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Crescimento dos Shorts no YouTube abala receita do vídeo convencional

Ana Laura Ferreira por Ana Laura Ferreira
05/09/2023
Em Notícias, YouTube

Com o terceiro trimestre consecutivo em queda no balanço da plataforma, o YouTube culpa os Shorts como principal fator para a diminuição das visualizações em vídeos tradicionais. Venha entender essa mudança no mercado e suas consequências.

Os vídeos curtos são uma tendência que vem tomando a internet há bastante tempo.

Se inicialmente tínhamos os apps do Vine e Snapchat como precursores desse formato, hoje os Stories, Reels e TikTok dominam a tendência.

E entrando nessa onda de conteúdos curtos, o YouTube aderiu ao estilo com os Shorts. Entretanto, o sucesso do formato pode representar um grande problema a longo prazo e afetar até mesmo o futuro da plataforma.

Imagem da página inicial do youtube com foco em tendências
Imagem: christian wiediger via unsplash

De acordo com um relatório disponibilizado pelo Financial Times, a principal preocupação da plataforma é com a canibalização de conteúdos dentro do app, o que poderia prejudicar ainda mais o negócio principal da empresa: os vídeos longos.

Os Shorts fizeram sua estreia em 2021 e, desde então, já acumulou mais de 2 bilhões de utilizadores fiéis. Essa migração para o formato mais dinâmico de conteúdos acabou por afetar a audiência dos vídeos convencionais.

Responsáveis pela maior parte da receita do YouTube, o gênero tradicional vem sofrendo quedas consecutivas e exponenciais.

A primeira grande instabilidade foi registrada em outubro de 2022. Desde então os valores continuam a diminuir e ainda que a receita de anúncios tenha tido um leve aumento de 4,4% em junho, o faturamento não foi suficiente para tornar o cenário mais promissor.

Um impacto a longo prazo

A principal apreensão da empresa é o impacto que tal aumento no consumo dos Shorts pode trazer para o modelo de negócio que eles estruturaram ao longo das últimas décadas.

Imagem da tela incial do youtube no desktop
Imagem: nordwood themes via unsplash

Com a diminuição no consumo de vídeos longos, a tendência é que os criadores de conteúdo também diminuam suas publicações, gerando um efeito em cadeia.

Um paralelo foi traçado pelo Financial Times no qual comparava esse novo comportamento dos consumidores com a diminuição na aquisição de livros físicos ao longo dos anos, migrando para um formato digital.

Em resposta às revelações, o YouTube se posicionou afirmando que os Shorts são uma ferramenta complementar da plataforma e não devem interferir nos conteúdos tradicionais, de modo a trazer diversidade para dentro do app.

Os vídeos curtos são o futuro?

O YouTube não é a primeira empresa a precisar se atualizar com a popularização dos vídeos curtos.

Um bom exemplo de como esse formato vem tomando, especialmente as redes sociais, foi a implementação do estilo em diversos aplicativos da Meta, seja com os Reels do Instagram, Stories no Facebook ou Status no WhatsApp.

E ainda que conteúdos mais longos ofereçam mais oportunidades para a inserção de publicidades e uma taxa de cliques comprovadamente mais alta, o comportamento dos consumidores está mudando.

Como uma saída para incentivar os criadores de conteúdo a produzirem vídeos mais longos e voltarem a atrair a atenção dos espectadores, o YouTube vem disponibilizando incentivos financeiros para esses produtores, além de ferramentas de edição mais avançadas.

Imagem do ícone do youtube em um celular
Imagem: christian wiediger via unsplash

A empresa também visa contar com a ajuda do Google DeepMind, plataforma de Inteligência Artificial, para melhorar a eficiência da rede.

E mesmo que o comportamento dos consumidores tenha crescido em interesse pelos Shorts, o YouTube ainda mantém seu foco na criação de conteúdos longos.

De acordo com o relatório da Financial Times, menos de 10% dos criadores têm investido no formato mais enxuto, usando de outras plataformas, como o TikTok, para criar esse tipo de material.

E para evitar a migração de conteúdos já prontos de outras redes para o YouTube, a empresa tem penalizado criações que contenham a marca d’água de outros apps.

Até mesmo o modelo de parceria da empresa com seus criadores visa o consumo de conteúdos longos, compartilhando 55% da receita com os produtores em contrapartida aos 45% oferecidos pelos Shorts.

Entretanto, como no fim a maior parte da renda desses criadores vem de patrocínios de marcas, que costumam seguir as tendências de consumo dos clientes finais, o futuro pode incluir mudanças na plataforma de vídeos que tanto conhecemos.

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Tags: CreatorsShortsTikTokvídeosyoutube
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Ana Laura Ferreira

Ana Laura Ferreira

Graduada em Jornalismo pela UNESP (2022), é especialista em Marketing Digital, com foco em SEO e Comportamento do Consumidor. Apaixonada por cultura e por suas possibilidades de ação dentro da sociedade, participa ativamente de diversos projetos focados em crítica e estética cultural.

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