Água e céu limpo: revelados aspectos da atmosfera de exoplaneta

Concepção artística do exoplaneta HAT-P-11b. Crédito: David A. Aguilar; CfA
Concepção artística do exoplaneta HAT-P-11b. Crédito: David A. Aguilar; CfA




Astrônomos descreveram a atmosfera do menor exoplaneta que contém água já descoberto. Para a surpresa dos pesquisadores, ao contrário das atmosferas — totalmente nubladas — de outros exoplanetas pequenos, o céu do HAT-P-11b é limpo de nuvens.

O HAT-P-11b, distante 124 anos-luz da Terra e situado na constelação do Cisne (Cygnus), tem cerca de quatro vezes o tamanho da Terra, embora possua 26 vezes a massa do nosso planeta.

Jonathan Fraine, astrônomo da Universidade de Maryland e um dos autores do estudo que averiguou aspectos da atmosfera do exoplaneta, publicado na edição de 25 de setembro da revista Nature, assevera que este é o menor em cuja atmosfera foi possível ver algo além de nuvens.

Desvendar as atmosferas dos exoplanetas é um passo importante para conhecer as proporções de gelo e rocha que os formam, explica Kevin Stevenson, astrônomo da Universidade de Chicago que não se envolveu no trabalho.

Assim, diversos grupos de pesquisadores têm investigado atmosferas de corpos celestes alheios ao Sistema Solar, buscando mundos parecidos com este que habitamos. No entanto, os esforços vinham sendo ofuscados pela presença de nuvens.

Utilizando os telescópios espaciais Hubble e Spitzer, foi possível para Fraine e sua equipe monitorar a intensidade da luz da estrela HAT-P-11, reduzida pela passagem do planeta em frente à estrela.

Conforme o HAT-P-11b transita em frente ao disco de sua estrela, o hidrogênio e o oxigênio do planeta absorvem determinados comprimentos de onda da luz. Estudando esses padrões de absorção, os cientistas chegaram à conclusão de que existe vapor de água na alta atmosfera do planeta.

Ademais, a força do sinal detectado pelo Hubble indicou que a atmosfera observada é livre de nuvens, pelo menos na sua região mais elevada, o que não elimina a hipótese de que um observador mais próximo ao solo do planeta visse nuvens menores, também mais baixas. Para Stevenson, a localização da água sugere que o planeta tenha começado com um núcleo de rocha ou gelo e acumulado hidrogênio gasoso com o tempo.

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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