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Automóveis elétricos: quando devemos mudar para um EV?

António Eduardo Marques por António Eduardo Marques
01/06/2023 - Atualizado a 27/10/2023
Em Mobilidade Elétrica, Opinião

Se está entre as pessoas que já tomaram a decisão de mudar de um ICE para um EV mas tem preocupações ecológicas e ambientais, certamente já se colocou esta questão: é melhor para o ambiente trocar já, ou esperar pelo final da vida do ICE que conduzo?

Isso é uma excelente questão! E a resposta a essa questão é que… depende! Os fatores que tornam difícil uma resposta simples à pergunta incluem saber qual o carro que conduzimos atualmente, quantos quilómetros fazemos por ano e qual o carro elétrico que pretendemos adquirir.

Automóveis elétricos: quando devemos mudar?

Sustentabilidade ambiental: Carros a Combustão VS Automóveis Elétricos

Se na fórmula acima conduzimos um carro a gasolina de baixa cilindrada e igualmente baixas emissões de CO2, fazemos poucos quilómetros por ano e acabámos de comprar esse mesmo carro, provavelmente o benefício para o ambiente de o trocarmos já por um EV não será muito grande. E, depois, temos também a questão de saber qual o EV: um carro elétrico será tanto menos amigo do ambiente quanto maior for a sua bateria, uma vez que a produção da bateria também implica, direta (produção) e indiretamente (mineração) a libertação de CO2 para a atmosfera.

No entanto, é sempre bom lembrar que os automóveis elétricos e os veículos a combustão não são produzidos para ficarem parados numa garagem, mas sim para se movimentarem. E, no caso dos ICE, quanto mais andarmos com eles, mais irão poluir, independentemente de quanto CO2 foi libertado para a atmosfera durante a sua produção.

No meu caso, que faço cerca de 20.000 km por ano (mais do que o valor médio, em Portugal) e tinha um veículo com um motor a gasolina de baixa cilindrada, resolvi trocá-lo por um EV ao fim de seis anos. E troquei-o por um EV em segunda mão com uma bateria de dimensões modestas – um BMW i3 94 Ah.

Bmw i3 (automóveis elétricos)

Os artigos que encontro pela Internet sobre este tema são muito centrados nos EUA, o que não nos dá uma ideia muito concreta sobre o cenário típico português, ou mesmo europeu. Isto porque os veículos a combustão nos EUA poluem mais do que na Europa. Quanto mais? MUITO mais. Só para lembrar: o Ford F-150 não é a pick-up mais vendida nos EUA – é o veículo particular mais vendido nos EUA! E no Canadá, já agora…

Além disso, a rede elétrica nos EUA não está tão descarbonizada como na Europa e, na Europa, a rede portuguesa é das que tem maior percentagem de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis. Ora, mesmo assim, e fazendo as contas, trocar um veículo a combustão por outro menos poluente nos EUA é uma boa ideia e o mesmo acontece com a troca de um ICE por um EV. Extrapolando, a mudança num país como o nosso será ainda melhor para o ambiente.

Dito isto, repito o que já escrevi nos primeiros artigos desta série: melhor do que trocar um ICE por um EV é deixar de ter carro – passar a caminhar mais, usar a bicicleta (normal ou elétrica) ou a trotinete (idem) em viagens curtas e utilizar mais os transportes públicos.

Sei que isto é pouco realista para muitas pessoas mas, para outras, só não é realista porque nunca pensaram muito no assunto. Porque ter um carro (incluindo um EV!) é mesmo muito caro – e muito mais caro do que as “contas de merceeiro” que todos nós fazemos.

O futuro será dos automóveis elétricos?

Eu, que ando de carro – no meu EV mas também no ICE da minha mulher – não sinto que viva num local que me permita prescindir do veículo privado. Mas certamente que considero que é esse o caminho: no futuro não haverá menos ICE e mais EVs: haverá menos veículos ligeiros de passageiros, à medida que a sociedade evolui e opta por formas mais sustentáveis de se organizar.

O problema é que não vejo esse futuro suficientemente próximo e, enquanto tal não acontecer, devemos tentar o nosso melhor com os meios ao nosso dispor. Que, em muitos casos, passam pela eletrificação da mobilidade.

* António Eduardo Marques conduz diariamente um EV e é responsável pela página Mobilidade Elétrica no Facebook.

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Tags: automóveis elétricosEVICEopinião
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António Eduardo Marques

António Eduardo Marques

foi jornalista entre 1983 e 2007. Foi co-fundador do suplemento Público Computadores (1994), fundou a Exame Informática (1995), a revista BIT (1998) e o canal de tecnologia do SAPO (2000). Foi ainda diretor da revista de videojogos Mega Score e da revista Vídeo&DVD. Em 2007 criou a agência de comunicação AEMpress e continua a escrever regularmente sobre tecnologia no seu blog, Tech Hoje.

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