Confinamento faz disparar apostas online em Portugal

Apostas Online

A COVID-19 levou, no ano passado, ao confinamento da maioria da população e ao encerramento (total ou limitado) de muitos negócios. Os casinos não fugiram à regra. E a consequência de mais tempo em casa levou a que as pessoas se virassem para o jogo online. 

44,317 mil milhões de dólares (cerca de 36,44 mil milhões de euros). Essa foi a receita, a nível mundial, do mercado de apostas online, em 2019, com uma previsão de crescimento de 7,13% ao ano até 2025, onde atingirá a fasquia dos 66,994 mil milhões (55,1 mil milhões de euros). Os números são da ResearchAndMarkets.com.

O jogo (online) foi dos poucos setores que não teve um impacto negativo com a COVID-19. Pelo contrário. Verificou um crescimento, não só do número de apostadores registados, mas também da receita. Mais tempo livre, novas aplicações, mais intuitivas e preparadas para os telemóveis, a par de um aumento dos operadores, que deixaram de ser apenas os casinos físicos, mas poderem ser entidades independentes – devidamente licenciadas, como o Casino Madrid Online ou o bet20 casino, por exemplo. O cancelamento de vários campeonatos no mundo físico – veja-se o caso do futebol – ajudou a ampliar os números. 

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A Austrália, por exemplo, e só na primeira semana de abril, verificou um aumento de 67% nas apostas online. Nos Estados Unidos da América a Global Poker revelou um aumento de 43% no recurso de sites de póquer online. 

A previsão é de que a Europa mantenha o domínio no que concerne ao jogo online. No entanto o maior crescimento deverá vir da Ásia/Pacífico, em grande parte devido, por um lado, à crescente penetração dos smartphones, pela grande percentagem de população jovem, mas, também pela legalização do jogo. 

Apostas online em Portugal crescem 55,7%

Os números não metem. À medida que o ano (de 2020) avançava e as pessoas permaneciam confinadas em casa o volume de apostas online cresceu. Só no terceiro trimestre, e comparados com os números de 2019, registou-se um aumento de 55,7%, alcançando a soma de 84,2 milhões de euros de receita bruta. Cerca de metade desse valor correspondeu aos chamados jogos de fortuna ou azar, mais precisamente 41,7 milhões de euros. No entanto o grande pico deu-se no segundo trimestre, período em que as apostas em jogos de azar registaram 47,9 milhões de euros (versus os 28,2 milhões do terceiro trimestre de 2019). 

Mas isto não significa que, de repente, os portugueses decidiram todos começar a jogar póquer ou Blackjack. Na verdade, o relatório da SRIJ – entidade que regula e inspeciona os casinos online em Portugal – indica que a maioria das apostas deram-se em jogos de máquinas – 70,25%. Em segundo lugar na preferência dos apostares portugueses ficou a roleta francesa. Os jogos mais complexos (Blackjack/21; Póquer não bancado; e Banca francesa) registaram uma adesão (muito) mais discreta, com os valores a rondarem os 3% a 6%. 

156,8 mil novos registos de jogadores. Este número prova a adesão, registada no terceiro trimestre do ano passado, aos jogos online. Feitas as contas, no ano passado (até final de setembro) houve 444,5 mil novos registos. Quase meio milhão de novos jogadores. 

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Curiosamente, ao analisar o perfil desses mesmos jogadores, verifica-se que há uma predominância das camadas mais jovens. 60,8% dos jogadores têm entre 18 e 34 anos, com a faixa dos 25-34 a dominar. A percentagem diminui à medida que a idade avança. A prova é que apenas 1,1% dos jogadores tem mais de 64 anos. 

Jovem e especializado nas apostas. É este o perfil do “novo” apostador

A importância (ou razão de ser) da existência dos casinos online é demonstrada pelo número de jogadores que apenas aposta em jogos de azar – 33,4% a que se junta os 22 por cento que tanto apostam em jogos de azar como efetuam apostas desportivas à cota. 

Mas, na análise do sector, há outros aspetos a ter em conta. Como o facto de a legislação portuguesa ser bastante rígida no que concerne à atribuição de licenças. Mas, também, à preocupação pelo facto de o jogo ser considerado uma atividade viciante. Sobre isto há um ponto que o relatório da SRIJ que é importante analisar: o número de jogadores autoexcluídos da prática de jogos e apostas online. A 30 de setembro de 2020, “e no total das entidades exploradoras, encontravam-se autoexcluídos da prática de jogos e apostas online 62,1 mil jogadores registados (mais 5,5 mil que em 30 de junho de 2020)”. Pode parecer um número elevado, mas, na verdade, trata-se apenas de 2,9% do total de jogadores registados. No entanto, mesmo assim, é um número a ter em conta. 

Hoje é muito fácil fazer apostas online. Seja no computador ou no telemóvel – aliás, este é o dispositivo que tem registado o maior crescimento em termos de adesão, seja pela facilidade de utilização, seja pelo facto de “estar sempre connosco”. 

Mas, se a tecnologia facilita a adesão às apostas online também causa alguns problemas. Nomeadamente no que concerne ao aparecimento de operadores ilegais de jogo online. Aí entra o Estado, no papel da SRIJ, que tem a tarefa de fiscalizar a exploração e prática de jogos e apostas online. Os dados disponíveis indicam que desde o RJO entrou em vigor – em 29 de junho de 2015 – e até 30 de junho de 2020 já foram enviadas 665 notificações “a operadores ilegais de jogo online pata encerrarem a sua atividade em Portugal”. Destes 29 referem-se ao terceiro trimestre do ano passado. Mais ainda. A SRIJ procedeu à notificação dos ISP’s para o bloqueio de 626 websites (83 dos quais entre junho e setembro de 2020). 

O jogo online tanto pode ser uma distração como uma forma de ganhar dinheiro. Há quem faça disso carreira. Mas, o que os dados indicam, é que antes de qualquer tipo de ação há cuidados a ter. Por um lado, não procurar saber se se está a apostar num casino devidamente legalizado e, por outro, não apostar mais dinheiro do que se tem. A bem da saúde mental e financeira de cada um.

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Alexandra Costa
Jornalista desde 1996 sou portuguesa de nacionalidade, alfacinha de nascimento, alentejana de coração e uma viajante do mundo. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa. Basicamente sou apreciadora dos prazeres da vida.