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Festival do Rio 2017: Diversidade Cultural em Películas

Ivann Willig por Ivann Willig
20/10/2017
Em Arte e Cultura

Em sua 19ª edição, O Festival do Rio imprime sua marca como um dos mais importantes da América Latina, pela sua expressividade pluricultural. São filmes de ficção e documentários, oriundos dos quatro cantos do planeta. Há filmes para todos os gostos e falta de gosto, também. A seguir um resumo dos 10 filmes que assisti, tendo a ótima e crescente presença de mulheres na direção:

10*) “How To Talk To Girls at Parties” (Dir: John Cameron Mitchell. Estados Unidos/2016)

No início do movimento punk, final dos anos 1970, no Reino Unido, três jovens amigos deparam-se com seres de outro planeta. A etérea Zan (Elle Fanning) desperta o amor em um dos jovens, causando-lhe desconforto entre os companheiros de “Colônia”. Um dos piores filmes do festival, com um roteiro sem propósito e direção aniquiladora. Conseguiu colocar em cena, um ator com cara de Helen Mirren, em seu pior pesadelo e ainda destruiu a imagem de Nikole Kidman, desde já, em sua pior atuação – histérica e caricata – de toda sua carreira. Festival de Cannes. Nota: ZERO

9*) “O Formidável” (Dir: Michel Hazanavicius. França/2017)

Na Paris de 1967, o aclamado cineasta da Novelle Vague, Jean-Luc Godard, passa por sérios questionamentos ao lançar seu filme “A Chinesa”, rejeitado por público e crítica. A atuação de Louis Garrel convence como Godard com a ajuda primordial da ótima maquiagem. O maior problema do filme é a direção de Hazanavicius que interfere na narrativa quebrando a ilusão do público, ao colocar os atores falando diretamente pra câmera. Festival de Cannes. Nota: 3

8*) “Based On A True Story” (Dir: Roman Polansky. Bélgica/2017)

Uma escritora alcança o sucesso com seu livro intitulado “Based On A True Story”. No seu caminho cruza uma fã, que se aproxima mais do que devia, indo morar junto com a escritora. O novo filme de Polansky, não é baseado em nenhuma história real. Emmanuelle Seigner atua bem. Vincent Perez poderia ser melhor aproveitado. Eva Green comete alguns deslizes de interpretação com algumas expressões e olhares forçados. Não é um Polansky dos tempos áureos. Esquecível. Festival de Cannes. Nota: 4

7*) “Rastros” (Dir: Agnieszka Holland. Polônia/2017)

Numa pequena e isolada aldeia montanhosa entre a Polônia e República Tcheca, uma aposentada engenheira civil, Duszeiko (Agnieszka Mandat), vê seu cotidiano desmoronar com o sumiço dos seus dois cães. Misteriosamente caçadores da comunidade, começam a morrer de forma violenta. O filme tem boa ambientação, direção segura da sempre ótima Agnieszka Holland e fotografia competente e ótima trilha sonora. Poderia apenas ter um roteiro que não se prolongasse tanto. Urso de Prata de Melhor Direção em Berlim. Nota: 5

6*) “Detroit em Rebelião” (Dir: Kathryn Bigelow. Estados Unidos/2017)

Durante os protestos de Detroit, em 1967, a polícia é chamada para investigar sobre tiros vindos do Motel Algiers. Policiais brancos interrogam e torturam um grupo de afro-americanos, deflagrando dias seguidos de violência e mortes numa população em estado caótico de revolta. A Oscarizada diretora Kathryn Bigelow tem pulso firme pra esse segmento de filmes. Sua direção impressiona pela agilidade. O elenco, encabeçado por John Boyega não acompanha o talento da diretora. A parte do tribunal é totalmente descartável. Poderia terminar antes, com desfecho diferente, usando, inclusive o recurso da narração. Nota: 6

5*) “Anos Dourados” (Dir: André Téchiné. França/2017)

Baseado na história in (acreditável) crível, de um soldado desertor da Primeira Guerra Mundial que se disfarça de mulher por uma década, afim de escapar do fuzilamento. Sua esposa o induz a tal farsa, sem medir as consequências. Seu marido, sem trabalho, passa a prostituir-se nas agitadas noites parisienses dos anos 1920. Embora seja bem interpretado por Pierre Deladonchamps e Céline Sallette, o filme carece de emoção. A aceitação do marido em travestir-se se concretiza demasiado rápida. Falta-lhe questionamentos. As intervenções teatrais que conduzem a narrativa, prejudicam o desenvolvimento das personagens. Nada acrescentam. Festival de Cannes. Nota: 7

4*) “O Que Te Faz Mais Forte” (Dir> David Gordon Green. Estados Unidos/2017)

A história de uma das vítimas da bomba detonada durante a Maratona de Boston em 2013. Jeff Bauman, estava na linha de chegada, à espera da ex-namorada, quando a bomba foi detonada, dilacerando suas duas pernas. O filme mostra a dura e longa reabilitação de Jeff, numa comovente atuação de Jake Gyllenhaal, um ator que há muito merece ser premiado com Oscar. Festival de Toronto. Nota: 7,5

3*) “Depois Daquela Montanha” (Dir: Hany Abu-Assad. Estados Unidos/2017)

Os personagens de Kate Winslet e Idris Elba precisam voar com urgência para Baltimore. Ela tem pressa em chegar à tempo para seu casamento e ele precisa realizar uma cirurgia em um paciente. Ambos não se conhecem, mas após um acidente aéreo, a sobrevivência os aproxima primordialmente, no alto de gélidas montanhas. A direção de Hany Abu-assad, impressiona no plano sequência dentro do avião, até o desfecho do acidente. Kate Winslet e Idris Elba não tem lá muita química entre eles, mas talvez seja exatamente isso que os torna mais críveis em suas relações. Festival de Toronto. Nota: 8

2*) “Novitiate” (Dir: Maggie Betts. Estados Unidos/2016)

Nos anos 1964, uma jovem decide tornar-se freira, deixando contrariada sua mãe agnóstica. Durante o período do noviciado, jovens noviças precisam enfrentar a arbitrariedade retrógrada da Madre Superiora (Melissa Leo – incrível). Fé, religião e vocação farão parte das dúvidas e autodescobertas de noviças que ousam questionar os ditames da religião católica. Um filme de mulheres e para um público sensível. Direção elegante e delicada de Maggie Betts que dá espaço para suas atrizes mostrarem seus talentos inquestionáveis. Melissa Leo mostra toda sua versatilidade como atriz camaleônica. Excelente, em sua plenitude. Exibido no Festival de Toronto e Prêmio especial do Júri no Sundance Film Festival, para Melissa Leo. Nota: 9

1*) “Dalida” (Dir: Lisa Azuelos. França/2016)

Após ser eleita como Miss Egito em 1954, Dalida se lança no mercado francês como cantora, alcançando um sucesso extraordinário, tendo vendido mais de 170 milhões de discos. Em paralelo, sua vida amorosa, é envolta em tragédias: três de seus amantes suicidaram-se. Em 1987, Dalida dá fim às suas angústias e sua existência, deixando órfãos uma legião internacional de fãs ardorosos. Belíssima reconstituição de época, com direção primorosa de Lisa Azuelos e uma atuação elegante e apaixonada de Sveva Alviti. Com um repertório de excelentes canções, não há como não se encantar por uma personalidade tão cativante como Dalida. Nota: 9

Os melhores do Festival do Rio 2017:

Filme: “Dalida” & “Novitiate”
Direção: Lisa Azuelos (Dalida)
Ator: Jake Gyllenhaal (O Que Te Faz Mais Forte)
Atriz: Sveva Alviti (Dalida)
Ator Coadjuvante: nenhum
Atriz Coadjuvante: Melissa Leo (Novitiate)
Roteiro: “Novitiate”

O pior do Festival do Rio 2017:

Filme: “How To Talk To Girls at Parties”
Direção: John Cameron Mitchell (How To Talk To Girls at Parties)
Ator: Alex Sharp (How To Talk To Girls at Parties)
Atriz: nenhuma
Ator Coadjuvante: Todos (How To Talk To Girls at Parties)
Atriz Coadjuvante: Nicole Kidman (How To Talk To Girls at Parties)
Roteiro: “How To Talk To Girls at Parties”

Para mais informações sobre o Festival do Rio 2017  visite o site oficial

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Ivann Willig

Ivann Willig

tem 46 anos, é gaúcho, nascido em 1970, em Cachoeira do Sul (RS), mora há 30 anos no Rio de Janeiro. Formado em duas faculdades: Artes Cênica (UNI-RIO) & Cinema (UNESA). Dirigiu e roteirizou 4 curtas: “Elas Preferem Jiló”; “Na Hora de Dizer Sim”; “A Idade da Inocência” (com Marcos Caruso e Roberto Bomfim) e “Escolhas” (com Carolina Kasting e Tuna Dwek). Trabalha como jurado de festivais de cinema (Curta Taquary - Pernambuco & Festival de Coremas – Paraíba) Trabalhou em longas metragens como maquiador, entre eles: “Tropa de Elite 1 e 2”, “Cidade dos Homens”, “Romance”...atualmente trabalha como caracterizador assistente em novelas da Globo. Foi crítico de cinema para o site de Portugal: www.clock51.com e de Los Angeles: www.bdci.tv e também para a Revista Preview. Escreveu um livro autobiográfico, intitulado: “Grades do Preconceito”.

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