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Medicamento 3-em-1 reduz a massa corporal em um terço do total

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
13/12/2014
Em Ciência
3-em-1: nova droga contra a obesidade é composta pela estrutura de três hormônios que agem sobre o controle da glicose no sangue e da gordura corporal: peptídeo-1 semelhante ao glucagon (esq. ), glucagon (centro) e peptídeo inibidor gástrico (dir). Crédito: brian finan e matthias tschöp
3-em-1: nova droga contra a obesidade é composta pela estrutura de três hormônios que agem sobre o controle da glicose no sangue e da gordura corporal: peptídeo-1 semelhante ao glucagon (esq. ), glucagon (centro) e peptídeo inibidor gástrico (dir). Crédito: brian finan e matthias tschöp

Uma colaboração internacional de cientistas desenvolveu um medicamento capaz de reduzir a obesidade em escala comparável à obtida com a cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como cirurgia de “redução de estômago”, eliminando o excesso de peso corporal em um terço. Em estudo com roedores, que figura no periódico Nature Medicine, os pesquisadores descrevem como o medicamento — uma combinação de três hormônios digestivos — age sobre o metabolismo.

Os anos de sobrepeso podem provocar alterações genéticas nas células, piorando significativamente as taxas de metabolização de gordura e açúcar e tornando mais difícil o processo de emagrecimento, mesmo após uma total mudança de hábitos alimentares.

Também conhecida como gastroplastia, a cirurgia bariátrica pode envolver a redução do volume do estômago de pacientes de obesos, bem como o desvio do trânsito intestinal, limitando tanto a quantidade de alimento ingerida quanto a quantidade efetivamente absorvida pelo organismo.

Esse tipo de intervenção cirúrgica ainda produz outro efeito sobre o organismo do paciente: ele altera os padrões de liberação de hormônios ligados à digestão, fazendo com que o corpo produza mais hormônios que auxiliam na redução dos níveis de açúcar, na queima da gordura e na redução do apetite. Os hormônios peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), peptídeo inibidor gástrico (GIP) e glucagon fazem parte do rol de substâncias reguladoras do metabolismo, sendo o GLP-1 e o GIP liberados por células intestinais para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle logo após uma refeição. O GLP-1 ainda produz a sensação de saciedade, informando o cérebro que a pessoa está “cheia”. Pessoas portadoras de diabetes tipo 2 não respondem a esses dois hormônios, o que leva ao quadro de hiperglicemia, aumento excessivo do nível de açúcar no sangue e, posteriormente, a complicações renais e cardiovasculares, por exemplo.

Por sua vez, o glucagon eleva os níveis de açúcar na corrente sanguínea, dando ao fígado a ordem para converter gordura em açúcar. Em uma pessoa com hiperglicemia, o corpo interrompe o fornecimento de glucagon, objetivando parar a produção de açúcar — o resultado é a queda abrupta da queima de gordura. Já em pessoas que não são afetadas pela diabetes, uma cirurgia bariátrica, ao incentivar a produção de glucagon, colabora para a perda de peso.

Para atacar a obesidade e a diabetes, os pesquisadores descobriram que não bastava ampliar individualmente a produção desses três hormônios, pois que isto levou a pouca perda de peso (apenas 2,7 kg em testes com humanos, aproximadamente) e a alguns efeitos colaterais adversos. Assim, buscou-se sintetizar uma única proteína composta pelas estruturas de glucagon, GLP-1 e GIP e, após anos de experimentos em células e roedores, o grupo chegou a uma droga híbrida capaz de ativar a produção do trio de hormônios, sem afetar outros sistemas hormonais.

Do estudo realizado com o medicamento desenvolvido concluiu-se que, em roedores obesos e diabéticos, a droga híbrida provoca perda de peso (através da queima de gordura) e redução do nível de glicose no sangue. Em média, os animais perderam um terço da massa corporal em até 3 semanas de tratamento, índice semelhante ao obtido por meio de intervenção bariátrica cirúrgica. Adicionalmente, o nível de glicose no sangue dos roedores foi cortado pela metade, e a massa corporal magra (massa total do corpo subtraída da massa de gordura) se manteve intacta, segundo os autores.

A esperança dos pesquisadores é a de que a nova droga proporcione um meio não invasivo de reversão da obesidade, ou seja, um que não requeira cirurgia e que, assim, não proporcione ofereça ao paciente os riscos envolvidos nas operações. Resta agora comprovar os efeitos da droga em humanos.

Tags: diabeteshormôniosmedicamentometabolismoobesidadesangue
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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