, 1 trilhão de odores. Vosshall argumenta que o número pode ser ainda maior, porque há mais de 128 moléculas odoríferas. O estudo atual não separou os participantes em função do gênero, etnia e outros fatores, mas pesquisas anteriores conduzidas pelo mesmo grupo de cientistas já haviam sugerido que as mulheres caucasianas não fumantes, dentro da sua faixa de peso saudável, são as pessoas de melhor capacidade olfativa.

Donald Wilson, pesquisador do olfato da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, espera que o novo número ajude a elucidar um mistério: como o nariz e o cérebro coordenam o processamento dos cheiros.

Fontes: Nature, LiveScience

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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