Maioria dos genes para a inteligência ainda é desconhecida, conclui pesquisa

Imagem: Jirsak; Shutterstock
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Desde 2011, um grupo internacional de cientistas vem tentando encontrar os genes que determinam a inteligência humana. Porém, seu estudo — um dos maiores do campo da cognição humana — produziu resultados inconclusivos, relatados em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), sugerindo que os genomas de mais de 1 milhão de pessoas ainda devem ser analisados para que se possa estabelecer uma relação cientificamente rigorosa entre a genética e a inteligência.

Estudos prévios com gêmeos demonstraram a existência de uma ligação, no mínimo, moderada entre os genes e o desempenho cognitivo, mas os trabalhos que buscaram identificar as variantes genéticas associadas aos fenótipos (características biológicas observáveis oriundas do genoma) cognitivos não produziram resultados satisfatoriamente significativos.

A equipe formada em 2011 revelou, em 2013, os resultados de seu próprio estudo, que comparou os genomas de mais de 126 mil indivíduos e identificou três variantes (alelos) associadas à quantidade de anos de estudo de uma pessoa. Entretanto, o efeito dos alelos identificados foi pequeno, e a presença de cada um deles correlacionou-se a apenas um mês adicional de escolaridade na amostra testada.

Agora, dando prosseguimento a esse trabalho, o consórcio apresentou na PNAS as conclusões de uma pesquisa a respeito da associação de determinadas variantes genéticas e o QI (quociente de inteligência), enquanto medida de desempenho cognitivo, em cerca de 106.700 pessoas que haviam participado do estudo de 2013. As 69 variantes genéticas mais associadas à escolaridade naquela ocasião foram novamente testadas em uma segunda amostra de 24 mil pessoas que fizeram testes de QI.

Descobriu-se que, da lista inicial de variantes “suspeitas”, somente três estavam ligadas, simultaneamente, ao nível educacional e a notas mais altas nos testes de QI, cada uma das quais com um efeito médio de 0,3 ponto sobre um destes testes. Isso quer dizer que, se uma pessoa possuir duas cópias de cada alelo, fará 1,8 (0,3 x 6) ponto a mais em um exame de QI do que uma pessoa que não possuir qualquer alelo — pouco, se levado em conta o fato de dois terços da população obterem notas entre 85 e 115.

De acordo com um dos líderes do estudo, Daniel Benjamin, cientista social da Universidade Cornell em Nova York, as variantes genéticas destacadas têm apenas cerca de um vigésimo do efeito sobre a inteligência do que o registrado por outros alelos, ligados a outros traços fenotípicos, como a altura.

Benjamin ressalta que o grupo de pesquisadores sabia de antemão que os resultados poderiam ser inconclusivos, mas as evidências de que traços complexos como a inteligência sofrem influências pequenas de várias fontes genéticas pode nortear futuros estudos sobre a cognição. Mesmo assim, mais de um milhão de pessoas devem ter seus genomas esquadrinhados para que, segundo Benjamin, seja encontrado um número suficiente de variantes genéticas comuns e capazes de explicar 15% da variação na pontuação de QI, no grau de escolaridade e outros traços comportamentais.

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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