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Automóveis elétricos: viver com um EV (parte 2)

Os custos de propriedade

António Eduardo Marques por António Eduardo Marques
11/06/2023 - Atualizado a 27/10/2023
Em Mobilidade Elétrica, Opinião

A par da autonomia, as perguntas sobre os custos de carregamento são as que mais frequentemente me colocam sobre o meu EV. No último artigo falei sobre como é viver com um EV do ponto de vista da condução (para mim, claro!) e, hoje, vou falar – uma vez mais, sobretudo a partir da minha experiência pessoal – de como é viver com um EV em termos de custos.

Penso que faz sentido dividirmos os custos de ter um EV em três partes: no que diz respeito ao carregamento; no que se refere à manutenção; e outros custos. Infelizmente, nenhuma das duas primeiras áreas é tão simples e transparente como devia, mas tentarei o meu melhor!

Automóveis elétricos: custos de carregamento

Automóveis elétricos: Custos de carregamento

Como expliquei num dos primeiros artigos desta série, a minha principal motivação ao trocar um ICE por um EV foi sobretudo ambiental e não propriamente de redução de custos. No entanto, não vou dizer que o custo de manter um automóvel elétrico me seja indiferente. As boas notícias, neste caso, é que ambas as coisas podem andar de mão dada.

Na maioria parte dos casos, carrego o meu EV de duas formas: na rede pública e no escritório, onde tenho contrato com um fornecedor de energia que garante 100% de eletricidade a partir de fontes renováveis e é, simultaneamente, um dos mais baratos do mercado. Aqui, mandei instalar um carregador portátil, regulável, que me permite carregar o meu EV com uma potência máxima de cerca de 7,7 kW (32 amperes x 240 volts) numa rede monofásica.

Uma das coisas que ouço e leio com frequência é que “só o carregamento em casa é que é mais barato do que o carregamento nos postos públicos”. E, sinceramente, também acreditava nisso antes de comprar o meu EV. No entanto, e felizmente, isso não corresponde à realidade.

Embora haja grandes diferenças nos custos de carregamento nos postos públicos, não só entre postos, mas entre fornecedores de energia, a verdade é que continua a ser, mesmo assim, mais barato carregar a bateria na maioria dos postos públicos do que abastecer um ICE de combustível. A UVE mantém um website atualizado com os custos comparados, mas na prática, os valores podem ser ainda mais baixos, porque eles são propositadamente conservadores na análise (não distinguem diferentes tipos de postos), para não serem acusados de “viés elétrico”…

Sobre as razões por detrás da aparente complexidade das faturas dos postos de carregamento, há também um excelente artigo e vídeo da UVE sobre o tema, que aconselho. Quanto à melhor forma de comparar preços de postos e operadores, sugiro a instalação da app Miio e a sua configuração com os diferentes tarifários. Atualmente uso sobretudo a Via Verde e a EVIO, além da própria Miio. Mas, no futuro, as coisas poderão mudar.

Custos de manutenção

Os custos de manutenção são outras áreas onde há alguns equívocos, mas as marcas também não ajudam, porque existe grande variação entre elas. Por exemplo, a Tesla apenas sugere a manutenção preventiva de dois em dois anos, mas não existe propriamente uma obrigatoriedade contratual para validação de garantia, como acontece em praticamente todas as restantes marcas. A maioria das marcas continua a obrigar a “revisões” periódicas, mas a minha experiência (e a de muitos outros utilizadores com quem falo) é a de que o custo destas revisões é muitíssimo inferior às de um ICE. No caso do meu BMW, a primeira visita à oficina (oficial) para uma revisão programada ficou por… 80€ + IVA. E ainda incluiu uma escova do limpa para-brisas traseiro.

De uma maneira geral, e uma vez que um EV possui muitíssimas menos peças móveis do que um ICE (em média, 100 vezes menos!), há uma menor probabilidade de algo correr mal. Um EV também não tem óleos, embraiagem ou correias que seja necessário substituir regularmente. E, como o motor elétrico é usado para recuperar a energia na travagem, as pastilhas de travão duram muito mais tempo e o mesmo acontece com os discos (ou tambores).

“Ah, mas então e a bateria?!”, ouço-vos perguntar. A menos que haja uma avaria grave, com elevada probabilidade de ser resolvida pelo fabricante durante a garantia, a bateria deverá durar provavelmente mais do que o próprio veículo.

Mas não acreditem em mim: há estudos realizados em milhares de automóveis sobre o reduzidíssimo número de pessoas que tiveram problemas graves que levaram à substituição da bateria (e, mesmo assim, quase sempre dentro da garantia), e há também já abundantes dados estatísticos sobre a degradação das baterias dos EVs ao longo do tempo.

Apesar de não ser essa a expectativa há uma década, hoje, estima-se que a vida útil de uma bateria de um EV seja entre 100 mil e 200 mil milhas, ou seja, 15 a 20 anos de utilização média.

Outros custos

Dependendo da cidade onde o proprietário de um EV reside, poderá haver ainda maiores reduções de custos, sobretudo no que diz respeito ao estacionamento. Em Lisboa, o estacionamento de EVs nas zonas reservadas da EMEL custa 12 euros por ano, por exemplo. Mas há muitas outras cidades em que é totalmente gratuito ou pode ter um desconto significativo.

No caso da EMEL, é preciso comprar um dístico e, noutros casos, poderá ser necessário colar no vidro do EV um dístico (grátis) indicando às autoridades de que o carro em questão é elétrico. Idealmente, deverá informar-se junto da sua câmara municipal ou junta de freguesia para saber se o seu EV poderá ter descontos de estacionamento em zonas normalmente tarifadas.

Uma nota final para o valor do veículo elétrico no mercado de usados. Ouço e leio também com frequência que os EVs têm um valor residual muito baixo… “por causa de razões”. Sobre isso, só tenho uma coisa a dizer: antes assim fosse – porque a realidade contradiz essa narrativa.

* António Eduardo Marques conduz diariamente um EV e é responsável pela página Mobilidade Elétrica no Facebook.

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Tags: automóveis elétricosEVICEopinião
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António Eduardo Marques

António Eduardo Marques

foi jornalista entre 1983 e 2007. Foi co-fundador do suplemento Público Computadores (1994), fundou a Exame Informática (1995), a revista BIT (1998) e o canal de tecnologia do SAPO (2000). Foi ainda diretor da revista de videojogos Mega Score e da revista Vídeo&DVD. Em 2007 criou a agência de comunicação AEMpress e continua a escrever regularmente sobre tecnologia no seu blog, Tech Hoje.

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