Descoberto o mais antigo sistema cardiovascular fossilizado

Fósseis de 520 milhões de anos da espécie Fuxianhuia protensa descobertos na China. Acima, vê-se a estrutura externa do animal; abaixo, seu sistema cardiovascular. Crédito: Ma X. et al., Nature (2014)
 

Fósseis de 520 milhões de anos da espécie Fuxianhuia protensa descobertos na China. Acima, vê-se a estrutura externa do animal; abaixo, seu sistema cardiovascular. Crédito: Ma X. et al., Nature (2014)

 

 




Pesquisadores alegam ter encontrado o mais antigo sistema cardiovascular já descoberto, em um artrópode fossilizado há 520 milhões de anos. O fóssil, de um extinto predador marinho, revelou um sistema complexo — composto por coração e vasos sanguíneos — e bastante semelhante ao observado nos parentes modernos (embora distantes) do artrópode, como lagostas e formigas.

Em estudo publicado no periódico Nature Communications, a equipe de cientistas responsável pela descoberta, liderada pela paleontóloga Xiaoya Ma, do Museu de História Natural de Londres, afirma ter identificado o antigo sistema cardiovascular em um fóssil da espécie Fuxianhuia protensa. Tal fóssil foi encontrado, inicialmente, no sítio paleontológico chinês de Chengjiang, e pertencia à coleção do Yunnan Key Laboratory for Palaeobiology.

Sangue para ver… e pensar

Nicholas Strausfeld, neurocientista da Universidade do Arizona e coautor do estudo, define como “extraordinária” a rede cardiovascular do fóssil de 8 centímetros de comprimento, a evidência mais recente de que os artrópodes já haviam desenvolvido organismos sofisticados no período geológico Cambriano, há 520 milhões de anos.

Os órgãos preservados da criatura apresentaram um coração em formato tubular, posicionado próximo às suas costas. Seus vasos sanguíneos partem do coração em direção aos diversos segmentos do corpo, destacando-se os pedúnculos oculares (apêndices onde se localizam os olhos), antenas, apêndices articulados (“pernas”) e cérebro, aglomerando-se na região correspondente ao cérebro e aos olhos, sugerindo que estes órgãos exigiam um grande suprimento de oxigênio.

Reconstrução do organismo da espécie F. protensa, com o sistema cardiovascular em vermelho, o intestino em verde e o sistema nervoso central em azul. Crédito: Nicholas Strausfeld

Reconstrução do organismo da espécie F. protensa, com o sistema cardiovascular em vermelho, o intestino em verde e o sistema nervoso central em azul. Crédito: Nicholas Strausfeld

 

 

Contemplando insetos, aracnídeos e crustáceos, entre outras classes de animais, o filo Arthropoda manteve algumas características relativas às estruturas dos corpos desde o Cambriano, por exemplo, os cérebros dos crustáceos modernos, muito parecido com o da espécie F. protensa, de acordo com Strausfeld.

Já a evolução dos vasos sanguíneos administrou doses de maior e menor complexidade às estruturas atuais, em resposta aos diferentes corpos dos parentes vivos do animal fossilizado. Formigas, besouros, camarões e caranguejos são exemplos de artrópodes mandibulados nos quais um sistema arterial ancestral básico deu origem às variantes modernas.

Pompeia submarina  

O mesmo grupo de pesquisadores havia comunicado em 2012 a descoberta do exemplar mais antigo de um cérebro de artrópode, em outro F. protensa fossilizado no sítio de Chengjiang. Strusfeld compara esse sítio a Pompeia, cidade do Império Romano destruída durante uma erupção do vulcão Vesúvio, devido ao nível excepcional de preservação dos organismos soterrados.

O especialista ressalta a necessidade da procura pelos ancestrais dos animais de Chengjiang, representantes da explosão Cambriana, rápida diversificação das formas de vida que gerou os formatos básicos de corpo que vemos hoje na natureza. “A questão é: o que veio antes?”, indaga.

Fonte: LiveScience

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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